RIM 17 – O Vale do Douro

O Vale do Douro

O dia levantou-se cheio de sol e um forte odor a torradas queimadas.
Esperavam-nos um dia cheio de curvas, mais de 300km por estradas que poucos deviam conhecer. Todo o dia transcorreria sobre dois eixos , a N222 e o rio Douro. Uma proporcionava as curvas e o outro as paisagens e o motivo pelo qual 12 motos se juntaram na Galp da rotunda do Freixo.

O ambiente era de reencontro, pessoal que não se via à algum tempo, aproveitava para contar as novidades e por as noticias em dia.

As motos ocupavam boa parte do posto de abastecimento, e o pessoal trocava impressões sobre o que seria esta RIM.
Este ano a RIM repetia todos os participantes do ano passado e juntava 5 participantes mais a lista dos ilustres RIMistas. Ao Carlos, Marco, Diogo, Michel e à minha pessoa, juntava-se a cara metade do Michel, a Eli, o Tiago, o Nuno, o Feiteira e o Luís!
À comitiva, juntavam-se também o Carlos (Kok), o Miguel (Inc_pt) e o Marazzi (que entretanto esqueci o nome), fazendo assim um grupo já numeroso para o que se propunha.
Saídos da Galp do Freixo, a N108 proporcionava curvas e bom piso para que o grupo se pudesse esticar ao longo da margem norte do rio Douro. Eu tinha intenção de fazer o grupo despachar-se, saímos atrasados e a estrada ajudava a que Dorothy deixasse no asfalto o seu binário a cada curva.
Depois de uma paragem numa rotunda o Michel, no meio de um sorriso disse:
– Se continuamos a este ritmo o grupo não aguenta!
Embora tivesse a sua razão, sabia que isso dificilmente aconteceria, dado que as estradas “más”, de calçada e estreias nos iriam fazer abrandar o passo.

E assim foi, depois de Lever, embora que uma estrada larga, mas com um piso em calçada granítica, contribuiu para que o grupo rodasse mais coeso.

Parar para reagrupar depois de dois ou três km de curvas era normal, uma vez que existiam membros do grupo que tinham uma toada mais calma, assim como sentiam ainda algumas dificuldades para seguir o ritmo.
Castelo de Paiva marcou a primeira paragem do grupo para refrescar a garganta, pois o sol já fazia das suas.

Este era o ambiente vivido pelo grupo enquanto eu contava as cabeças para poder reservar uma mesa num no Veladouro no Pinhão.
A coisa não correu bem, pois o proprietário só nos garantia a mesa até às 13h30m e isso fazia pensar que talvez necessitássemos de fazer ajustes ao plano inicial.

Foi então que o pessoal ouviu pela primeira vez uma frase de ordem repetida varias vezes ao longo desta RIM.
“Vamos lá embora pessoal!”

Era consciente das centenas de curvas que nos separavam do Pinhão e começava a por em causa a visita ao Miradouro da Galafura para encurtar distâncias.

Ao longo do trajecto o Douro jogava às escondidas connosco, aparecendo aqui e ali, quase sempre adornando paisagens idílicas.

Enquanto isso o grupo disfrutava do excelente traçado e asfalto da N222, a melhor estrada para andar de mota de todo o Mundo.

Mais uma curva, das tantas que já tínhamos feito…..

Mas nem tudo foi fácil.

A estrada que vemos na esquerda estava cortada por obras, obrigando-me a buscar uma alternativa.
Com o GPS completamente baralhado, tive que recorrer ao meu instinto de navegação para orientar o grupo na direcção correcta. Outra perda de tempo que nos impedia definitivamente de ir ver as maravilhosas paisagens da Galafura.

Enquanto ia definindo o caminho a percorrer, o pessoal parecia continuar a curtir o dia como mostra a boa disposição do Carlos.

Mais uma paragem para reagrupamento.
Local onde comuniquei que já não íamos à Galafura e que o objectivo era estar antes da 13h30m no Pinhão para almoçar.

No entanto, o Douro nunca nos deixava de surpreender, espreitando por entre os socalcos vinhateiros.

(post2)

Já sem abandonar a N222, dedicamo-nos a fazer as curvas, aproveitando para tirar partido das excelentes condições climatéricas para gozar do “verde primavera” e deixar borracha no asfalto!

Borracha que ameaçava em acabar-se que o asfalto continuasse a aquecer.

Mais uma paragem, depois de mais uns km onde os de sempre aproveitavam para curtir as curvas.
Era bom voltar a ver o Diogo a sorrir, a boa disposição do Marco e o Nuno com aquele ar descontraído por detrás do seu Nexx.
Normalmente olhava para trás e perguntava:

-Quem é que falta!?

