RIM-Dia das Curvas

O Dia das Curvas

O dia levantou-se com sol, mas o vento que nos tinha feito companhia ontem ameaçava com trazer-nos a chuva.

1 Idanha

Houve tempo para fazer as ultimas verificações, tomar o pequeno almoço e montar tudo na mota.
Hoje era um dia importante, com muitos km em solo espanhol e milhares de curvas há nossa espera.
A ocidente uma enorme massa de nuvens cor desastre apressava-se em vir ao nosso encontro mas felizmente o vento de momento ajudava a evitar que estas se pusessem a chorar….

2 Monsanto

Paragem para descansar e tentar roubar uma lasca destes calhaus para fumar!

3 Rocha

Quer dizer….

4 Rocha a rebolar

Houve alguém que pensou em leva-lo dentro do top case!

5 Carlos

Chegados à Aldeia Histórica de Monsanto, ainda com o sol a ajudar, o Carlos voltou à carga com aquilo do equilíbrio dinâmico da câmara e tal….

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A foto ficou muito boa, mas isto porque estava presente a Maria das Curvas.
Monsanto esta erguida na encosta de uma monte, com o Castelo no topo.

Pela sua conservação e localização é daqueles sítios que devemos visitar com tempo, sem olhar a agenda do dia ou para o céu…

Aqui o granito impera, serve de alicerce as casas, doa a pedra das paredes e ajuda a que o monte não seja tão íngreme.

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Se a isto juntamos as cores da primavera o resultado é simplesmente sublime.
Nestas paragens existem sempre surpresas agradáveis….

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Ninguém estava à espera de encontrar o irmão do Patrão por aqui, mas prontos, ainda estivemos na letra um bocadinho!

11 Marco

O Marco estava radiante!
Seria dos snifs que deu no calhau lá em baixo!?

Monsanto permite imagens assim, mas aqui o que preocupa são as nuvens!

E o Carlos insistia!
Desta vez não teve tanto êxito, mas a sua persistência esta a fazer com que, apesar de desenquadrada, esta foto não esteja tremida….. (valha-nos isso)
Monsanto estava finiquitado, era tempo de sair à estrada e rumar ao Sabugal, fugindo das nuvens.
Não conhecia as estradas, mas a curiosidade de passar pela Reserva da Malcata fez-me oreintar o grupo para lá.
É certo que passamos de raspão, mas as paisagens e as estradas deixaram aquele sabor agridoce. Devíamos ter esquecido Sabugal e explorar a Area Protegida.
Uma vez com o Castelo de Sabugal à vista, por unanimidade e com muitas nuvens negras à mistura, decidimos não visitar o castelo e rumar com destino a Espanha.
Em Foios a chuva surpreende-nos com uma escaramuça.

14 Foios

Tivemos que parar porque as meninas do costume não podem apanhar uma só gota de chuva….

13 fraldinhas

Como não podia deixar de ser, o empedrado fazia sempre o obséquio de marcar presença sempre que entravamos numa povoação.

Será que o Carlos ainda acredita que as suas “cases” aguentam a viagem toda!?
Apesar de um dia sisudo, eu animava o pessoal, prometendo-lhes muitas curvas e que tivessem calma que o tempo ia melhorar e tal….
Chegados a Navasfrias a estrada passa de manto sublime a estrada caminho de cabras. Cinco quilómetros de treme-treme, metidos no meio de uma neblina fria que molhava tudo o que se mexia, até que de repente….

Era verdade o que tinha apregoado, as estradas da Extremadura são das melhores para a pratica do moto-turismo, mas a chuva matava a esperança de que pudéssemos curtir as curvas que se avizinhavam.
Dez quilómetros de uma descida retorcida, que a cada curva o piso ia secando e eu ia-me animando a curtir cada vez mais. Atrás de mim o Diogo, que seguia as minhas trajectórias. A estrada foi secando há medida que descíamos e a parte final já foi feita a pleno pulmão, com o sol a despontar por entre as nuvens.
Ao final, apesar do Diogo contabilizar a gasolina que tinha e ser urgente abastecer os animais, a cara de satisfação era evidente em todos.
Era de facto uma delicia de estrada, com ganchos, curvas rápidas e paisagens de beleza superior.
Esperem só até verem as curvas de Batuecas!
Depois de abastecer a estrada continuou a oferecer-nos curvas de qualidade, mas desta feita para toadas muito mais rápidas. Contudo o estômago avisava que as horas avançavam e também era necessário repor forças.
Depois de uma primeira tentativa falhada, encontramos um restaurante que tinha uma mesa livre.

16 Almoço

Era tempo de descansar e saciar o estômago.

O Michel estava metido na dinâmica de viajante e solicitou o mapa do Marco.

O objectivo era lançar as bases de uma segunda RIM e acordar que os que estávamos ali, seriamos os responsáveis por organizar e fazer passar o espírito desta edição às outras vindouras.

19 Sepia

E a minha sepia (pota) até soube melhor, animado pela confrontação de ideias, todas elas positivas.

Quando voltamos à estrada, as nuvens ainda lá estavam, o vento soprava e a montanha que deviamos subir não estava no horizonte. No seu local estava um agromerado de nuvens cor negro mijão….
A chuva não nos deu descanso, começou a cair quilometros antes de Batuecas e era tão intensa que levou o Michel a duvidar do sucesso da missão:

-Escuta Michel- expliquei- Estamos a meio do caminho, se voltamos para tras não existe forma de escapar da chuva. A chuva que apanhamos para cá , vamos apanha-la para lá!

