RIM Dia dos Castelos

Depois de repousar o esqueleto, o duche matinal serve para activar o corpo e a mente.
Preparar tudo nos alforges, o GPS, o fato da mota foi uma tarefa facil de levar a cabo. Mas essa felicidade caiu por terra, ou melhor, num charco enlamaçado, quando vi um ceu cinzento e as motos molhadas. Incredulo, saí a rua desejando que fosse só rabujice do tempo, mas as gotas caiam com uma cadencia certa e em poucos minutos molhei a minha careca.

1 Chuva

Pouco a pouco o restantes participantes foram-se juntando na sala para o pequeno almoço.
Curiosamente a moral era alta e inclusive ouvi o Diogo (Vindaloo) a dizer:
-Esta a chover!? Nao importa!
E assim foi. Depois do pequeno almoço e das contas feitas, atacamos a estrada debaixo de algumas gotas.
A primeira visita prevista seria o forte de Elvas, mas a chuva persuadiu-nos e o Carlos respirou de alivio ao perceber que nao teria que subir a estrada de empedrado ate ao forte.
Passar a fronteira foi como deixar para tras a chuva, se bem que a nuvens ainda ali estavam e ameaçavam descargar, no horizonte o tom de cinzento era mais claro e eu apontava que iamos nessa mesma direcçao para tentar animar o pessoal.
Mas ninguem precisava de ser animado, estam todos super bem dispostos apesar da chuva e do tempo instavel.

2 Parque 1

A chegada a Alburquerque, já com a sol a dominar no ceu!

3 Parque 2

Cinco motos, que chamaram logo de imediato a atebnçao a uma patrulha da Guarda Civil e o pessoal comentava que os P que tinham deveriam ajudar a que eles nao implicassem…

4 km Marco

A ventoinha do Marco tinha, entretanto, batido a significativa barreira dos 20000 km (¿?), 26 recals e 3 chamadas ao pronto socorro depois. 

5 Mala ejectavel

Do outro lado, na outra ventoinha do grupo, alguém inspecionava o estado das malas e suportes, tentando adivinhar o momento em que elas se fugariam, movidas pelo medo ao empedrado!
De facto, esta era a maior preocupação do Carlos, esse piso tao característico dos povos medievais. Não lhe importava muito a chuva, o frio que se fazia sentir, ter as mãos molhadas, sujar a sua ventoinha, nem se importava com o facto, muito relevante, de estar a conduzir uma ventoinha a mais de 300km de casa; mas o empedrado….
Isso sim era um quebra cabeças para o Carlos!

6 Eu

UI! Que susto!
Que coisa tao feia…..
Esqueci-me do pequeno pormenor de que o pessoal também veio munido de camaras para este passeio.

7 Alburquerque

Com as nuvens a serem enxotadas pelo sol, ali no cimo estava a nossa primeira conquista do dia. Um bastiao defensivo castelhano que hoje é um belo exemplo de como os “países” se protegiam uns dos outros.
Para chegar lá, tivemos que desbravar por entre as ruelas de Alburquerque, estreitas e empinadas, com aquele característico empedrado medieval que nos fazia regredir muito no tempo, como se fossemos 5 cavalheiros portugueses em missão de paz.
Mas não se entende muito bem porque, havia um que sempre ficava para tras:
– Anda Carlos pá, que a moto não se desmancha!

8 Foto equipe

O Marco gosta das fotos de grupo e a ideia de fazer esta foto, para alem de sua, deu para dar a perceber ao grupo que sabia bem o que fazia com a sua camara, buscando aquele equilíbrio exacto que lhe permitisse fazer esta bela foto.
Agora….
Isso de andar de mota já são outros quinhentos (aouch!!)!!

Da esquerda para a direita:

Carlos (Carloskb), eu (Lone Rider), Diogo (Vindaloo), Michel (michelfpinto) e o Marco (Marco.Clara)

9 Carlos tunel

O que é pá!
Tambem tenho camara!
Toma lá um flachada!

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Ficamos todos na penumbra, como se a nossa presença aqui estivesse envolta num mistério.

11 Afinaçao

Sim!!
Sou um invejoso e não domino a técnica tao bem como o Marco.

12 Foto de Grupo

E também não tive a ajuda do sol.
Mas da para ver que estamos lá todos, não dá!?

