As Artroses de Maria (a necessidade e o engenho)

Quando desapertei as porcas de garra, e após uma consulta atenta ao Manual de Reparação da Maria das Curvas (até nisto é melhor que as mulheres, ou já encontraram alguma com manual de instruções!?), encontrei-me com a minha primeira dificuldade técnica. Na montagem a primeira porca tem binário de aperto, sendo a segunda uma contra porca. Ora , verifiquei que me fazia falta uma chave que fizesse girar a porca de forma a ter a força de aperto que a dinamometrica medisse.
Tinha que ser uma chave tubular, com concavidade ¼ para a dinamometrica e umas patas que encaixariam nas cavidades da porca.
Pus-me a buscar na net e desesperei!
Não é que não existisse, o problema era que pagar 300€ por um conjunto de chaves que provavelmente não utilizaria com frequência era uma maluquice das grandes.
Das duas uma; ou pedia emprestado a quem a tivesse, ou fazia uma que coubesse aqui!

1 A porca

Pus-me a pensar…
A ideia era encontrar uma chave de caixa, a preço acessível, que servisse de suporte para a chave. Ao olhar para a porca, depois de tirar as medidas necessárias, comecei “a palpar” mentalmente como teria que ser a chave.
No meu jogo de caixa encontrei a chave 32 que era perfeitamente o que eu necessitava para servir de base. Mas esta chave não que o jogo custou quase 400€!
Procurei e encontrei!

2 a chave

Comprei na norauto uma chave a vulso, por um preço de pechincha e que serviria para o que vos vou contar.
Junto com ela, no Leroy comprei meio metro de varão de 8mm e um conjunto de limas para metal que tanto me faziam falta.
Mãos há obra!

3 fabrica

O primeiro passo foi cortar o varão em 4 secções de 5cm cada, para limar uma das extremidades de forma a adquirir secção quadrada e encaixar nas cavidades da porca.

4 experiencia

Aqui temos a primeira peça feita!
Repeti a mesma operação até termos as 4 peças desejadas.

5 pernos

O seguinte passo seria soldar,tendo em cuidado para não desviar os pedaços de varão das marcas que fiz na chave de caixa

6 soldadura

Depois de fazer a mesma operação por quatro vezes, já podemos ver o aspecto “final” da coisa.

7 chave pingada

Que foi logo objecto de prova para ver se encaixava correctamente na porca!

8 resultado final

Perfeito!
Já tínhamos uma chave que nos permitiria passar um obstáculo técnico importante!
Mais a diante vão ter a oportunidade de ver a chave em acção!

As Artroses de Maria (desmontagem)

Fui há Honda fazer um orçamento das peças que tinha que mudar, tanto na revisão estética como na revisão mecânica.
Saí de lá azul…
Mais de mil euros, para alem do trabalho do pintor. Por momentos pensei “E se comprasse uma moto nova!?”…
Mas nenhuma mota me daria o prazer que Maria já me deu, todas essas curvas, essas vivências com amigos e companheiros de estrada, todos esses murros no capacete, dados pelas penduras!
Bota lá investir na menina dos meus olhos!

3 Baket

Aqui esta ela, prestes a ficar sem a sua mini saia traseira!

4 Deposito

Depois o “barrigão” e a bomba de gasolina.

5 Bomba

Cuidadinho que este gingarelho já me deixou duas vezes a pé e custa 800€!

6 Baquet

A mini-saia da menina…

7 Tampão deposito

Depois o tampão do deposito, que teve que ser retirado para permitir uma pintura “limpa” do deposito!

8 Maria Nua

E aqui surgiu a primeira dificuldade.

10 Guarda lamas

Para tirar o guarda lamas há Maria, tivemos que utilizar uma técnica de extracção, método drástico, ao ultimo parafuso.

11 Parafuso

Tinha logo que ser o ultimo!
Estas peças foram todas acondicionadas e levadas ao pintor para pintar as mesmas com a cor de origem, pondo os autocolantes de origem, para alem de fazer a única personalização que a Maria vai sofrer na sua historia.
Calma!
Depois vocês vêem!

12 ela

E aqui esta ela!
Preparada para uma cirurgia que lhe vai retirar as artroses do seu trem dianteiro.

13 principio desmontagem

Maria ainda apresentava as marcas do acidente de 2011. Manetas torcidas, espelho retrovisor arranhado e um erro eléctrico que inicialmente me fez pensar no relé, mas depois verifiquei que se tratava do comutador dos piscas (108€+iva tinha que ser a peça mais cara)!