Mais umas curvas, mais uma oportunidade para curtir a estrada.
A dado momento, dando liverdade ao Nuno, pedi-he a ele que fossem em frente, em direcção ao Pinhão, que buscasse o restaurante Veladouro e que avisasse que a nossa chegada estava para breve.
E la vai ele, reta adiante até ao cruzamento, onde se detem, volta para trás e diz:
– É pá o Pinhão é para trás!!
– Não é nada diz o Michel, no cruzamento onde deste a volta, segues pela esquerda e é sempre em frente!
Foi então que percebi que o Nuno tem a bussola estragada!
Mas seguiu o caminho e foi tentar cumprir a sua tarefa encomendada.

E a N222 transformou-se numa enorme reta que corria paralela ao Douro.

O aglomerado de casa que se vê ao fundo era a bonita vila do Pinhão, íamos mesmo no limite do tempo, eu esperava que o Nuno tivesse encontrado o restaurante e já nos esperasse de loira na mão!
Mas à entrada encontramos o Nuno a dizer que ninguém conhecia o restaurante.
Ao dizer o nome do mesmo ao senhor que trabalhava no posto de abastecimento, o senhor soube logo informar a localização do restaurante!
Esta visto, se te queres perder, o Nuno é a melhor companhia!

Sombras preciosas!

O pessoal a preparar-se para o chop chop!

Como a própria Eli disse eu era o “Cap de Tabla”.
A única presença feminina do grupo, autora de muitas das imagens que podemos apreciar nesta cronica.

O sorriso matreiro do “Vadio” enquanto eu explicava ao Nuno como se orientar quando já se estar perdido:
-Estas a ver uma estrada!?
-Sim!- dizia o Nuno atento.
-Pois não tem nada a ver!

Para aqueles que não sabem a verdade, só vos tenho a dizer que a minha cicatriz não tem nada a ver com as motos, mas que a pala disso ainda existe por aí alguém que jura a pés juntos que a minha orelha direita não é minha, mas sim um implante!
A T-Shirt do Inferno é oficial!
O almoço foi um misto de polvo e nacos de carne na brasa, com a saladinha do costume e uma algazarra animada que não cessou em nenhum momento!

Depois do café o grupo reuniu-se para que o Carlos fizeste esta foto. Muito Bom!

Esta foi a Foto de despedida do Pinhão, e pouco depois, nas bombas, aproveitamos e despedimo-nos dos três morcões que nos fizeram companhia, o Kok, o Marazzi e o Inc_pt.
Muito obrigado pela excelente companhia, espero que se tenham divertido e se precisarem de alguma coisa….
COMPREM!

Ainda nas bombas, a Ventoinha do Marco deve ter visto que o liquido locomotor era de má qualidade, porque vomitou duas vezes. Lá se foram as medias para o galheiro!

Depois do almoço veio a sobremesa sob a forma de um carrocel de curvas que subiam o monte, deixando para tras o rio e metendo-nos em cheio no meio dos vinhedos onde se madura a fruta que dá origem a um dos vinhos mais famosos do Mundo.

Mais uma excelente e oportuna foto da Eli, que por arte e magia conseguiu captar o grupo todo a negociar uma chicane rápida.

(Post 3)

Esta foto foi premeditada e foi alvo de motivo de galhofa, com calçada à mistura, ventoinhas avariadas e o descobrimento de que o Nuno não gostava de castelos, ermidas e demais construções seculares. Entendo agora porque não quis participara na primeira RIM.
Mas aqui, no Miradouro de Santa Marinha, a perspectiva sobre o Douro vinhateiro é muito boa para explicar como se processa a produção do vinho do porto.
Dizer que as plantas têm um clima privilegiado, frio no inverno e luminoso no verão, com agua abundante, mas terreno escorrido, uma vez que estas estão plantadas nas encostas das margens do Douro, que são trabalhadas para formar os famosos socalcos e permitir assim rentabilizar o espaço existente.
Aqui, nestas encostas, se produz o fruto, que depois da vindima é triturado nos lagares e embarcado nos barcos Rebelo para que este seja acondicionado nas caves onde se processa a maduração do vinho.
No sec XVIII e XVIV os ingleses souberam bem aproveitar o sabor adocicado e aveludado do vinho para ganhar muito dinheiro tornando mundialmente famoso este vinho.

A fácil acessibilidade através do Douro, um dos protagonistas de hoje, o facto de que este vinho podia ser bebido por todos e de os ingleses dominarem já o comercio mundial, ajudou a que a paisagem se transformasse e a que em termo económicos o Douro ajudasse a fixar a população no interior montanhoso do pais.

Esta foto serve para duas coisas.
Terminar com a seca que vos estou a escrever e tentar dar a entender ao Carlos que a Blu ficou muito mal nesta fotografia.

Aqui começa o momento alto da tarde!
O que se seguia, vai ser escrito pela primeira vez nos pergaminhos da historia do motociclismo porque, perdoem-me a falta de modéstia, não creio possível que estas estrdas tivessem sido percorridas por pessoal de mota, de forma intencionada e premeditada como o foi com o Grupo que formou a comitiva Rim deste ano.