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Historia do castelo é interessante e covem lê-la. Para tal, basta googlar por Alburquerque e certamente que aparecera tudo muito bem escarrapachado, mentiras incluídas, no Wikipedia!
Coisas do tipo, o castelo antes de chegar ao seu interior m8 tem três entradas defensivas, bla, bla, bla….
Uma delas vemos ao fundo desta subida em empedrado (calma Carlos!).

14 Espera

La no cimo encontramo-nos com a porta fechada.
-E agora!?
-É pá!-dizia o Michel- As visitas guiadas fazem-se agora às 13h, faltam 3 minutos!
-Viemos mesmo a tempo!
-Bora lá!

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Patio de Armas, onde a infantaria velava pelas armas.

16 turistas

Aqui o grupo de visitantes, que escuta atentamente um guia turístico que foi super amavel com todos ao falar com muita calma para que se pudesse assimilar o seu espanhol sem necessidade de traduzir.
No grupo havia também um Motorrad fan que confessou estar a fazer uma rota muito parecida à nossa em solitário, pouco tempo depois do famoso “clube eólico” ter andado também por estas paragens.

17 Torre de Menagem

A torre de Menagem, forte dentro do forte, onde, para chegar, havia que fazer um percurso labiríntico cheio de armadilhas defensivas.

18 Entrada da Torre

Aqui temos o Carlos, numa pose fotografica bué fixe!
No fundo, no fundo, é um gajo porreiro, mas a culpa foi da sua avó!

19 Escadas

Era por aqui que se tinha que subir.
Eu acho que o calmeirão do Michel teve que subir de lado!

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Mas depois a recompensa estava à vista, com uma enorme planície à vista, montanhas de fundo e um povo inteiro aos teus pés!

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Mas havia sempre alguém que borrifava nos portugueses, o que não é muito aconselhável, dado que virar as costas ao inimigo pode dar mau resultado!
O guia estava sentado no que era uma latrina, à moda antiga, que oferecia um voo em picado aos excrementos como mostra de consideração pelos portugueses.

De facto, estava muito bem estudada a fortaleza, um passadiço com ponte levadiça, deixava isolada a torre de menagem, que oferecia proteção ao ultimo reduto de sobreviventes.

23 Alburquerque

E outra vez, estas paisagens embriagantes e levam bem longe a linha do Horizonte!

23 Matacanes

Matacanes, por donde se atirava de tudo, principalmente azeite a ferver para provocar o maior número de baixas possível.

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Dentro da Torre, a casa do senhorio…

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La do alto, as vistas….

…são impressionantes!

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Existe uma legenda para esta foto, mas aqui o que é importante sublinhar é que alguém olhava para o lado errado, outro penteava-se e eu estou gordo…..

Quase que já nem caibo no raio das escadas!
Temos que dar uma solução a isto!

29 Capela

Depois da conquista do castelo, a capela era um lugar de retiro espiritual obrigatório!

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Olha Carlos!!!
O teu amigo empedrado!

Depois do castelo de Albuquerque, era tempo de fazer-nos à estrada, tomando a direção de Portugal por Valencia de Alcantara. O meu GPS, que entra em pânico cada vez que entra num aglomerado urbano, fez-nos viver uma das peripécias mais interessantes da manha.
Em San Vicente de Alcantara, por engano meti o grupo pelo centro histórico da povoação. Uma trama de ruas estreitas, com alguns becos à mistura fez com que o escapes abertos das motos do Marco e Diogo interrompera a pacatez dos que por lá vivem. Ao passar por essas pessoas, que ao ouvirem os uivos das motos, vinham à rua, fazia sempre um gesto simpático, que estas respondiam com um olá ou acenando com a mão.
Atras, no fim do grupo, como sempre, vinha o Carlos a rezar para que nenhuma das suas malas caísse pelo caminho estimulados pelo piso de empedrado!
Uma vez na estrada certa, era hora de dar corda aos cavalos de Maria, com o Diogo a mostrar que também sabe acelarar.
E Valencia de Alcantara mais do mesmo, mas desta vez o SC do Marco mostrou quera mais melodioso que o Leo do Diogo que a esta hora estará a pensar:

-Puuff! Motos de dois cilindros e meio!!

31 Gasolineira

Posto de abastecimento antes de Portugal.
Três gajos a ver se as malas do Carlos aguentam ou não todo o fim de semana.

32 POrtagem

Aqui jà havia vontade de comer!

33 Almoço

Já está!
Tudo com os pes debaixo de mesa e a dar ao dente!

