O Dia Depois da Tempestade – (Artax) – Pequeña pero Matona!

A vida dá muitas voltas e a falta de rutina não facilita a planificação, mas trás muitas surpresas.

Fui carregar a Havalina com a duvida de não saber o que fazer durante as próximas 45h. É claro que tenho sempre tarefas que levar a cabo mas na parte lúdica nunca decido nada até há ultima da hora, mesmo ao estilo de vida que levo!

Quando o meu relogio biológico me acordou, quase sempre a uma hora em que a maioria de vocês ainda está no primeiro sono, a primeira coisa que me veio há cabeça foi o manto branco do Moncayo….

Não tinham passado 48h daquela aventura e não chovia à mais de 36h. Era bem possível que os caminhos já estivessem limpos da maior parte da neve. Salvo aqueles que se encontram em cotas altas. Se bem que as temperaturas permitissem o degelo, por norma nos dias de ceu limpo apos um temporal tem uma maior amplitude térmica, permitindo o degelo, mas formando as temidas placas de gelo durante as temperaturas negativas da noite.

Volto a dar voltas na cama, tentando esquecer o assunto, mas dou por mim a pensar sobre a viabilidade de voltar ao monte com o pneu de tras da Artax nas ultimas, na possibilidade do gelo acabar comigo no chão e na cena fixe que seria de curtir uma manhã no Moncayo, na neve e a viver novas experiencias.

Deixa de dar voltas na cama Rui!

Prepara as coisas e que seja o que tiver que ser!

Desci à garagem e comecei com a liturgia do costume.

Abasteci a Artax, enchi o depósito da minha muchila de hidratação, carteira, power bank, o Cat das aventuras e tá de vestir o fato de gladiador!

Apesar de escorridas, as botas ainda estavam molhadas do dia anterior, só custou a molhar de novo os pés. Isso com o frio da montanha, depois de congelados, deve deixar de doer!

Voltei a sair de noite, com os coelhos a fazerem todo tipo de fintas à minha frente, mas desta feita, os caminhos estavam mais escorridos, mais estaladiços principalmente onde haviam poças de agua que se congelaram durante a noite!

Fiz precisamente o mesmo caminho até Tabuenca, o objectivo continuava a ser chegar a Talamantes, disfrutar das Peñas de Herrera e entrar na área protegida do Moncayo no sentido Sudoeste, Nordoeste!

Com o Moncayo la no fundo, assim estava a coisa à saída de Tabuenca!

Com o sol a lutar contra a nebelina e temperaturas positivas, a coisa pintava muito bem!

O caminho estava quase limpo de neve, com os típicos regueiros que desciam à procura dos barrancos e pequenos amontuados de neve fofa aqui e ali.

Mas claro, era a partir deste ponto que o caminho começava a ganhar altitude. Este vídeo que se segue grava os últimos kms de caminho até chegara a Talamantes, onde podem ver o sitio onde fiquei atascado anteriormente e a neve que marcava cada vez mais presença à medida que subia em altitude e me aproximava a ama das mais bonitas aldeias do Moncayo!

O vídeo é um pouco longo, peço desculpa por isso, mas tem imagens bué fixes que vividas ao vivo, em especial nesta altura do ano e nestas condições, são difíceis de descrever!

Talamantes!

Vale bem a pena abrir a imagem, à direita a muralha levantada pelos monges guerreiros da Ordem do Templo , à direita, um dos molares moldados por um glaciar que outrora cubriu as Peñas de Herrera. Ao fundo o Moncayo e , mesmo diante de nós Talamantes engalanada para a nossa visita!

Apos termos vencido esta dificuldade, a foto foi mais que merecida!

Em primeiro plano todos os molares das Peñas de Herrera e lá no fundo o Moncayo com um turbante de nuvens como coroa!

Daqui em adiante a neve nunca nos abandona, influenciando as reacções de Artax em maior ou menor medida!

Até chegar a Añon andamos pela crista do monte, calcando neve fofa que não causava grandes problemas de aderência. As imagens contudo, foram memoráveis, com grandes extensões brancas, salpicadas aqui e ali por um ou outro arbusto.

Añon obriga-nos a abandonar os caminhos!

De aqui em adiante e enquanto estejamos dentro do Parque Natural do Moncayo, vamos circular por vias asfaltadas.

