RIM 17 – O Lago de Sanabria

Este dia começou muito antes deste evento.
Mais ou menos uns 15 dias antes com uma chamada telefónica.
-Estou!
-Onde é que o moina anda?
– A caminho de casa!
-Olha pá, o veterinário disse que me vai operar no dia 24!
-Pronto velho! Ali estarei!
-Para quê!? Não tinhas uma volta de mota combinada?
– Sim pai, mas uma vez que estas internado….
– Hei! Nada de dramas! Tu vais ao que tens que ir, eu vou estar nas mãos dos médicos e não nas tuas, felizmente!
E foi assim que ficamos, eu e o meu pai, apesar de me ter precavido que a minha mãe não estaria só naquele momento, só fiquei dispensado de estar na RIM caso a operação corresse mal e tivéssemos que enrolar o meu pai num lençol e joga-lo no fundo do poço do quintal lá de casa (a pedido expresso dele).
Era obvio que quando me levantei naquela manhã em Zamora, o primeiro que me veio à cabeça foi o meu mentor, entubado e sedado, sendo talhado por bisturis e instrumentos de formas estranhas. O meu duche matinal foi um misto de pensamentos, entre rever o que tínhamos para hoje, o meu pai e uma preocupação crescente, que era o estado de degradação do pneu traseiro de Dorothy!

Mais uma manhã de RIM!?
Mais uma manhã de boa disposição!
O primeiro objectivo, depois de tudo acondicionado, era dar de comer aos animais, no posto de abastecimento mais perto, que a Xuxuzeca estava já a vapores!
Depois era o nosso estomago….

Bem!
Pensando bem, e antes que o Nuno nos vomite em cima, fomos ver aquele monte de pedras velhas ali ao fundo!

Embora aqui não se veja, mas ele aqui já estava na variação de verde para purpura e não parava de protestar!
É só uma Foto Nuno!

Ao parecer a CB do Nuno é solidaria com a sua alergia a pedras velhas e ficou adiantada no caso de for necessário dar de frosques!

Castrotorafe foi outrora um castro da linha de defesa de Castela, defendendo o reino das incursões de Portugal.
Hoje em dia apenas restam as ruinas do que foi o castelo.

Mas foi motivo suficiente para fazermos uma foto de grupo!
Aqui vê-se perfeitamente o efeito tranquilizante das gomas do Diogo, uma vez eu o Nuno já tem uma cor normal!

Ao longe, para lá do amontoado das pedras velhas, as aguas da Barragem de Ricobayo!

Vamos lá embora pessoal!
Agora sim!
Podiamos ir tomar o pequeno almoço!

As tostas de tomate e azeite, as sandochas de presunto e os cafés voaram num instante!
E as conversas entre o pessoal pareciam não ter fim!
Quase que era preciso arrasta-los para as motas, porque nem com o aliciante das curvas que ainda estavam por fazer, eles lá iam!
E o que veio a seguir foram umas estradas manhosas, estreitas mas com um piso do melhor, que subiam o monte até assentar num planalto que deixava ver bem alem no horizonte!

Esse mesmo horizonte, que depois de mais uma barrigada de curvas, nos levaria à bonita aldeia-fronteira de Rio de Honor!

A aldeia, atravessada pelo rio Onor, é uma pitoresca vila fronteiriça que tem a particularidade de estar mesmo na fronteira física de ambos os países.

Paramos para beber um refrigério!

E conhecer a povoação!

Que ao parecer ainda oferece todos os serviços ao estilo tradicional!

Tudo isto num ambiente bastante relaxante!

Com o murmulho das aguas do rio de fundo. 

Um sitio porreiro para um fim de semana de namoro!

Decidimos atravessar a fronteira, mas desta vez de uma forma original, fizemos a travessia do “arame farpado” a pé!

O xisto e o granito!
O cinzento, junto de um castanho ferroso que garante o calor para as largas noites de inverno….
Rio de Onor ficou no meu pensamento como um excelente sitio para campamento base para uma visita demorada para o que se segue!
Voltamos à estrada com o objectivo de sentar os pés debaixo da mesa antes do momento alto de hoje.
Por aqui não faltam curvas e as estradas tecem uma teia de traços cinzentos que agarram e envolvem os montes.
A cada cruzamento a pergunta repetia-se…
Quem é que falta!?