14 sistema electrico

Já lhe tiramos o olho!
Assim ela não vê o que lhe vamos fazer!
Convém ter cuidado com cabos que podem estar ressequidos e quebradiços, depois de mais de 13 anos de uso.

15 Avnço esquerdo

Para chegar aqui, foi preciso apontar as ligações todas dos cabos eléctricos, verificar se havia alguma anomalia e retirar os plásticos da mesa de direcção, painel de instrumentos, desafinar os afinadores da embraiagem e soltar o cabo da mesma (aproveitamos para lubrificar o mesmo).
Depois desapertar o comutador esquerdo, o espelho e o suporte da maneta de embraiagem.
O punho, por incrível que pareça foi o mais difícil de retirar.

16Avanço direito

O avanço direito é bem mais complicado.
Há coisas que não quero perder, como a afinação do acelerador.
Para isso é importante não tocar no punho direito e como tal, o ideal é retirar o avanço sem tocar nas espias do acelerador.
Para tal o que fiz foi soltar a bomba e deposito do travão dianteiro, mantendo esta sempre em alto, para desapertar o avanço da mesa de direcção e depois retira-lo do interior do punho do acelerador!
Porque convém manter a bomba do travão em alto!?
Para permitir a dilatação do óleo, que aquece e dilata com a utilização, o deposito deste tem ar, que ao por a bomba numa posição baixa, pode entrar no sistema e obrigar a uma purga do sistema de travagem.
Algo que eu queria evitar a todo custo.

17 Sem nada

Maria das Curvas já estava irreconhecível!

18 Sistema de Travões

O próximo a fazer seria retirar a roda dianteira e deixar as bainhas livres para a sua remoção

19 valvula repartidora

Maria das Curvas, partilha com a sua família o sistema Dual CBS, o que obriga a uns quantos cuidados na hora de desmontar.
Existem tubos flexíveis e rígidos, parafusos que podem estar calcinados e muito desconhecimento por parte de quem vos escreve.

20 Servofreio

Decidi então, para ganhar mais jogo, desmontar a válvula repartidora e a terceira bomba em primeiro lugar para depois retirar a pinça direita….

21 Pinça Direita

…. e depois a esquerda!

22 Pinza Dierita

Agora era importante apoiar a Maria para poder retirar a roda dianteira.
Como não tinha nenhum berço, inventei!
Encontrei entre a madeira que guardo umas tábuas donde fiz apoiar os colectores de escape para deixar a roda dianteira suspensa.

23 Roda

Roda fora!
Agora só tinha que desapertar as bainhas dos T’s de direcção…

24 Barra direita

25 Chassis

Para chegar aqui, como estamos a desmontar, foi relativamente fácil.
Desapertei o T superior e a porca e contra-porca (ambas de Garra) da coluna de direcção.
O T inferior caiu ao chão (literalmente)!

26 T inferior

Limpeza feita, verificamos o desgaste.
O T e as suas pistas não estavam danificados.
Mas as pistas dos rolamentos, principalmente o superior apresentavam este aspecto.

27 Cama da pista

Como podem ver, as esferas estavam a comer a pista do rolamento, provocando folga entre os elementos e as vibrações que eu verificava em recta.
Devo avisar que este tipo de situações já são consideradas perigosas para a nossa integridade física, dado que um rolamento deste Quando se desfaz impossibilita o giro da direcção.

As Artroses de Maria (intro)

Maria das Curvas, neste último inverno, começou a dar mostras de fadiga dinâmica.
Maria das Curvas em reta mostrava nervosismo na frente, custava-lhe entrar em curva e quando saia desta mostrava pouco aprumo!
Levei-a aqui para ver e estudar os sintomas.

1 Gargem

Sentamo-nos os dois, eu na cadeira e ela no seu descanso central, e falamos durante longos minutos para saber que lhe passava!

2 Consultorio

Depois de me explicar que não se sentia confiante e que havia coisas estranhas nela, comecei a ver donde poderia estar o problema.
Foi então que verifiquei a que a sua direcção tinha jogo, o que explicava as vibrações em reta e alguns chimmie’s em curva. Esse jogo era provocado pelo desgaste dos rolamentos de direcção o que fazia adivinhar que Maria das Curvas, próprio de uma utilização intensa e de muitos maus tratos, sofria de Artrose!
Estávamos em finais de Fevereiro, e a minha vida pessoal vivia momentos turvos e animicamente não estava para grandes festas. Ter a Maria parada não era conveniente, mas pela sua segurança e pela de quem nela monta, era imperioso meter mãos há obra e combater as suas Artroses.
Depois de uma conversa muito construtiva com o Mecânico Chefe da Honda de Zaragoza (Movicsa), decidi que iríamos tratar de vários pontos da Maria. Aproveitando que ia ter toda a frente desmontada e que iria tocar vários aspectos técnicos, faria não só a mudança dos rolamentos da direcção como também reveríamos toda a suspensão dianteira, para alem da revisão estética e eléctrica!
Para terminar esta pequena introdução, como já referi atrás, tudo isto passou num período da minha vida algo depressivo, onde estar a tratar da Maria foi como que um escape e nem sempre tinha paciência de fazer fotos para documentar apropriadamente este relato, pelo que em algumas fases terão que se fazer valer pelas minhas palavras sem se apoiarem nas fotos.