Mas isso não significa que estejamos a salvo.

Foi precisamente aí onde encontramos as maiores dificuldades. Mais de 30cm de neve cristalizada, com uma capa de gelo aderida ao asfalto confirmavam as piores espectativas.

As temperaturas diaras provocavam um degelo que se congelava pela noite, deixando quase impraticável qualquer estrada!

Artax queixava-se do seu pneu traseiro e eu sentia que os tacos do pneu dianteiro não faziam nada mais que deslizar. Tentávamos manter em cima das rodeiras que haviam mas era impossível manter uma direcção estável!

Dez longos kms de “motociclismo artístico” adornado com sustos “variopintos” que lembraram varias vezes que as visitas ao Moncayo são sempre emocionantes!

Este vídeo testemunha os últimos metros da aventura….

Desde este ponto podemos subir à Virgem do Moncayo (1700m) e ir beber um chocolate quente no mosteiro. Era esse o objectivo, não fosse esta sinal desaconselhar a tentativa!

No fundo o sinal não era o problema. O problema eram a repercussões porque apesar de ser um procedimento administrativo tinha como mínimo o valor de uma roxa e por circular por um sentido proibido 3 pontos a menos no meu plástico!

Demos razão à sensatez e começamos a descer em direcção a Tarazona!

Tarazona encontra-se no Vale do Queiles e é casa quartel do Motoclube las Ratas del Queiles, organizando anualmente el Cipotegato a cada Novembro. É uma cidade cujo núcleo antigo ainda guarda vestígios muçulmanos, judaico e cristão com uma catedral mudéjar como o seu principal cartão de visita.

Mas já la vamos, pois agora começa a exploração a que me tinha proposto.

O vale do Queiles tem tanto de interessante como de bonito.

O vídeo que se segue é um retalho do que pude encontrar, trilhos e alguma paragem com vistas interessantes.

Depois de um par de horas a explorar o vale do Queiles fazemos uma breve visita guiada ao núcleo urbano de Tarazona!

Esta é a imponente fachada do Ayutamiento de Tarazona.

Depois de Tarazona a manhã estava acabada, apontei em direcção a Veruela de Moncayo, onde seguiria o rio Huecha até Bulbuentes onde desviaria para Aizon e depois buscaria no horizonte distante as ruinas de Rueda de Jalon, que serviriam de farol e guia para chegar a casa.

Mas não me vou sem vos relatar o que tanto vocês estavam à espera!

A queda do dia, a escassos kms de casa, num caminho sem aparentes perigos, num desvio onde aquela argila polida pelo Cierzo e lubrificada pelas chuvas recentes atirou com o meu esqueleto no chão!

Como se pode ver, o pneu dianteiro não pode fazer nada para evitar a queda, que doeu e feriu o orgulho numa manhã que tinha corrido bem no que refere a quedas!

Levantei a Artax, não sem dar com duas vezes como cu no chão na tentativa de a levantar, verifiquei possíveis danos de maior monta, vi que estava tudo bem e bota para Caracavelos que se faz tarde!

Por fim poderia descongelar os meus pés, que não os sinto desde o primeiro charco que pisamos!

O Dia Depois da Tempestade – A Ditadura dos Flocos de Neve

Seis e meia da manhã e encontro-me na cozinha a encher o meu saco de hidratação enquanto uma caneca de leite dá voltas no microondas.

Tinha chovido toda a noite e, apesar de ter deixado de cair, o céu que a contaminação lumínica deixava ver, era pesado e tumultuoso.

Procurei no telemóvel as previsões…

Probabilidade de chuva superior a 60%, cota de neve a 800m e temperaturas a roçar o 1 grau negativo. Reuniam-se assim as condições ideais para que nevasse.

Vesti o meu fato térmico, as meias xpto do enduro, preparei a câmara de filmar e de fotografar, um power bank, documentos e o meu Cat para me guiar.

Enquanto me vestía de gladiador pensava nos caminhos a seguir e nas dificuldades que podia encontrar…

Tudo muda quando me monto em Artax. Trato de ir curtir e as dificuldades passam a ser desafios e uma aventura para viver.

Saio de casa e no primeiro caminho desvío-me à direita.

Mas com cuidado para não matar os coelhos!