A estrada vem no mapa, mas convem ampliar muito para que se veja!
Estreita, suja e de aspecto descuidado, começou por uma descida suave em direcção ao Douro.

Mas quando os cotevelos começaram a aparecer e a exigência de pilotagem começou a levar-se, o grupo tratou de rodar coeso e disfrutar das curvas e paisagens tudo o que pode!

E lá estava ele, o Douro, omnipresente, testemunhando a alegria que nos dava estar ali.
A certa altura….

-Como é que é Nuno? Estas a gostar!?
-É pá, isto é uma estrada jeitosa! Onde é que vais desencantar isto?

Estavamos a descer sem dó em direcção ao Douro, e a inclinação chegoua ser tão grande que esta imagem não faz justiça ao que se viveu!

E como se pode ver, a estrada continuou assim por um bom punhado de km, até ao Douro estar tão perto que não nos restava outra coisa que não fosse subir!

Paragem para verificar que o pessoal continuava a curtir!

A estrada subiu até transformar o Douro num fio de agua, mas este sabe bem do magnetismo que exerce sobre quem os visita, e o grupo não pode evitar de fazer os mais de 20km de curvas encadeadas umas nas outras até ao paredão da barragem da Valeira onde o atravessaríamos para voltar a subir, abandonando-o momentaneamente!

Quem é que falta?
O Feiteira levava muito a serio aquilo de contemplar as paisagens e condenava ao mais profundo aborrecimento a Cross Runner que conduzia. Eu acho que ela até se tornou mais opaca de tanto aborrecimento.

Mas sabia que havia pessoal sedento por uma loira ou por um “refrigério”, assim a passagem por São João da Pesqueira foi a desculpa perfeita para parar os animais e tratar dos Jinetes!

Quando chegou o momento de voltar à estrada, a sempre disponível N222, mostrou-nos uma fase transitória, onde os vinhedos davam lugar a uma paisagem mais rochosa e arida.

post4

Olhei para a estreita estrada, os sinais indicavam uma ermida e lá ao longe a edificação deixava-se ver.

-Vamos!?
-Rui, tu é que sabes!- disse o Diogo com sorriso matreiro….

E foi então que a Dorothy abriu caminho, orientando o pessoal para a aventura!
Era um promontório que deixava ver paisagens sombrias pelo entardecer, com tudo o que o Carlos adorava para lá chegar. Sim, porque todos sabemos que o Carlos não sai de casa na Blu se a intenção não é fazer uns quantos km de calçada e outros tantos de todo terreno!

Entre bocas foleiras e piadas improvisadas, o local serviu para fazer umas das imagens desta RIM.
Este primeiro dia estava a ser muito bom para que as amizades se fortalecessem, permitindo aos que se estreavam nestas andanças se integrassem sem dificuldades!

E assim foi!
Numa demonstração de equilíbrio dinâmico, a camara do Marco imortalizou o grupo!
Da esquerda para a direita, Carlos (F800ST), Nuno (CB900F), Diogo (Z750), Rui (VFR1200F), Marco (F800R), Tiago (F800R), Luis (VFR800X), Eli e Michel (Versys 1000), Miguel (VFR800X).

Lentamente a tarde ia-nos avisando de que o sol já padecia de sonolência, mas as estradas totalmente curvilíneas teimavam em rasgar sorrisos por detrás do capacete!

As paisagens já tinham abandonado os vinhedos como manto. Agora as rochas e as arvores de fruto eram a predominância.

Essas, as Curvas, nunca nos abandonaram!

Assim como o Douro, que de vez em quando nos recordava da sua presença.

Já tínhamos abandonado a N222 e perdemo-nos por umas estradas secundarias, de bom piso, que nos levariam por entre os montes até Barca de Alva.

No entanto, havia sempre espaço para momentos de brincadeira, com o pessoal a saudar a camara sempre que esta se dispunha a fotografar!

Barca de Alva, com o sol a esconder-se por de Trás-Os-Montes.
Faltavam-nos 25km para Salto de Saucelle, onde iriamos pernoitar. Vinte e cinco km’s de pura diversão com o Douro de fundo.

Assim estávamos de contente os primeiros em chegar, que diga-se de passagem, pouco tempo estiveram sós.

Estávamos cansados mas muito animados, tinha sido um dia repleto de curvas, paisagens e momentos de confraternização.
O Luis, um tipo com bem mais de cinco seculos vividos e uma bagagem de vida enorme, começava a sorrir, a entender a dinâmica da coisa.
Foi uma grata surpresa a sua companhia na RIM!

Terminamos todos nesta mesa, entre Bacalhau e Espargos Trigueiros, com o Benfica de fundo e, como não podia de ser, o Carajillo com “cheiro” a Bushmills do Luis para alegrar o pessoal.
Por mim, todos os dias podiam ser como este!

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