RIM17 – O Douro Internacional

Eram pouco mais das 6 da manhã quando os primeiros raios de luz iluminaram o quarto e despertando aqui o menino.
As voltas na cama foram acompanhadas com a revisão dos planos que tinha para hoje.
“Dar milho aos pitos, um par de sarralhas às coelhas….
Espera aí!
Onde é que eu estou?”
Levantei-me e espreitei pela janela e o primeiro que vi foi a Dorothy.
Prontos, já sabia onde estava.
Então o melhor é ir ver se esta tudo bem com o GPS e foi então que o gajo me mandou à volta. Por duas vezes seguidas me disse que não era possível calcular uma rota!
Enrosquei-me outra vez nas mantas e pouco a pouco fui-lhe dizendo por donde é que nos tinha que levar durante aquele dia!

Não fui o único a levantar-se cedo, o Diogo e o Luis aproveitaram-se logo do meu compressor para ver a pressão de ar dos pneus!

A segunda preocupação do dia foi ver se estava tudo no seu sitio!
Estavam todas e isso foi um descanso!
No restaurante do complexo Aldeaduero já nos tinham preparado uma mesa de pequeno almoço, que pouco a pouco ia congregando os RIMistas, uns mais ensonados que outros!

Durante o pequeno almoço, o Marco pôs o seu mapa em cima da mesa.

Se calhar o que se pretendia era que eu não tratasse do meu estomago. Mas a verdade é que ver um mapa à minha frente é sempre um aliciante.
Era tempo de lançar as bases da RIM do ano de 2018 e então concordamos que iriamos a um sitio qualquer, mais ou menos, dentro da península quando se estimasse oportuno!

A proposta foi ouvida com atenção e interesse, suscitando a participação de todos, principalmente a do Nuno que declarou algo do género:
-Com que não me levem a ver Castelos, por mim tudo bem!

Contas feitas, motos preparadas era tempo de subir o monte e procurar outro bem de primeira necessidade (gasolina).

Não antes de parar para ver o que a paisagem nos tinha para oferecer!

Por ali, por entre os montes, passa o anfitrião do dia de ontem e de hoje.

E foi aqui que atestamos os animais.
A certa altura, vejo o Carlos apressado a empurrar a mota:
-O que é que se passa!?- perguntou o Anjinho LoneRider apoiando-se no meu ombro direito- A Mota do Carlos não arranca?
-Eh! Eh! Eh!- sorriu com malicia o diabinho LoneRider- Consegue ser mais rápido a empurrar a mota que a conduzi-la!
-Depressa!!! Agua!!!- dizia o Carlos- Caiu-me gasolina na correia!!!
-Chega-lhe o fogo! – disse o diabinho LoneRider….
Acabamos todos a ajudar o Carlos e a Blu, com uma maquina de pressão a jogar agua em abundancia na correia de transmissão da Ventoinha!

Saindo de Lumbrales, já com as motas devidamente atestadas, as retas convidavam a uma condução relaxada para aproveitar o ar fresco da manhã!
Mas foi sol de pouca dura e a depressão até ao Douro obrigou a estrada a traçar vários km de descida técnica até à reentrada em Portugal.

Estávamos de volta a Barca D’Alva, cruzando o Douro, para voltar a subir os montes em procura de paisagens.

Primeiro fomos paralelos ao rio, à procura de uma estrada dessas sem jeito nenhum, que só de olhar para elas dá medo…
Como, quando a estrada tinha muitas curvas, tínhamos que esperar pelo Feiteira, os reagrupamentos ajudavam a que o pessoal tivesse um pouco uma noção de que eu, às vezes, não tinha a mais mínima ideia do que andava a fazer.
Isto de andar fora da Lei de Deus tem as suas coisas!

Ora então a estrada, que não se vê nesta foto, nada mais começar a subir tinha duas crateras lunares que adivinhava ser uma coisa medonha.
Que se lixe!
Ontem fizemos umas quantas inversões de marcha, se tivermos que fazer mais uma, não deve fazer diferença.
Bota lá para o caldeirão!

Aqui está ela, tínhamos uma estrada pendurada na encosta escarpada de uma garganta esculpida por um riacho que correia lá bem no fundo!
Era paisagens o que queríamos!?
Pois toma lá paisagens!

E o melhor de tudo, embora aqui e ali se mostrasse degradada, a estrada era perfeitamente praticável, estreita, sinuosa, mas perfeitamente praticável.

Para já, valia bem a pena ter redesenhado o mapa de hoje!
Existem males que veem por bens!

Mas a estrada acabou, e a paisagem deslumbrante também e terminamos todos num cruzamento a fazer a mesma pergunta de sempre.

Quem é que falta!?

Penedo Durão!
Tudo perfeito, só mesmo voltar pelo mesmo caminho é que é chato!

E com o sol já a aquecer, o pessoal procurava a sombra para o convívio do costume!
Aqui vemos o Diogo triste, depois de lhe termos comido a provisões de gomas para o dia!