Os caminhos que me vou percorrer são predominantemente duros, e no verão com muito pó. Pó esse que se transforma numa massa argilosa e deslizante quando chove. Se a isto juntarmos uma base polida pelo Cierzo, a diversão está garantida!

Apesar dos vários sustos, conseguimos manter-nos em cima da mota e curtir bué!

Da grande planície pasamos aos montes que se agigantavam à medida que os íamos transpondo. A neve marcava presença nos pontos mais altos e locais mais recônditos. No caminho apareciam pequenos lençóis que quase sempre salpicavam ao serem pisados. A paisagem era um manto de retalhos variando entre o branco, o cinzento rochoso e o castanho argiloso dos campos agrícolas.

Tabuenca marca o fim da “planície” e, após cruzar a povoação, o início de uma “rampa” até Talamantes que se sitúa a uns já consideráveis 950m de altitude.

À saída de Tabuenca os caminhos já estavam todos assim!

A neve fofa e parcialmente derretida permitia circular pelos caminhos com alguma facilidade.

No entanto a primeira dificuldade apareceu com a neve a acumular-se na Artax!

Não era fácil pois acabava por impedir os movimentos dos meus pés!

Tive que parar a fazer uma limpeza.

À medida que me afastava de Tabuenca o caminho ganhava altitude, o rastro dos pastores e dos tractores desaparecia…

Pouco a pouco a neve revestia tudo, o caminho, as rochas, as árvores e os campos.

Aqui e ali haviam rastro de alguma perseguição de vida ou morte, protagonizadas por raposas e coelhos…

Mas a Ditadura dos Flocos de Neve impôs a sua vontade e éramos só nós, eu e a Artax, que lhe fazíamos frente.

O caminho retorcía-se no horizonte, a escassos 5 ou 6 kms de Talamantes num horizonte tão denso que não deixava ver os Molares das Penhas de Herrera.

Tratava-se de ver até onde podíamos ir, qual era o nosso limite!

Um forte banco de neve deixou a Artax impotente e numa avaliação consciente da coisa, decidi voltar para trás.

Com a mota atascada, pés molhados, gelados, só e no meio do nada, o melhor mesmo era retirar-me e voltar a casa via Santuário de Rodanas!

No entanto, não foi uma frustração no mau sentido. Cheguei a casa feliz porque me diverti, conduzi em situações diferentes ao normal e aprendi com isso!

Até já!

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O Dia Depois da Tempestade – Intro

Ultimamente as minhas saídas ao monte com a Artax tem sido mais numa de conhecer trilhos e vias de ligação para um projecto que ando por aí a pensar.

Não tem havido muito tempo para ócio, tenho saído com a Dorothy e a Maria das Curvas nos meus tempos livres.

A isto junta-se a impresivilidade da minha vida profissional e a pouca vontade de me sentar à frente do computador para editar as cronicas “comodevedaser”.

Por norma , quase todos os anos, costumo fazer uma visita ao Rey Moncayo, o pico mais alto do Sistema Iberico, que normalmente me recebe com o seu manto Real, frio e branco.

Este ano não foi excepção porque neste últimos dias o Rey sofreu a visita da Gloria (assim se chamou a tempestade) que, entre outras oferendas, vestiu o Moncayo com um espesso e branco cristalino manto de neve, que se extendia desde o seu pico (mais de 2300m) até ao seu sopé a 700m de altitude onde a neve deu lugar à chuva que abundantemente caiu deixando os terrenos agrícolas fartos.

Tinha chegado da Alemanha  e o meu chefinho deixou-me em stand by. Ou seja, “vai para casa que depois eu telefono-te”.

Montei na Seska e, enquanto subia pela estrada da Ribeira do Jalon, por entre as gotas que impactavam na viseira do capacete, podia ver parte do Moncayo, coberto de neve, com o pico rodeado por nuvens cinzentas. A minha mente facilmente navegou para lá, imaginando trapos caindo do ceu aos milhares, o vento que sacudia as neves acumuladas nas ramagens dos pinheiros, a neve acumulada nos caminho e estradas, o rasto das correntes montadas nos 4×4 dos guardas florestais.

Foi então que uma sensação gélida invadiu a minha “área testicular”…

Quando se anda de mota à Chuva, só custa a ficar molhado.

Mas a “área testicular” custa mais que as outras!

Está decidido, amanhã vou ao monte.

