RIM17 – O Geres

O Geres

O dia amanheceu frio, arrepiado e encoberto.
O pessoal congregava-se à volta da mesa para o pequeno almoço sempre na companhia do atento e simpático Sr Brites!
O Carlos comunicava que nos teria que abandonar para se juntar aos problemas para cuidar das preocupações!
Mas mesmo assim, apesar de estar com ar serio e preocupado, mantinha a boa disposição que o caracteriza.

Eu estava muito mais tranquilo e o culpado era este novo sapato que tinha montado no dia anterior.
Hoje, era possivelmente o dia mais lento da RIM, o que pior condições reunia a nível de asfalto e o mais propenso a furos.Ter um pneu literalmente novo era uma garantia que ninguém no grupo podia ter.
Outro que olhava para o pneu da Xuxuzeca, neste cado ao dianteiro, era o Diogo, queixando-se da gradual perda de performance do mesmo.

Mesmo serio e preocupado, Carlos ainda soube gozar com as galinhas do sapato da Dorothy.
-Uma mão de galinhas de cada lado? Não vales nadinha, não curvas mesmo nada!
E foi assim que nos despedimos do Carlos e montamos nos animais para atravessar Chaves e continuar a percorrer a fantástica N103 até Boticas.

O objectivo era a Barragem do Alto Rabagão, que apesar de ofuscado pela marquise do Michel, apresentava aguas cristalinas e em calma, apesar de que as nuvens ameaçassem interromper essa tranquilidade.

O dia estava instável, frio e triste, e isso refletia-se em parte no animo de todos. Havia já no ar aquele sentimento que depois voltaríamos aos de sempre…

O extenso manto de agua deixava que se desenhasse nas suas margens uma estrada repleta de curvas que nos permitiam ver de diferentes perspectivas o entorno.

As curvas iam, uma atras de outra, mudando a paisagem típica transmontana, numa paisagem mais verde e condimentada com arvoredo, própria do Minho!

Tudo isto ajudava a que a diversão, apesar do dia triste, fosse uma constante, curva após curva!

Hoje era dia da Liberdade, 25 de Abril, dia da Revolução dos Cravos, dia de muitos soltarem a franga.

Pelo caminho encontramo-nos com diversos grupos de motociclistas, de todo o tipo de motos, inclusive umas fumarentas de fabrico nacional.

Passado o paredão da barragem do Alto Rabagão, era momento de procurar um posto de abastecimento para saciar as burras (como diria o Marco), para depois entrar em cheio no Parque Natural da Peneda Geres.
E o Geres é conhecido pelo difícil que pode ser de andar por e através dele!
No caminho do Miradouro da Pedra Bela estava uma pitoresca povoação de nome Ermida. É uma típica povoação de agricultores que vivem da agro-pecuaria, cujas casas são construídas em granito, e as ingremes ruelas feitas numa calçada sem padrão e pedras escolhidas ao acaso.

Entramos por uma ruela tão ingreme que eu mesmo duvidei se era por ali e o pior é que a meio a mesma torcia-se de tal forma que dividiu o grupo.

Como se não bastasse a rua continuava a subir!
O Diogo estava entusiasmado com a aventura, mas tínhamos que esperar pelo Nuno e o Miguel (Feiteira) que tinham ficado para tras.
Desmontei da moto, tirei a minha maquina para imortalizar o momento e desci a ladeira a pé a procura do Nuno e do Miguel.
E lá estavam eles, perguntando-se uma ao outro, por donde nos havíamos metido. E eu fiz sinal para que subissem e o Miguel acelarou mas não se atreveu a fazer a curva. Tivemos, entre eu e o Michel, fazer desmontar o Feiteira da mota, para que eu a tirasse dali. Como se fosse pouco, ele tinha o Controlo de Tracção ligado e alquilo foi um aborrecimento total.

Resolvido o pequeno problema, abrimos punho em direcção ao Moradouro da Pedra Bela, pelo meio do verde intenso do arboredo.
O local é propicio a boas fotos, mesmo com um dia cinzento ameaça constante de chuva. Abri o meu saco de deposito e ao ver a bolsa da camara vazia:
-Então!? Onde é que eu deixei a minha camara!? É pessoal, deixei a minha camara lá em baixo.
-Eu vi-te com ela na mão quando foste ajudar o Feiteira- disse a Eli.
-Pois foi! É pá Rui volta lá, que com sorte ainda a encontras!
E assim fui, incentivado pelo pessoal, montei na Dorothy e desci o monte.
Tarde demais.
Nem camara e, o que é o pior de tudo, nem as minhas fotos.

