Aragão por Lone Rider- El Camino del Cid I

Rodrigo de Diaz Vivar, el Cid. Para os amigos Rui!
Conhecido na historia da Península como Cid Campeador, esta personagem controversa e heróica, chegou a ser bastante influente na península.
Guerreiro destemido, com uma vontade férrea de impor a sua autoridade, conquistou boa parte dos territorios de Aragão e do reino de Valência, retirando deles o sustento do seu aguerrido exercito.
Antes de assentar em Valência, cidade fortificada e conquistada aos mouros devido a uma manobra militar muito habilidosa, Cid Campeador (Rui para os amigos) fez um périplo pelas terras de Aragão, Castilla la Mancha e norte de Valência, que hoje são conhecidos com Caminos del Cid.
Esses caminhos percorridos deveram-se ao desterro que este teve por parte de um dos Afonsos de Castela, que mais tarde teve que pedir ajuda ao próprio Cid para que o ajudasse em Ateca numa batalha contra os mouros de Valência.
Os Caminos del Cid passam quase na sua totalidade por Aragão, desde Alhama de Aragon, passando por Calatayud, Daroca e Albarracin.
Desta vez vamos concentrar-nos em dois castelos importantes que Cid conquistou, e dominou durante muito tempo.

Durante o inverno, o sol é importante para ajudar a sair de casa. Abrir a persiana e avistar um dia luminoso ajuda a arrancar as pessoas da cama numa manhã fria!
Depois do protocolo matinal (levantar, fazer xixi, lavar a cara, etc, etc) tenho 2 minutos de mau humor que são insuportáveis, impelidos pela necessidade de café e um beijo de bom dia. Por isso, para os possíveis companheiros de viagem, se me verem a fazer tromba de beijo, meio encurvado para a frente e os braços mortos e pendurados, cumpram com o ritual e dêem-me um beijo. Caso contrario sou insuportável!
Montar na Dorothy para sair de casa numa manhã fria é outro suplicio…
As botas tem que estar perfeitamente polidas, em movimentos circulares feitos no sentido contrario do relógio (sempre assim e nunca ao contrario), os botões das calças tem que estar sempre postos na suas casilhas, os fechos subidos até cima, os velcros do casaco perfeitamente pegados; as luvas perfeitamente ajustadas, com os dedos em casa sitio correspondente, os velcros tensados a um puxão antes de partir; as mangas do casaco bem esticadas, com as molas apertadas e os fechos bem fechados; o capacete bem posto, posicionado 5mm acima das sobrancelhas, como o fecho micrométrico na septima posição, viseira limpa e sistema de comunicação coma abateria carregada e emparelhado com os 34 dispositivos que costumo levar onde quer que vá!
Só então é que me disponho a por a mota a aquecer!
Para tal, e antes de rodar a chave, verifico a pressão dos pneus, o nível de óleo e agua, o posicionamento das manetas, o desgaste das pastilhas de travão e meço com a dinamométrica o binário de aperto de cada para fuso exposto ao meu olhar. Quando, finalmente, rodo a chave, verifico que o check up é correctamente feito, que todos os sinais vitais estão funcionais e depois carrego no botão magico para trazer vida ao V4 de Dorothy!
Só aí é que me dou conta de que me esqueci em casa do comando que abre o portão da garagem….
Tive que voltar a casa para buscar o comando.
Por azar as chaves de casa já estavam dentro do casaco, pelo que tive que tive que tirar as luvas e abrir o casaco, sinal que teria que voltar a repetir todo o protocolo descrito anteriormente…