Amanhã vou visitar o Moncayo!

Aragão por LoneRider – A Rota dos Rios

Ríos agua, agua chuva, chuva inverno, andar mota no inverno mais agua da chuva dá molha na certa…

Confere!

Ora então, dos últimos 1200kms a bordo da Dorothy, divididos por duas voltinhas, oitocentos dos quais foram passados por água!

Sempre que via uma gota a escorrer pela viseira abaixo, os meus problemas recordavam-me daquela máxima Lonerideriana.

“Sólo cuesta quedarse mojado”

(só custa a ficar molhado)

A alta montanha com cotas acima dos 1500m tem destas coisas, e quando se tratam de nuvens preguiçosas, sempre que se encontram com uma montanha rabugenta que não as deixa passar, as nuvens põem-se a chorar!

A cada paragem olhava para os meus problemas e não percebia bem se estava contente por me ver enxarcado ou verde de raiva e com vontade de me matar!

O que é certo é que, entre tremelique e tremelique, aqueles lábios finos, enrugados e roxos, iam desenhando um sorriso que não era tanto de felicidade, mas sim mais para o amarelado!

Onde é que eu ia!?

Ah! Os rios…

Os rios é aquela cena manhosa que rasga o chão e que leva a água das nuvens choronas da montanha até ao mar!

Alto lá, vocês estão completamente enganados e serve a presente crónica para demonstrar o contrário!

Acordar com o cantar do galo pode ser uma experiência maravilhosa, salvo que o gajo comece a cantar as cinco da manhã!

Pensei em fazer-lhe uma espera para lhe torcer o pescoço mas depois pus-me a pensar, se tenho que esperar que gajo ponha a gargalo de fora para o amarfanhar quem não vai dormir sou eu!

Bem resignei-me à sorte que tinha e fui dormir…

Mas o gajo, as cinco em ponto já estava a excitar o gargalo!

Raios ma parta!

Juro que que um dia lhe arranco as penas à bofetada!

Voltei a resignar-me com a sorte que tinha e levantei-me para ir à casa de banho.

Prontos já sei, vocês querem fotos e tal…

Mas ainda não vos disse onde vou, nem o que tomei para o pequeno almoço, nem o que vesti, nem…

OK, faço um esforço, mas é só porque é para vocês!

O primeiro objectivo era o Rio Piedra, onde Paulo Coelho escreveu aquela Bíblia para os Flocos de Neve, À Beira do Rio Piedra, Sentei e Chorei!

Mas não porque o Rio Piedra seja importante, que também o é, pois dá o nome ao famoso Mosteiro, mas também que é sobre ele que está levantado o paredão da Barragem da Tranquera!

Paramos para contemplar as paisagens e fazer umas fotos e tal…

Alguém que me empurre!

Bem, adiante…

A estrada não era grande coisa, a típica estrada secundária de Aragão, com piso irregular e algum buraco, mas desvia-se pelo vale do nosso primeiro protagonista de hoje, o Rio Mesa!

(se quiserem a ficha técnica do río procurem no Wikipedia)

Digamos que o Rio Mesa é o autor de uma cicatriz no Sistema Ibérico, como que um corte profundo poronde corre um fio de água limpo e cristalino que serve umas termas (Jaraba) e deslumbra as vistas com as paredes rochosas que desbravou e que hoje são habitat natural dos abutres!

São vários kms de estreito e sinuoso desfiladeiro onde as paredes chegam a ter uma altitude que dificilmente uma máquina pode abarcar!

E é difícil de descrever assim que o melhor mesmo é ver este vídeo onde, de alguma maneira, tento mostrar a beleza do local!

Vá lá, não sejam preguiçosos, vejam o vídeo que até tem musiquinha para fazer meninos e tudo!

Pouco a pouco ia subindo para a meseta, através de uma estrada sinuosa e interessante, com piso muito fixe que denunciava que tínhamos passado os limites do reino de Aragão e nos encontrávamos agora “en la Mancha del Quijote”!

O objectivo era entrar em cheio no que é conhecido como a Serranía de Cuenca, que conta com estradas de muito bom piso, traçado sinuoso, paisagens brutais e um parque natural interinamente dedicado ao nascente de um Rio!

Depois da barrigada de curvas a bom ritmo chegamos ao Parque Natural del Nacimiento del Río Cuervo!