Enquanto comíamos o céu preparava-se para nos dar uma surpresa.
Foi com espanto que vimos que caia uma valente tromba de agua na rua, quase no final do almoço.
Mas voltou a abrir, soprava um vento fresco que empurrava uma imensa massa de nuvens vestidas de “negro ameaça” na nossa direcçao.
Era tempo de montar nas nossas montadas e subir ao Marvao se queríamos ver o Castelo.

34 Marvao

Não tivemos muita sorte.
Nesta foto não chovia, mas luz estava apagando-se e um batalhão de reconhecimento em forma de chuveiro, já nos tinha molhado na subida, o piso (empedrado) estava molhado e escorregadio e a única boa noticia era que na direcçao onde seguíamos o ceu estava menos cargado.

A descida seria menos atribulada, pois as nuvens, empurradas pelo vento contra o castelo desviaram pelo lado contrario ao que passaríamos.
Ainda bem!

Castelo de Vide era já ali, quase que se podia avistar desde o Marvao. Chegar ao seu castelo é uma tarefa algo complicada, com algum sentido proibido e inclusive um transito proibido. Como nunca tinha visitado este Castelo, não sabia muito bem onde me estava a meter. Uma subida ingreme, com o característico empedrado medieval. Quase que podia ouvir Carlos reclamar!
E com alguma razão, diga-se de passagem.

35 dancebrake

Mas tudo esta bem, quando acaba bem.
Deixamos a motas na encosta, engatadas e tratamos de curtir o momento.

35. Brake dance

Castelo de Vide, um castelo que também tem a sua pagina no Wikipedia, parece-me algo mais descuidado que o de Marvao, mas tem um encanto especial.

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Tem algo diferente, parece mais misterioso, não sei descrever bem!

38 Michel

O Michel a tentar roubar as armas ao guiardiao do castelo.

39 eu

Isto quer dizer:
“For those about to Rock! …we salute yo!”

40 par de jarros

Que belo “par de jarros”!

41 Team

Mais um excelente trabalho de “trial fotográfico” do Marco! Acho que já vai no 34 titulo mundial consecutivo nisto do equilíbrio dinâmico-fotografico na categoria “sem tripé”!

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Nisto o pessoal sussurrava alguns comentários sobre o Carlos!

-Sabe fotografar bem!- dizia um…
-Sim sim! Sabe bem o que faz!
-Pois, pena é que andar de mota é uma menina!
-Só não percebo é uma coisa!
-O quê!?
-Como é que as pessoas que tem um talento natural para uma coisa em concreto, no exercício desse talento assume uma postura tao cómica!?

43 Carlos

Diga-se de passagem, que a imagem que se segue é da sua autoria.

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Castelo de Vide agradece!

45 Marco

E o Marco tambem!

46 Torre de Menagem

Solida, é o único adjectivo que me vem á cabeça sobre a torre de menagem que preside a fortaleza Medieval de Castelo de Vide.

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No edifício contiguo à torre de menagem estava exposta uma exposição sobre a Inquisiçao em Portugal!

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A fogueira que condenava por blasfémia e heresia aos que eram apontados pela igreja, na maioria das vezes num processo pouco claro e sem qualquer tipo de garantias.

49 Povo medieval

Um povo medieval que merece uma vista mais atenta numa próxima vez!

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A foto não o acusa, mas havia uma inclinação considerável e isso poderia ser o primeiro momento de tensão no grupo.
Mas não o foi.
Apesar do Carlos ser o mais “niquento”, confiou na ajuda do pessoal e entre todos demos a volta às motas, uma a uma, pondo em practica um dos valores mais importantes que existe nisto das motos. A entre ajuda do pessoal.
Agora, quase que estou seguro que a maioria dos participantes da Rim concorda comigo se eu disser que não foi assim tao difícil.

Sair de Castelo de Vide foi outra aventura de empedrado, ruas estreitas, inclinações malucas e as motos do Diogo e Marco outra vez em evidencia.
Depois Nisa e depois a primeira sessão de curvas da RIM. A estrada apresentava um piso coma algumas manchas de molhado, folhas e algumas ramas pelo chão, que aconselhava a alguma cautela mas…
Curvas são curvas e temos que curtir. Maria queria, eu queria e cá vamos nós!

As Portas do Rodao.
Palavras para que?

Enquanto o Carlos tratava de fazer estas fotos….

….num claro exercício de narcisismo motard…

…o pessoal buscava uma mesa para sentar-se a beber um café e dar duas de letra.
Eu ate reconheço algum mérito à Blu, pois eu entre os barcos e as ventoinhas…
….prefiro as ventoinhas!