Despois desta pequena epopeia matinal, saímos há rua para saborear o gélido dia que nos presentava.
Com o sol de companhia, ainda meio adormecido, vigiava a estrada para detectar possíveis placas de gelo, pois o mentiroso da farmácia tinha indicado -1ºC, mas o único que se via eram grãos de sal por todo o lado.
Hoje iamos ver, ou melhor, seguir o rasto a um homem que viveu há quase mil anos e que os amigos tratavam por Rui, apesar de ser historicamente conhecido por Cid Campeador!
Calatayud era o primeiro destino, donde este hábil guerreiro desterrou os mouros em menos de nada, convertendo a cidade ao cristianismo.
Entre Zaragoza e Calatayud existem três altos de montanha, La Perdiz, Morata e El Frasno, este ultimo com quase mil metros de altura e de donde já se pode ver a cidade de destino. Em Almunia de Doña Godina tinhamos 8ºC mas quando chegamos a Calatayud tinhamos dois grais negativos. Tudo isto em pouco mais de 30km, pelo que a vontade de querer voltar para trás era muita!
1 Nariz Frio
– Não sei porque mas tenho a ponta do nariz gelada!- e de seguida- Cruzamos-nos com motos pelo caminho, porque que é que fazem sinais uns aos outros!?
-É uma forma de nos cumprimentarmos, de desejar boa viagem…. Deverias fazê-lo também! É uma das tarefas dos penduras!
2 Dedos Frios
-Então começo já a praticar!
Depois de nos recompormos do choque térmico, entramos em Calatayud para procurar os vestígios do Rui! Não é que eu tenha sido amigo intimo de Cid Campeador, mas não sei porque, o nome parece-me familiar!
3 Arco de San Miguel!
O Arco de San Miguel é uma das portas da cidade antiga, mas não era por ali o caminho que queríamos. Voltamos para tras e procuramos a sinalização correspondente ao que víamos lá no cimo do monte.
A cidade é composta por muitas ruelas estreitas, com casas dispostas sem um padrão comum, o que dificultava muito descobrir o caminho correcto.
Mas quem tem boca vai a Roma e quando nos disseram por donde era custou-nos a acreditar!
-Siga sempre em frente! Vai parecer que são ruelas por donde não passa mas é por aí! Sempre em frente!
E assim foi!
A rua não tem degraus, é certo, mas por vezes não chega a ter mais de 1,5m de largura, com curvas de 180º e inclinações muito para alem dos 10%.
Mas a recompensa chegou!
4 Castillo
Esta fortaleza, construída no século X pelos mouros foi das primeiras em caírem mãos do Cid Campeador, na sua cruzada pessoal contra os Sarracenos.
5 Torre
Uma característica que diferencia as suas fortalezas são as torres hexagonais!
6 Torre 2
São ruínas, é verdade, mas no seu tempo dominavam todo o vale!
7 meã
Atravez das meãs, que os arqueiros usavam muito frequentemente, podíamos deslumbrar duas das muitas torres de estilo Mudejar, espalhadas por todo Aragão!
8 Muralhas
A proteger a povoação e o vale, havia uma segunda linha de defesa, que hoje partilha as suas muralhas com as construções contemporâneas!
E agora!?
Para baixar era preciso fazer o mesmo caminho!
E o problema é que todos os santos ajudam!
9 Ruelas
Calatayud tem este aspecto, ruelas estreitas, casas amontoadas em cima de igrejas com as suas torres Mudejar majestosas!
Vale pena visitar e caminhar por entre esta disposição anárquica, mas noutro dia que o frio é de rachar e a minha pendura já me pediu um café bem quente!
10 Praça do Municipio
Este é o largo da Camara Municipal!
11 Vendedora
Aqui se fazia o mercado donde se podia encontrar os produtos que o vale dava aos agricultores!
Tomate, pêra, maçã, alfarrobas, melão e melancia, que depois eram vendidos nesta praça.
12 Varandas
Sim! Estão a ver bem!
Ali deve ter havido algum erro de engenharia que determinou uma ligeira “tendência de esquerda” de todo o edifício!
Café quentinho tomado, era hora de zarpar.
E a boa hora, pois o sol já aquecia os corpos que propositadamente procuravam o astro!
o proximo destino era outra cidade fortificada, que fica para lá do vale do rio Jiloca, que iriamos acompanhar até subir uma das vertentes do monte Paniza!
É uma nacional larga, de bom piso, com rápidas das que dá para acelerar e soltar os cavalos há Dorothy. Contudo hoje era para aproveitar o sol e, a mais velocidade mais sensação termica, decidi reduzir a velocidade para aproveitar o pouco calor que o astro rei nos oferecia!
13 Fixe
Este sinal confirma que a minha opção foi a correcta!
14 Povoção
Estes são algumas das pequenas povoações que podemos encontrar pelo caminho, quase todas elas com uma Igreja de estilo Mudejar!
15 Daroca
Daroca! Cidade Fortificada.
Esta é a porta Norte de um recinto que foi amuralhado e que ainda hoje conserva as torres da muralha.
16 Calle Mayor
Calle Mayor eixo principal da cidade.
17 Esttilo mudejar
Em algumas casas podemos encontrar detalhes interessantes.
18 Porta Sul
Eis a porta sul!
Por donde Cid Campeador saiu em conquista dos campos de Calamocha!
19 Catedral
Igreja Matriz, consagrada a San Lorenzo, de estilo Gótico.
Por detrás existe um caminho que leva até às muralhas, por donde se pode aceder há torres da mesma e aos recantos de uma cidade que merece um passeio a pé, com calma e descontracção!
20 Torre
Aqui temos um exemplo, em perfeito estado de conservação, mas que requer paciência, pois o seu acesso não é fácil, para alem de que só se pode aceder a pé!
Contudo, para aqueles que pretendem visitar, aconselho a que parem e aproveitem uma manhã de sol como esta para visitar esta cidade histórica.
21 Saida pela porta
Voltamos a sair pela porta norte para rumar em direcção ao mitico Alto de Paniza, fazer aquelas curvas deliciosas e voltar há cidade de Zaragoza.
Apesar do frio o saldo foi bastante positivo!
Calatayud e Daroca são duas cidades com muita historia em comum, donde as suas paredes denunciam a sua importância ao longo dos tempos, ricas em património e que não dispensam uma boa caminhada pelas suas ruelas, para visitar monumentos e edifícios históricos.
É de recordar que há mil anos atrás, um dos maiores guerreiros de toda a historia da península, fez destas cidades o seu quartel general, trazendo as suas povoações a fé cristã e ajudando assim a roubar domínio aos infiéis!
Sobre o caminho de Cid Campeador mais episódios virão, mas aconselho a que procure na Wikipedia informação sobre este personagem, tão valente como controverso!

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