Ao chegar constatamos que o gajo é resmungão e que começava desde lá bem de cima a fazer barulho. Estávamos na base de uma escadaria natural camuflada por um frondoso bosque de choupos, pinheiros e outros árvores de menor porte.

Ao subirmos a primeira rampa o Cuervo presenteia-nos com este pequeno lago, alimentado por inúmeros fios de água que pulverizavam uma frescura no ambiente.

Continuando com a escalada, seguindo as águas cristalinas do rio, começam a aparecer as primeiras queixas. Estavam uns 17°C e se os forros de inverno são de agradecer pela frescura matinal, agora que o sol aquece sufocam o corpo.

Embora as sombras das árvores e o spray do rio atenuassem o sufoco, ganhar altitude num espaço de tempo relativamente curto não ajuda à sensação térmica.

Chegados à meseta, onde o Cuervo corre por entre pedras e piscinas naturais, decidimos desistir, evitar o sofrimento que nos sofocava e descansar um pouco.

Tratamos de imortalizar as nossas fronhas no local, de comer o farnel que preparamos de manhã e relaxar porque o local convida a descontrair, descansar e brincar um pouco.

Quando chegou a hora de partir, enquanto a Mery reagrupava os tarecos, ainda me aventurei para fazer mais esta fotografia!

O Parque é relativamente grande, tem vários caminhos que te permitem ver o rio de diferentes perspectivas, sitios se descanso, para comer e até fazer umas cestas, mas convém vir preparado para andar e suar um bocado.

Voltamos à estrada, em direcção a Tragacete, descendo pelo vale do rio mais polémico e mediático da península. O Rio Jucar!

Tragacete é um ponto estratégico na nossa rota. É um ponto de inflexão na cota de altura (acabamos de descer e começamos a subir), é aqui que começamos a voltar para trás (na direcção de casa) e é o único posto de abastecimento aberto num raio de 80kms!

Depois de abastecer e tomar o cafezinho apanhamos a subida que nos leva ao outro protagonista deste miserável relato. A estrada é muito boa, com muitas curvas enlaçadas, lenta, técnica e super divertida. Gravamos tudo em vídeo, só não o publicamos porque o mesmo testemunha a forma como atiramos pelo penhasco abaixo três motas de matrícula francesa, depois de ter empalado os condutores e violado as penduradas. Isto tudo só por terem estragado parte da diversão.

Aqui, já cá em cima, no descanso do guerreiro!

A estrada ganha agora características bem mais rápidas, subindo aos 1600m, para entrar definitivamente em Aragão. Uns kms mais a diante, giramos à esquerda para ver nascer o maior rio da Península Ibérica.

Aqui, a 1500m sobre o nível médio do mar, brotam com vigor as primeiras águas do Tejo, que cruza a Península ao encontro do Atlântico, a 1000kms de distância.

Prazer e sofrimento juntos numa só foto!

(não sei porquê, mas acho que este comentário vai fazer alguma sertã ganhar asas)

Voltamos à estrada para curtir mais uns kms de bom asfalto, curvas a condizer e paisagens verdejantes.

O objectivo não era desconhecido, mas a sua beleza e o facto de ser desconhecido aos olhos da Mery, tornava a paragem obrigatória.

Albarracin, Vila Medieval ligada ao Cid el Campeador, que tem tanto de encanto como de fotogénica.

É foram aquí que as coisas se torceram!

Chegamos à hora do desassossego (entenda-se visita guiada) onde tivemos que fintar por várias vezes o grupo de japoneses que visitavam o núcleo medieval.

Foi quase impossível fazer fotos sem encontrar o típico turista com a sua reflex a fotografar uma pedra gastada pelos ventos que descem dos Montes Universales.

Mery prendeu o burrinho porque queria encontrar o povo vazio à sua mercê.

Quando finalmente consegui a Plaza Maior vazia só para mim, captei esta “postura de Alcaldesa” (só lhe falta “el Bastón) que quase me ia custando a vida!

Depois de Albarracin, já com a tarde avançada e o sol a deixar muitas sombras na paisagem, apanhamos direcção a Orihuela del Tremedal para conhecer o rio mais peculiar desta rota.
À medida que subíamos os Montes Universales a paisagem mudava, os pinhais passavam a ser menos densos, onde grandes maciços rochosos mostravam uma rocha fragmentada em milhares de calhaus alguns deles de proporções consideráveis.
Quando começamos a descer, por um longo vale, as árvores deram lugar a um caudal de pedras com mais de 10m de largura.