ON Of These Days

Um dia destes…
Deixo CMR, cabotagem, carga e descarga, fazer a própria comida há chuva, aos frio e ao calor; horários, bisemanal, séptimo disco e fins de semana na estrada.
Faltas de respeito, abusos de poder, falta de humanismo, falta de solidariedade e noção de que somos escoria da sociedade.
Um dia destes mando tudo pró CARALHO!

Aragão por Lone Rider- As Varandas do Ebro

Terça feira é um bom dia para andar de mota, quase que diria que o melhor, em igualdade com a Segunda, a quarta, a quinta, a sexta, sabado e domingo!E como não podia deixar de ser, não foi excepção.Foi um passeio curto, de descoberta e aventura, de una 70km mas o que vos vou mostrar vale bem a pena!

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Para começar o ideal era sair de casa.O dia tinha começado mal no trabalho, mas aproveitei que só tinha que ir trabalhar da parte da tarde para afogar as minhas magoas no monte!
Dulcinea voltava assim a estas lides depois de um encontro imediato com um javali em Março.
O destino?
Já vão ver!

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Durante o passeio não encontramos lama, mas deu para snifar muito pó!

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As parideiras abandonada são coisa comum, mas esta tem um tom urbano que a destingue!

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A zona que fomos visitar encontra-se na margem norte do vale do Ebro, perto de uma povoação chamada Remolinos, indecentemente famosa pelas suas salinas!Nesta imagem podemos ver o Rei Moncayo ao fundo, para alem das salinas.

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Aquele era o nosso obejctivo….
Em poucos km subiriamos de 220m de altitude a 675m, por caminhos de terra batida, com muito cascalho solto e subidas que punham há prova a capacidade de traccionar de Dulcinea.

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A surpresa ao chegar la a cima foi esta panoramica do Campo de Tauste com as Bardenas Reales lá ao longe!

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Aqui estão eles, os gigantes de vento há espera do seu Quijote, que chulam o Cierzo para produzir energia limpa de forma sustentavel!
Na ala sul, na crista do monte e junto a estes moinhos, podiamos avistar todo o vale do Ebro, presidido pelo Moncayo, enquanto que na ala norte os imponentes massiços pré-pirinaicos marcavam a paisagem!

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Baixamos o monte, deixando os gigantes de vento lá ao longe, procurando trilhos ao longo do caminho para nos divertirmos um bocado.Dulcinea não é uma endureira de raiz…. Aliás, de endureira não tem nada e facilmente mostra as suas limitações, seja nivel de ciclistica como motriz.Mas esta voltinha reverva um surpresa interesante!

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Encontrei um trilho fechado, que fazia uma especie de circuito por entre as vertentes do monte, com obstaculos de baixa dificuldade, ideais para mi e para a performance da Dulcinea!Mas o melhor foi isto!

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O trilho tinha umas panoramicas sobre Remolinos e o Ebro que obrigavam a fazer um intervalo na diversão para disfrutar das paisagens!

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Assim que, faziamos uma volta ao circuito, subindo os seus obstaculos com alguma ligeireza e rapidez, com saltos há mistura, para depois parar para descansar e contemplar a paisagem!

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Demos uma voltas e descemos há capela do Jesus de Remolinos onde fizemos a foto com a  postura “te voy a partir las piernas”!

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Dulcinea há porta da capela, cuja particularidade reside em estar encastrada no monte!

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E esta é a Igreja matriz de Remolinos que pudemos fotografar no preciso momento em que ela deixava ver a sua “aura de santidade”!

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O caminho de volta foi feito procurando uma trevessia fluvial que estava sinalizada mas que nunca cheguei a encontrar!Por outro lado, não pude tirar fotografias ao Rio Ebro porque, em contraste com o resto da paisagem semi desertica, as margens do seu leito estão congestionadas de tanta vegetação!
Quando cheguei a casa estava plenamente satisfeito, descobrimos as “Varandas do Ebro”, demos saltos, descubirmos novos caminhos e, o que é muito importante, não encontramos nenhum javali pelo caminho!