O Caminho se faz ao andar…. ….em Moto! (Introdução)

O Caminho faz-se ao andar….. ….de Moto!

O que é?

O Caminho é uma peregrinação religiosa ao túmulo do Apostolo Tiago, supostamente sepultado pelos seus discípulos no lugar onde hoje existe a Cidade de Santiago de Compostela.
Tudo se remonta, de forma mal contada, aos anos imediatos à crucificação de Jesus Cristo, em que os Apóstolos se dispersaram pelo Velho Continente para levar o Evangelho aos seus habitantes. O Apostolo Tiago dirigiu-se há Península Ibérica onde “semeou “ a fé em vários discípulos das varias tribos que visitou.
No caminho de volta a Jerusalém, a Virgem Maria apareceu-lhe desde o alto de um Pilar de fogo pedindo-lhe que erguesse ali um templo consagrado a ela. Acabava de ser fundada, segundo a Igreja Católica, a Cidade de Zaragoza.
Ao encontrar-se em Jerusalém, Tiago foi preso e posteriormente decapitado pelos Romanos, mas o seu corpo foi lançado por crentes ao mar numa jangada de pedra, que derivou no mar por tempo indeterminado até encalhar nas costas galegas…. Ao reconhecerem o seu “professor”, os discípulos enterraram o corpo do Apostolo numa das colinas que serviam de pasto dos rebanhos.
Foi então que um dia, pastoreando por ali com o seu rebanho, um pastor vê mergulhar na colina uma estrela, indicando-lhe o caminho ao sepulcro do Apostolo. Correu a voz entre os habitantes da Península que o sepulcro de Campus Estelae curava todo tipo de males.
Quando Carlos Magno ouviu falar do Sepulcro do Apostolo quis fazer a peregrinação para ver com os seus olhos o poder que dele emanava.
Foi na Idade Media que o Caminho viveu a sua “época de ouro”, sendo custodiado pelos Cavaleiros da Ordem do Templo, onde vários milagres aconteceram e por donde passaram grandes personalidades da época.
Com o Renacentismo, o Romanticismo, as guerras de sucessão, Guerra da Independência e Guerra Civil (já em pleno sec XX) o caminho perdeu parte da sua identidade, muitas historias foram esquecidas e o seu trajecto quase apagado do mapa.
O Papa João Paulo II, conhecido por Papa Peregrino ajudou a avivar o espírito do peregrino e em consequência as antigas rotas de peregrinação. Mas foi a literatura contemporania que deram a conhecer o Caminho ao grande publico, destacando-se o Diario de Um Mago, livro escrito por Paulo Coelho nos meados da década de 90, como grande impulsionador do Caminho actual.
O Caminho tem varias rotas mais ou menos demarcadas. A norte o Caminho do Norte, que vai de Bayone até Santiago de Compostela acompanhando grande parte da Cordilheira Cantabrica, ao sul o Caminho de la Plata que sai da cidade de Sevilha até Astorga onde se junta ao Caminho Francês. O Caminho que liga o Santuário de Fátima a Santiago de Compostela. O Caminho de Jaca, que se junta ao Caminho Frances em Puente la Reina. E finalmente, o Caminho Frances, o mais conhecido e mais concorrido de todos, que transcorre desde a vila medieval de Saint-Jean-Pied-de-Port até há capital Jacobea e que seria esse o eleito para esta aventura.
Quando e porquê surgiu a ideia?
Sou um amante da Idade Média, uma época pouco justa, em que as lendas falam de heróis e reinos mais ou menos poderosos, as batalhas, a formação da Europa quase com a conhecemos hoje, os castelos, a Igreja em seu máximo esplendor (ou não), etc!
Dentro desta idade, a forma como surge e depois desaparece a Ordem do Templo fascina-me, leva-me a informar-me de quase tudo o que com eles esta relacionado. Como não podia deixar de ser, a leitura do Diario de um Mago, o facto de o Santo Graal estar vinculado com o caminho e de saber que os cavaleiros da Ordem do Templo custodiaram o Caminho fez ganhar força a ideia de fazer o Caminho montado da minha mota, oferecendo ajuda e auxilio a quem eu encontrasse pelo caminho. Seria uma espécie de Cavaleiro do Templo da modernidade, que circulava pelo caminho, em absoluto respeito pelos peregrinos, tratando sempre de garantir o seu bem estar.

Que regras devia seguir?

A moto devia ser ligeira, leve e maneável e por então a Dulcineia era uma verdadeira “peso pluma” em relação há Maria das Curvas. Para alem disso, o facto de ser uma Trail permitia-me ser fiel ao Caminho, que em ocasiões é plano, largo e asfaltado, e em outras inclinado, estreito cheio de todo tipo de obstáculos para transpor.
A melhor época seria o Inverno, porque não seria tão concorrido de peregrinos, diminuindo o risco de um possível atropelo e aumentando a dificuldade dos obstáculos, juntando a este condições adversas como a neve, lama ou a chuva.
ABSOLUTO RESPEITO pelos Peregrinos, que é para eles que está o Caminho. Eu era um simples aventureiro que vivia uma aventura saída da minha mente doentia. Ao avistar um Peregrino eu abrandava, passava por eles em andamento lento, evitava salpicar com lama ou levantar pó e desejava sempre “Buen Camino” ou “Bom Caminho”!
Como verão mais há frente o projecto só se concretizou por completo com a Artax, uma vez que a primeira tentativa com a Dulcineia correu mal.

Que preparativo se deve ter?

Agora, depois de o ter feito diria.
Melhor condição física…..
Mas no momentos prévios tive mais cuidados com a Artax, montando-lhe alguns acessórios e tratando de imitar as possíveis circunstancias que podia encontrar durante a viagem, fazendo sucessivas saídas ao monte para me habituar a ela!
Como vem com pneus mistos de origem a ideia era mudar os pneus para uns pneus de tacos a serio, com câmaras reforçadas e tudo… Mas o tempo livre para fazer as compras e a montagem foi nulo. E ainda bem! Porque terminei por perceber que foi a melhor opção ir com os pneus de origem.
Comprei umas botas de enduro para ir minimamente protegido e não utilizar as minhas botas de turismo, mas estas deixavam entrar agua, assim que acabei por levar as minhas botas de neve que, diga-se de passagem, me fizeram um jeitão!

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