Não meus amigos, não se trata do leito de um rio seco, trata-se de um rio onde o caudal são pedras, que pela acção das temperaturas gélidas do Inverno e escaldantes do Verão provocaram a sua fragmentação e dispersão ao longo do vale.

Diria que este Rio de Pedra, que não é único nesta zona, se estende paralelo à estrada ao longo de uns 3kms e tem uma largura considerável, que permite ser visto nas imagens de satélite da Google.

Mais um sítio que pede uma caminhada pelo entorno para conhecer com detalhe estes Rios cujo caudal são Pedras!

Com as temperaturas a cair, era momento de procurar a Autovía Mudéjar e devorar os 170kms que nos separavam do Covil!

Foi, finalmente, um dia em que a chuva não nos limitou o passeio, com muito sol e sítios muito interessantes onde o bom asfalto promete garantir momentos de diversão!

Prontos pessoal, para a próxima há mais!!!

La Cabra Tira Al Monte

Uma manhã fria das de Abril, sol timido e sem nada para fazer.
Pensei em tentar descurtinar a melhor forma de cruzar o Sistema Iberico sem perder de vista o unico rio que o faz. Alem do Jalon, que de forma tortuosa e acidentada divide o Sistema Iberico, mais ou menos paralelos ao leito do Jalon, foram construidas as principais vias do pais pois por aí passam a A2, que liga Madrid a Barcelona, uma ferrovia de mercadorias e uma de alta velocidade, onde as composições furam pelos montes da Serra de Vicor e Morata.
Isto impossibilita procurar um caminho que não esté poluido por estas infrastuturas.
E de repente parei para pensar e…
Que se lixe, hoje é para curtir!

Isto foi uma pista que encontrei por donde andei, onde aproveitei para fazer a minha primeira incurção numa pista tecnica que me pos a suar em menos de nada.
foi lá tambe onde me iniciei no “salto ao tronco”!

Saber saltar bem um tronco é uma tecnica que ajuda na transposição de obstaculos, assim como um optimo treino para o posicionamento em cima da mota.
Tambem é fixe para te por a suar de forma quase instantanea se a tua consição fisica for má.

Depois da suadeira, era tempo de fazer uns caminhos, passar para a outra margem do Jalon e procurar um barranco virgem no meu reportorio!
Aparentemente era relativamente facil, mas tinha dois obstaculos interessantes que obrigam precisamente a aplicar a tecnica do salto ao tronco. Quando o trilho se acaba, como cereja em cima do bolo, uma subida às Ruinas do Castelo de Rueda de Jalon onde a vista para o verdejante vale do Rio Jalon contrasta com o seco dos montes à sua volta!

Depois do barranco e do premio das Ruinas do Castelo, fui à procura das paisagens proprias de um bom spaguetti western…

Os montes da margem sul do rio Jalon, entre Bardallur e Epila, oferecem uma trama densa de trilhos explorados pelos aficionados ao Enduro que nos oferecem paisagens interessantes.

Alem disso , esses trilhos as vezes conduzen-nos a a zonas tecnicas, com obstaculos que propiciam a aprendizagem sem que os sustos não sejam uma constante!

Este trilho não tinha saída e embora tenha valido a pena pelas paisagens, obrigava a voltar para tras. Nem sempre é facil fazer o caminho inverso e convem sempre evitar meter-se numa alhada e ter a certeza de que se capaz de sair de algum impasse.
No todo terreno existem duas palavras de respeito.
Descer e subir.
A primeira porque todos os santos ajudam e quando o desiquilibrio surge as inercias tendem sempre a piorar a situação. A Segunda porque, se a coisa não corre bem a coisa inverte-se e podes começar a descer!

Depois do susto, depois de desfazer o caminho, decidimos visitar os primeiros trilhos que fiz, em tempo idos, com a Dulcinea, que foram a minha estreia absoluta nisto do enduro!
Para alem da familiaridade, Urrea de Jalon é o municipio onde se encontra uma das subidas que mais respeito me dá, que nunca a consegui fazer sem que uma queda me impedisse de a completar…
Foi assim com a Dulcineia (cujo motor era manifestamente impotente) e foi assim com a transmissão de origem de Artax….
Mas tenham calma, já lá iremos, primeiro ainda esta este video que tem algumas coisas interessantes, para alem do barranco da Oliveira em Bardallur que tambem tem o seu grau de difculdade!