Vamos embora pessoal!
Isto soava como o “all aboard” das cenas dos comboios a vapor dos filmes sobre a revolução industrial.
Pouco depois de arrancarmos, quando voltávamos literalmente para tras, parei mesmo na convergência de um caminho, que descia o monte até uns vinhedos distantes.
Chamei o Carlos e disse-lhe:
-Temos que descer por aqui! Achas que és capaz!?
-Por aqui!? Estas louco…. – o Nuno, que estava montado na sua mota à minha esquerda, espreita para ver o que indicava o meu GPS e mostra a sua surpresa.
-Mas olha Carlos que é mesmo por aqui que temos que ir!
Perplexo o Carlos olhava para o caminho pensando já nos plásticos da Blu!
Era obvio que não iriamos por ali, que o meu GPS tinha enlouquecido de vez, mas gostei de ver o Carlos com um nó na garganta.
Seguimos até Freixo de Espada à Cinta, onde o meu GPS quis renovar a sua dose de protagonismo e nos obrigou a dar umas quantas voltas dentro da Vila.
O objectivo era completar o cardápio de tipos de pisos desta edição da RIM com uma calçada romana.
Sim, o acaso levou-nos a uma saída da vila, que por ser tão especial, havia um cartaz que pedia especial atenção para não danificar uma calçada que era um monumento.
Não eram mais de 30m de calçada, feita de lajes de calcario, dispostas num padrão muito similar ao dos tijolos da parede e que estavam assim dispostas há mais de 1000 anos.
Para alem do asfalto, tínhamos calçada granítica, calcaria e agora calçada romana!

É disto que eu gosto!
Salvo que nos tenhamos que cruzar com um carro…
Sim, porque a estrada não deve ter largura para facilitar a manobra!

Quase que aposto que haveria alguém do grupo a perguntar:
-E agora!? Para onde é que este nos leva!?

Vamos ver o Douro pá!
Já sei que ele já estava muito visto nas ultimas 36h, mas para a maior parte de vocês, vai ser difícil voltar a vê-lo em breve.
A interioridade às vezes cria um habitat cuja intervenção do homem não é abusiva e o turismo se reduz a uns quantos pontos que saem nas guias. A minha ideia é de explorar esta interioridade, sair dos roteiros e encontrar sítios onde a pouca intervenção do homem nos faça estar realmente longe de tudo.

Apesar de haver agricultura, as estradas estreitas, que descem a encosta, os barcos de recreio no Douro, aposto que para alguns de vocês a paz vos inundou e estiveram, embora que por momentos, longe de problemas, preocupações da vida, e das rotinas que se vive cada dia, todos os dias.

E pronto!
Com tanta paz envolvente, lá vem o “Vadio” fazer das suas!

Com esta foto de grupo dávamos como finalizada a participação do Rio Douro, na RIM deste ano!
Embora o fossemos atravessar mais a frente, tratava-se apenas de uma travessia sem qualquer importância.
Como já íamos um pouco a contra relogio, decidimos não descer à Barragem da Bemposta para apanhar o IC5 que nos levaria directos ao Restaurante Balbina em Miranda do Douro.

E em Miranda o que é que se come?

Eu preferi Bacalhau!
Mas eu tenho desculpa, porque estou fora do meu país e estou a fazer dieta, etc e tal!
Este almoço cheirava a despedida, pois aqui três dos nove elementos, dariam a volta ao cavalo, para regressar a casa, por terem compromissos nas suas vidas.
Vidas complicadas, que devemos saber respeitar, apesar de sentir pesar por nos deixarem.
Foram, em todo momento uma excelente companhia, marcando a estreia do Tiago nestas andanças do moto turismo, tendo tido um prazer especial por conhecer o Luis e, que dizer do Marco….
Tenho que tentar não adivinhar os aniversários das suas preocupações!
Despedidas feitas, os que ainda ficávamos, eu, o Diogo, o Michel e a Eli, o Carlos e….
Quem é que falta!?
É pá Feiteira, estas aí?
Pois…
Fomos todos até Zamora!

Zamora é uma cidade importante na historia do nosso país.
Foi aqui que no dia 5 de Outubro de 1143 que os Reis de Castela e Portugal assinaram o tratado que reconhecia o Reino de Portugal como uma nação independente!

A ideia era fazer uma visita ao centro da cidade para ver aquilo que o Nuno mais gostava.
Castelos, ermitas, capela, igrejas e catedrais, o Nuno vibrava de emoção, até se via envelhecer!

Eu ainda insistia, para que o pessoal evitasse o magnetismo das esplanadas, mas foi quase impossível evitar e terminamos por começara a ver quais eram as esplanadas que tinham melhores ofertas!

O Carlos ainda me ajudou, tentando socorrer-se da arquitectura para dar um bom motivo para andarmos um pouco mais, mas para alem do magnetismo das esplanadas também havia sede.

Este é o único casal da RIM de este ano.
Podia começar com piadas fáceis, mas não seria justo.
Como se pode ver, estão à altura um do outro, são bué simpáticos e o espirito que ambos têm faz-se sentir. Conheço alguns casais assim no mundo das motos e é um privilegio conhecer gente assim!
Bem hajam!

Como não podia deixar de ser, terminamos todos a contar mentiras numa esplanada, enquanto esperávamos pelo jantar!
Mais uma noite entretida, em excelente companhia e conversas que, se não fosse o mesmo de sempre, tinham durado a noite toda!
Vamos embora Pessoal!
Xixi e cama!

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