Aragão por Lone Rider- O Rey Moncayo

Zaragoza esta localizada na margem sul do Rio Ebro, a 350km da sua entrada lenta no Mediterraneo.
A sua localização, no fundo de um vale largo entre as cordilheiras dos Pirenéus e do Sistema Ibérico, com uma das maiores barragens Hidroelétricas da Península a poucos km e um deserto nas periferias, propicia a formação de nevoeiros. A ausência de chuvas no inverno e o facto de que aparentemente o Cierzo esta de ferias, torna estes nevoeiros eternos, chegando a durar as 24h do dia, dias a fio, durante semanas!
Não sei bem qual o melhor, se o vento (o Cierzo) que rapa a neve do Cantábrico e dos Pirenéus para afunilar no vale do Ebro e deixar toda a gente tesa de tanto frio, se o nevoeiro, que nos rouba a luz do sol, envolvendo-nos num cinzento deprimente e congelando, não só as carnes e os ossos, mas também a alma dos que gostam de uma boa manhã de sol. Não será de estranhar que no futuro me oiçam dizer que não sei bem o que é pior, pois entre o Cierzo e o nevoeiro, venha o diabo e escolha!
Estamos a 3 dias do final deste 2016, um ano felizmente cheio de coisas boas, e para terminar, depois de quase 2 semanas a andar enlatado no Rupert, Dorothy fez-me o desafio. Queria conhecer o rei do Sistema Ibérico, o Rey Moncayo, monte que se ergue 2300m acima do nível medio do mar e que é o maior de todo o Sistema.
Mas, e o nevoeiro?
Qual nevoeiro?

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Vocês veem aqui algum nevoeiro?
Só estavam 3 graus negativos, e um orvalho que cristalizava tudo, portanto, as melhores condições para ficar em casa no quentinho!
Mas aqui nós gostamos de contrariar e desta vez o nevoeiro foi a vitima.
E claro!
O nevoeiro saiu derrotado.
Depois de Borja, este foi obrigado a dissipar-se porque o Sol é um gajo porreiro e estava numa de aquecer o esqueleto aqueles que o procuravam.

Ao fundo o Moncayo, com o seu manto de gala, contempla o Castelo de Trazmoz, onde segundo a lenda, foram queimadas bruxas a mando da Inquisição em Aragão. Desde então os inúmeros fenómenos paranormais foram registados.

Diz a lenda que na noite mais quente de verão Trazmoz é visitada pelos espíritos das bruxas e que o castelo toma então as formas de então, para as receber e permitir que elas bailem à volta do caldeirão onde fazem as suas poções magicas, que depois regam os bosques e as terras altas do Moncayo para que o Inverno seja frio e cheio de neve….

E a julgar pela capa espessa e brilhante no cume do Moncayo, parece que as Bruxas tiveram êxito na sua poção magica!
Para subir ao Moncayo, as estradas perdem largura, tornam-se lentas e rodeadas de bosques onde não é difícil de avistar os elegantes veados, as matreiras das raposas e os ranhosos dos javalis. Por ultimo as estradas chegam mesmo a perder o asfalto.
São vários km, que podem ser delicados de fazer com motos de estrada como a Dorothy se o piso da pista de terra batida estiver molhado ou gelado.
Por sorte, desta vez, o astro rei ajudou-nos e a subida fez-se sem grandes dificuldades.

Uma vez lá em cima, mais o menos a 1800m de altitude, quando o caminho acaba, encontramos a Ermita da Virgem do Moncayo, para alem do Albergue e do Restaurante.
Acima de nos, uma parede de pedra que se eleva e onde assentam as primeiras neves do “manto real”.
Coroar o Moncayo só é possível no Verão, apanhando um caminho que muitos caracterizam de traiçoeiro, mas que nos leva a mais de 2300m de altitude.

Aqui de pode ver boa parte do Campo de Borja, ao fundo os picos nevados dos Pirenéus e no meio o denso e frio manto de Nevoeiro, o vale da Ribeira do Ebro.
No Verão este promontório permite ver quase todo o Vale do Ebro, onde se pode identificar quase todas as localidades e ver boa parte da cidade e zona metropolitana de Zaragoza, que se encontra a 80km de distancia.
Como não tem saída, voltar para trás é a única alternativa, mas em contrapartida oferece-nos vistas impressionantes.

Aqui, em tom de despedida, Dorothy trata de fazer imortal o manto do Rey Moncayo, para alem de que mostra que pode fazer alguma incursão num caminho de terra, sempre que este seja seco e pouco irregular.
Mas o que se segue é precisamente o que ela gosta, estradas de bom piso e com uma configuração rápida. A estrada que liga o Moncayo a Vozmediano e depois a Agreda é um excelente exemplo disso!
A intenção é dar a volta pelo norte, fazendo uma pequena incursão por Castilla y Leon (provincia de Soria), para depois visitar a povoação mais alta do Moncayo.

Esta é outra perspectiva do Rey.
Embora pareça menos imponente, o Moncayo continua a ser um ponto de referencia para muitas coisas e, uma parede importante para que o Cierzo não deixe completamente gelados os campos de cultivo da Meseta de Castilla.

Beraton é a povoação mais alto do Moncayo. É uma povoação eminentemente agrícola, onde existem vários estábulos onde se alberga animais de pastoreio durante o inverno.
Mas Beraton é um ponto de partida para o que se segue.
Uma descida que nos oferece paisagens impressionantes. Descer o vale convida a ouvir os ruídos da natureza, espero que gostem.

Este vídeo oferece boa parte das paisagens disponíveis nesta descida, mas para ser o mais fiel possível ao que os nossos olhos podem captar, só mesmo as fotografias.

Recomenda-se vivamente a viver em primeira pessoa esta descida!
Purujosa marca o fim da descida, ou pelo menos da parte mais interessante.
A estrada continua até Illueca, mas desviamos para Oseja, por uma estrada em muito mau estado, para apanhar a direcção de Aranda.

O objectivo era apanhara ultra rápida N234 que liga Soria a Calatayud, para a fazer a “velocidades de telejornal”. Mais uma vez Dorothy mostra porque não tem medo das RR.
O dia terminou com uma estrada lenta, que travessa o Sistema Iberico de mao dada com o Rio Jalon.
Porque estava numa de curtir a estrada e as paisagens, não parei para fazer fotos, mas gravei tudo. Apesar de ser um vídeo longo, dá para perceber o sinuoso do traçado e as paisagens envolventes.

Uma vez na Autovia de Madrid era tempo de rumar a casa, adentrando-nos no nevoeiro a medida que nos aproximavamos da cidade de Zaragoza e do rio Ebro.
Chegamos a casa gelados e com uma capa de sal em cima da pintura e da roupa de protecção, mas com a alma cheia de sol e calor!

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