Depois do docinho nostálgico era tempo de rodar pela crista do monte até descer à ermita de San Sebastián (nos arredores de Bardallur) para fazer o caminho inverso de volta a Urrea por um trilho técnico e super divertido.

O Barranco de la Olivera não é nada mais nada menos que o leito de um riacho seco, por donde escorrem as chuvas tormentosas características da zona. Isto propícia os obstáculos naturais que se transformam em desafios à perícia de quem gosta de sair com a cabra al monte!

A medida que vamo subindo a dificuldade vai diminuindo e em algum momento se pode voltar a disfrutar de umas paisagens interessantes, se bem que eu estava mais interessado em imprimir um andamento mais vivo à coisa.

De volta a Urreia, o desafio da subida picava na mioleira e nem os Michelin de tacos desgarrados e mal tratados em fim de vida me moviam de tentar fazer a subida!

Chegados lá é depois de fazer um reconhecimento visual à coisa reparei que os regos estavam mais estreitos e profundos que as águas do inverno seco tinham feito um trabalho interessante que aumentou ainda mais a dificuldade da coisa.

La no alto, a meio, havia tempo (uns 50 metros) para descansar e planear o derradeiro ataque onde nos esperam dois degraus rochosos como último desafio.

Estava confiante, tinha mais umas horas de trambolhões no pelo, sabia que a transmissão de Artax aguentava bem a exigência e lidava melhor com as inercias.

No entanto, decidi subir em primeira desde o início, evitando assim um erro comum nas reduções, que é de ficar em neutro e perder toda a inércia que se leva em menos de nada.

Allá voy!

Mas a sorte, uma vez mais, não me acompanhou!

Estranhei um movimento em Artax que me pôs de alerta.

Conforme se pode ver no vídeo, após uma breve inspecção ao sistema de transmissão, reparei que a guia da cremalheira se tinha partido por causa de algum impacto que sofreu.

Teria que adiar o último assalto à subida e voltar para casa choroso…

Procurei os caminhos agrícolas e fui fazendo caminho para casa “al tran tran” para evitar o inevitável, que se traduziu num embrulhanço da transmissão e consequente queda!

Os últimos 500m foram feitos a empurrar a Artax com a corrente pendurada no basculante!

E prontos, chegamos inteiros e contentes, com trabalho para fazer mas como isso também é algo que curto fazer….

[Test Drive] CRF 1000 L Africa Twin

Abril, Primavera, temperaturas amenas, mais horas de sol, picos nevados, agua cristalina e uma CRF1000 para experimentar.
À medida que os traços continuos vão ficando para tras, no horizonte cresce uma enorme montanha cuberta por um manto de neve. O som do paralel twin de pouco menos de 1000cc ajuda a animar a festa e as curvas rapidas são o desafio suficeinte para por à prova a estabilidade da Africa twin.

Prova superada!
A CRF, apesar da sua jante 21″, mostra-se equilibrada e estavel a alta velocidade, permitindo traçar trajectorias sem dificuldade, sem reações estranhas ou movimentos que recomendem baixar a velocidade.
Mas o mais divertido seriam as estradas de montanha, estreitas, sinuosas, com asfalto irregular, para perceber se mantinha o mesmo aprumo da sua ciclistica quando as condições não fossem tão favoraveis.
À medida que subia pela estrada de Talamantes, iamos podendo apreciar as famosas Peñas de Herrera, assim como percebia que a Africa Twin é divertida de conduzir, intuitiva e cheia de energia.
Tão facil que me atrevi a subir à muralha medieval de Talamantes com ela.

A foto era inevitavel!

Quando a estrada nos aproxima do monato branco de Gala que nos mostra com orgulho o Rei Moncayo, a Africa Twin revela-se uma mota tranquila, sem vibrações, rola a velocidades baixas sem exitação, manbra-se facilmente e permite que comecemos a sintir-nos integrados no ambiente.

Infelizmente o restaurante estava fechado, mas aproveitamos o parque de estacionamento do mesmo para fotografar o belissimo exemplar que me foi confiado.