Menos mal que Eli tem jeito para a fotografia e conseguiu reproduzir fielmente, não só o dia aborrecido que fazia, mas também a belíssima paisagem que se pode ver.
Perdi uma camara a ajudar um companheiro, num acto de salvar alguém de um apuro e deixar para tras tudo. Nunca mais me lembrei da camara e fiquei triste pelo sucedido, mas não me arrependo de o ter feito.
Isto faz-me lembrar uma passagem entre dois viajantes inexperientes, um porque não sabia andar de mota e outro porque era tão distraído que não se provia em terra dos meios necessários. O segundo ajudou o primeiro em tudo o que pode, mas quando o segundo pediu por ajuda, o segundo deu a volta e abandonou-o à sua sorte.
Por estas e por outras historias ouvidas por aí, é que eu tento sempre ajudar toda a gente e ser humilde o suficiente para aceitar a ajuda e, caso necessário, pedir por ajuda.
Voltaria a perder mil camaras, se fosse necessário, para ajudar quem quer que fosse.
Neste caso foi o Feiteira, como foi o Marco na sua avaria, mas o que é certo é que comigo não se abandona ninguém há sua sorte!

Geres é sinal de verde!
Principalmente nas zonas que não ardem no flagelo dos incêndios de cada Verão!

Para haver verde tem que haver agua, e o Geres é testemunha das capacidades paisagísticas que este elemento tem!
Existem um sem numero de sítios que merecem uma vista atenta e descontraída.

Depois a fauna, boa parte deles protegidos, como os garranos, outros, como esta anfitriã, anda em liberdade por onde menos esperamos.
Alguns ainda nos olham de espanto como se fossemos um palácio.
Andamos assim, entre Portugal e Espanha, até encontrarmos um sitio onde saciar o estomago e decidir o que fazer, pois ir a Castro Laboreiro estava dependente de como evoluía o tempo.
A estrada do Lindoso foi a melhor sobremesa que podíamos ter tido. Quando apanhamos direcção a Soajo tínhamos as motas todas com os cavalos com a língua de fora! Quer dizer….
Excepção feita ao de sempre que cada vez que chegava ao pé da gente víamos como os cavalos da sua montada escreviam as cartas de suicídio.
Na estrada até ao santuário ainda houve umas boas abertas, mas foi sol de pouca dura e quando vi o jovem casal à procura de mantas e cobertores na mala do repolho percebi que o melhor era ir para casa.

Fazia frio, uns 14 ºC, ameaçava chover e no cruzamento para Castro Laboreiro víamos como uma densa nevoa subia o monte….

Era momento de reunir e debater o que se devia fazer, embora eu tivesse uma pequena esperança de que o pessoal alinhasse em subir a Castro Laboreiro para depois descer o Lindoso com muita raiva.
Mas não dava, havia ainda alguém que tinha que ir dormir a Lisboa e o relogio não parou para ajudar, o frio, o nevoeiro e algum cansaço acumulado levou o grupo a decidir rumar a sul!

Até o ranhoso do cupido ajudou ao marcar a Dorothy como a moto mais bonita desta RIM!

E claro, os invejosos não perderam pela demora em enfeitar-me o capacete!
Voltamo-nos a reunir para abastecimento na Area de Serviço de Barcelos para as despedidas finais.
Tinham sido 4 dias muito bons, com aventuras e desventuras, memorias que nos farão rir no futuro, que serviram para fortalecer amizades e assentar as bases de novas amizades.
Mais de mil km, desde o Porto até Melgaço, por sítios onde muito poucos pensaram que iam passar, com sítios que deixaram saudades e que de certo serão visitados novamente no futuro.
O meu sincero agradecimento ao Michel pela ajuda na organização, assim como a todos e cada um dos RIMistas que participaram nesta edição da Rota Internacional Motonliners.pt.
Para o ano há mais! Boas Curvas!

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