Resignado Michel concordou e lá seguimos caminho!

20 Gancho

Ainda bem!
Ao começarmos a subir o Mini Stelvio de Batuecas a chuva parou, o vento empurrava as nuvens para longe e lá no fundo já se podia ver a Penha de Francia.

21 Subida Batuecas

Isto era o que nos esperava por subir, curvas sem parar, embora que com a estrada molhada, a boa noticia é que já não chovia.

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A vegetação cobria um emaranhado de asfalto, que se tratava de uma só estrada, que se retorcia para vencer a montanha.

23 Apontador

-É para ali que vamos! Ali esta a Penha de Francia e se apanharmos o céu limpo as vistas são brutais!

Ei-la, a moto mais azul do grupo, pousando no pelourinho da Penha de Francia, a mais de 1700m de altitude e com um frio de rachar.

25 Templo

As paisagens que vos prometi.

26 Paisagem

Algumas delas com sombras rocambolescas por causa das nuvens e do tempo instavel!

27 paisagens

Salamanca, algures no vasto horizonte!

O nosso caminho seguia, mais ou menos, pelo meio desses montes!

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As protagonistas alinhadas na despedida ao Santuario da Penha de Francia.

Antes de irmos, ainda houve tempo para avistar e contemplar umas cabras montesas que pastavam penduradas (literalmente) no abrupto da montanha.

Era hora de ir, baixar a cotas menos frias e visitar o ultimo objectivo deste dia, que ja ia longo.
A estrada revelou-se difícil, estreita e esburacada, mas permitiu-nos deslumbrar de um espectáculo de luz e sombra, com o sol a jogar as escondidas com as nuvens, deixando a sensação de que valeu a pena sofrer as agruras de uma estrada má para presenciar esse espectáculo.

31 eu e a tanqueta

Esta é uma imagem perfeitamente censurável, mas deixo-a estar para que conste que sim, já estive montado em cima de uma Tanqueta.

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Aqui o grupo, à entrada da Plaza Mayor.

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Ciudad Rodrigo merece uma visita com calma, a cidade é muito bonita.

O objectivo era aquecer as mãos, e o corpo, porque estávamos literalmente congelados.
Um Café quente ajudaria muito a atingir esse objectivo.

35 Cafezinho para aquecer

De Ciudad Rodrigo a Vilar Formoso para jantar.
O que aconteceu nesses 35km de percurso é segredo dos deuses e mesmo que haja gente a jurar de pés juntos que passou por ali um grupo de motas a mais de 200km/h negarei até à morte!
O Carlos, depois de jantar e conforme planeado, despediu-se do grupo para ir dormir a casa dos seus papas! Segunda-feira era dia de trabalho para ele.
A noite acabou numa animada e interessante tertulia com o Johnny.
Foi um verdadeiro prazer Johnny, espero ver-te mais vezes e desta feita acompanhar-te numas curvas pela serra. Aproveito para desejar-te a melhor sorte do mundo e que a vida te proporcione muitas curvas sempre a curtir.

Semanada… 

Foi uma semana de correrias, de ver amigos e familiares. Mas uma semana não dá para tudo e tive que estabelecer prioridades… 

A maior de todas elas era de mostrar à Carolina as minhas origens, o entorno que me fez neste gajo que não vale nadinha… 

A Mealhada, (naquele então) vila que me viu crescer, onde a fiz regredir no tempo, para lhe explicar a importância na minha vida do jardim da Mealhada, dos baloiços ao lado da Câmara Municipal, da rua Amarela, da Nacional 1, da escola Primária, da Preparatória e do Liceu. Contei a história da vila, que se transformou em cidade, dos sítios emblemáticos que já desapareceram como O Portão, ou a Esplanada Jardim, das brincadeiras entre carros de bombeiros no antigo quartel, dos edifícios emblemáticos como a Câmara Municipal, a Farmácia Brandão ou o Cine Teatro Messias…

Visitamos a capital do amor, subimos o Quebra Costas, vimos a Cabra e as vistas para o Mondego, apresentei-lhe Dom Dinis e os seus culhões desde o alto da escadaria monumental. Vivemos as lendas da Rainha Santa e a história de Pedro e Inés (tão linda!). Faltou-nos uma Tuna, com muito traçadinho à mistura, para nos pirarmos de mansinho e terminar a ouvir uma serenata à luz da lua….

A Palacio Real, em plena Mata Do Buçaco, foi mote para umas quantas histórias, desde as Carmelitas Descalças às invasões napoleónicas; a Oliveira de Wellington e o Vale dos Fectos, assim como o meu amado Tansmaniam Eucaliptus!

Por fim, o mar, esse enorme manto de água chamado Atlântico, que não desiludiu e rugia como sempre, perfumando o ar com sal, que tão bem faz aos ossos e articulações….

Até já Zé pá! 

Eram agitadas as manhãs em que, saltando na cama, gritava a pleno pulmão a Minha Casinha.

Fui crescendo e compreendendo que os Xutos & Pontapés eram uma banda de culto, daquelas em que acabei por militar.

Não sou o único que hoje sente um profundo vazio ao saber que o arquimusico já não está.

A Morte é uma Submissão da qual, inevitavelmente todos havemos de cair, mas dói quando sentimos que tinha tanto para partilhar connosco.

Se Um Deus houvesse…

😥