Bem acabada, tudo no seu sitio, esta equipada com um assento que tem altura variavel tem uma pelicula aderente, muito util no todo terreno, mas que limita os movimentos corporais no asfalto.

Era hora de tomar rumo a casa, ou melhor, ao Stand da Honda (Mobicsa), mas não antes sem excitar as bruxas de Trasmoz!

Bem!
Viemos de lá corridos à vassourada e o embalo foi tão grande que a Africa Twin mostrou mais uma vez que não lhe falta folego para grandes tiradas de km.
Quando cheguei à Mobicsa apercebi-me que tinha “abusado” na dose, em parte por culpa do relogio que a Africa Twin tem no seu painel de instrumentos, que ainda vivia na hora de inverno, dando-me inconscientemente a oportunidade de curtir a companhia da CRF por uma hora a mais do acordado.

Mais um animal a juntar à lista de motas que devem ter um lugar na minha garagem se a sorte me bater à porta.

[Test Drive] Kawazaki Z900RS

O dia amanheceu molhado, com o vento a obrigar as nuvens a correr de encontro às montanhas. Desde a passadeira que me obrigava a correr, olhava pelos enormes vidros do ginasio como as gotas iam caindo no chão. Mais um dia de férias, mais uma madrugada a mais de 150 ppm, mais uma t-shirt molhada, menos 600 calorias activas.

Depois do banho, o pequeno almoço e olhadelas furtivas ao relogio para não me atrasar.

Será que nao me vão deixar fazer o test drive?

Que seja o que tiver que ser. Eu vou lá, a mota está lá, só não saímos os dois do stand se o vendedor não quiser!

Pela primeira vez nos ultimos 2 anos vou fazer um Test Drive a uma mota. O ultimo test que fiz foi à Integra e desde então, por não ter interesse em comprar , ou por falta de disponibilidade, deixei de parte esta forma de criar opiniao sobre as motas que existem no mercado.

Desta vez, aproveito a oportunidade para me estrear na edição das minhas opiniões sobre as motas objecto de teste. Não vão haver isenções, porque se trata de uma opiniao pessoal, da qual se pode estar de acordo ou não, mas sem deixar de ser o meu ponto de vista sobre os diferentes aspectos que avalio numa mota!

Desta feita a eleita foi uma moto que deriva de uma Street Fighter, que foi adaptada para encaixar na corrente estilistica vintage.

A Z900RS é uma neo-classica com um aspecto dos anos 70, quando a familia Z se estreou na andadura motociclistica.

Não é facil ficar indiferente as linha classicas da mota, que inicialmente fazem lembrar a primeira Z, mas que se vai misturando com aquele paracer familiar das Zephyr dos anos 80.

Como estava a chover, o teste foia feito essencialmente em ambiente urbano, onde a generosidade do motor acompanhava a sua sauvidade até as 5500 rpm. Altura em que deixava de haver sauvidade e abundava a genorosidade!

De facto a Z acelera muito bem, com um som proprio de um tetra, capaz de nos catapultar para velocidades de telejornal.

A medida que a velocidade aumenta, maior é a força que fazemos para nos agarrar.

Para mim o maior defeito da mota reside aqui, na falta de apoios para combater as inercias da mota, que aliada à inexistente protecção aerodinamica, limita uma ciclistica/ motor excelente no que a prestaçoes se refere.

Andar em auto estrada a velocidades acima de 120km/h é mentira. A falta que me faz a minha Maria das Curvas, com aquele barrigão enorme que nos apoia nas acelerações e travagens, e nos protege de boa parte da tareia que nos da o vento.

A Z-RS esta bem acabada, com tudo no seu sitio, um painel sobrio mas com toda a informaçao necessaria (incluido a ciclo lunar e um calendario menstrual configuravel), com um equipamento dentro do normal, suspensões regulaveis com um tarado algo firme mas que permite ler bem a estrada, um motor estupendo, iluminaçao LED, uma boa distribuiçao de pesos que a torna muito maneavel e uns pneus (GPR300) que encaixam muito bem no que se propõe.

Não houve muito tempo para mais, lamentando que tenha que a ir entregar quando as estradas começavam a secar-se.

Seria, sem duvida, uma excelente representante do neo-classissismo na minha garagem….