Cá está o gajo!

E o ceu pinta-se de negro ameaçante….

…chegando mesmo a cair alguma gota, aqui e ali!

O povo que roubou o nome ao lago, banhado pelas agua do rio Tera, onde procuraríamos onde comer!

Mas não sem antes eu fazer uma das minhas inversões de sentido!
Que eu curto bué ver o pessoal andar às voltas!
E depois tenho que tentar saber noticias do meu velho.
De facto já tinham tentado telefonar…

Enquanto o Nuno tentava saber se havia mais castelos para visitar nesta edição da RIM, do outro lado do telefone o meu irmão contava-me que a operação tinha sido um êxito, que o meu pai encontrava-se bem e que não me preocupasse porque estava bem atendido!

Prontos pessoal!
Já podemos ir almoçar….
Sentamo-nos numa mesa improvisada, numa esplanada e comemos sem pressa, contando peripécias de outras andanças, misturadas com perguntas sobre o que faltava visitar neste dia.
A minha preocupação pelo pneu da Dorothy era quase sempre acompanhado com um “convincente” “isso tem muita borracha!” do Nuno!
Depois do café, voltamos à estrada para entrar de cheio no Parque Natural do Lago de Sanabria.
Para já, o objectivo era visitar Ribadelago, povoação que foi vitima do rebentamento de uma presa (Vega de Tera), que a destruiu por completo e matou 144 dos seus habitantes!

Este é o memorial às vitimas, e esta era a forma, mais ou menos expressiva, que eu utilizava para explicar o sucedido ao Michel!

Momento de ouro, captado pela Eli!

Foto do grupo, antes de subir o monte para ver o lago!

Sem duvida uma paisagem inesquecível!

Mais uma oportunidade para o pessoal descontrair!
Só faltava agora, uma foto ali em baixo, no convento com aquela fachada gótica e tal!
Tudo isto enquanto o Nuno protestava e o Diogo o tentava com umas gomas!

Estas a ver Nuno, assim nem custa tanto!
Muito boa foto da autoria do Carlos!
-Vamos lá embora pessoal! Toca a despachar!
Por incrível que pareça isto eram palavras do Nuno!

De aqui até Chaves eram uns 120km (mais ou menos), onde as retas se resumiam a uns 3 ou 4 kms de IP4 em Bragança, psrs depois completar o trajecto até chaves pela estupenda e divertidíssima N103. Trajecto em que vamos ver o Feiteira revelar-se!

A maior parte destas imagens foram tiradas a bordo desta maquina, cujos ocupantes não valem nadinha, mas pronto, um gajo tem que sofrer!

Aqui os temos em primeiro plano numa das muitas paragens para por a conversa em dia.
– Quem é que falta!?
– Falta o Feiteira, que foi andando!
– A gente já o apanha!

E as curvas sucederam-se umas às outras, km a fio…

O sol já se despedia de nós quando o chegamos a Chaves!
Cansados mas felizes, fartos de curvas e desejando um bom jantar!

-Quem é que falta!?

Foi a primeira pergunta que me fez o Feiteira, porque conseguiu chegar a Chaves bem à frente de qualquer um de nós, graças à constancia e regularidade do seu andamento que serve para nos recordar que devagar se vai ao longe!

– É pá Rui!- disse o Michel- Estava ali um stand da KTM, queres ver se tem lá um pneu para a Dorothy!?
– Nem é tarde nem é cedo! Bora lá!

E foi assim que, num golpe de sorte, troquei o sapato à Dorothy!
Tinha assim garantida a minha participação até o fim do evento!
Tanta sorte não teve o Carlos, pois chegavam-lhe noticias de que ambas as preocupações estavam doentes e que a MJ já não tinha mãos a medir…
O jantar foi bem regado por um vinho da região, apimentado pela conversa de sempre, convívio bastante saudável, carne, bacalhau e a amabilidade do sr Brites, que tão bem nos acolheu no seu hotel!
Amanhã era o ultimo dia deste evento que já estava bem gravado nas memorias dos que nele participaram!

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