-Pessoal! O café esta pago!
-Mas. Tu pagas tudo?- perguntou o Marco- Isso não é justo!
-Tu pagas o jantar, não te preocupes!

De Vila Velha até Monforte da Beira existe uma estrada que passa pelo meio da área protegida do Tejo Internacional que era uma completa desconhecida para mim. Teriamos que arriscar para ver como era, apesar do meu receio, porque cortava caminho, evitava Castelo Branco e algum trajecto por auto-estrada.
Foi um excelente surpresa. Piso bom, seco, curvas porreiras, animais a pastar e paisagens muito interessantes.
Em determinada altura, não me fiando do meu GPS, paramos para o cigarro da praxe.

55 Maria

-É pá, mas tu precisas de um mapa?-perguntava o Marco- Não entendo estes gajos, vem para uma viagem sem um mapa.

56 Mapa

Aqui definíamos o nosso objetivo mais imediato, que nos surpreenderia pela positiva!

57 Ponte

Aqui a temos, depois de uma estrada desconhecida, que foi uma grata surpresa pelo seu traçado e pelo sobe e desce numa reta sem fim.

Esta é a famosa Ponte de Alcantara, ponte românica com quase 2000 anos de existência, que se extende sobre o rio Tejo e que aindo hoje suporta uma massa com um peso bruto de 20t.

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Passamos por ela para ir à povoaçao que lhe da o nome para o pertinente abastecimento das nossas montadas.

59 Ponte de Alcantara

Com o sol a por-se no horizonte, as sombras invadiam pouco a pouco o espaço por onde nos movíamos.
Esta imagem é bom reflexo disso, mas as meninas agradecem que lhes demos o protagonismo, pois sem elas esta passeio seria impossível!

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Despedimo-nos da famosa ponte para voltar pela mesma deliciosa estrada, repleta de curvas e, onde apanhamos a direção de Segura e a fronteira com Portugal, voltar a fazer aquela montanha russa de luzes cintilantes nos espelhos da Maria das Curvas.

61 Jantar

O descanso viria em forma de um jantar num restaurante recomendado pelo Caroço e uma noite de repouso em Idanha a Nova.

62 Gajas a dormir

RIM- Dia do Já Cá Tou!

Para quem não sabe, Maria das Curvas é uma X11 com quase 16 anos e 150000km. Estes km devem-se a uma utilização muito diversificada, mas assente essencialmente no moto turismo. Contudo, depois das Artroses e da chegada de Dorothy, Maria viu-se relegada para as voltinhas esporádicas movidas pela saudade. Era uma maneira de lhe reconhecer mérito e mostrar o meu desejo de nunca a vender.
A sua última grande viagem foi no meu ultimo périplo pela Península, no verão de 2013. Desde então, exceptuando em Maio e Junho de 2014 em que fez sensivelmente 6000km, Maria dedicou-se a voltinhas domingueiras e a ser testemunha das minhas canções do bandido a uma jovem aragonesa.
Foi movido por esse saudosismo que decidi trazer comigo a Maria, arriscando-me a uma avaria inesperada tendo na garagem a Dorothy que oferecia muitas mais garantias. Mas ela estava preparada, com tudo em perfeito funcionamento, Maria estava segura de que iria demonstrar o porque de ter ganhado a minha admiração.

1 Inicio (1)

E sim!
A sua imagem com as alforjas montadas ainda hoje me faz rasgar um sorriso, trazendo-me à memoria tudo o que já vivi com ela, todas as aventuras e desventuras, as toneladas que já carregou e a única vez que me deixou a pé! Que grande suadeira…..
Dia 27 de Maio, dia que começou algo fresco mas solarengo.
Enquanto verificava se não me esquecia de nada, passeava-se diante dos meus olhos um pijama dos Metallica insinuando o seu corpo num claro convite para voltar para a cama.
Resisti, uma e outra vez, porque não é de bom tom fazer esperar a Maria das Curvas e a Laura.
-Laura!?- perguntou surpreendida- Quem é a Laura?
-Lembras-te das Cintas de Nossa Senhora do Pilar que prometer entregar numa povoação do Moncayo? Pois essa senhora que espera pelas cintas chama-se Laura e sabe que hoje vou passar por lá!
-Vais lá de propósito? Não é dar volta?
-Sim, uns 80km de volta, faz-se bem!
Com esta afirmação Carolina volta definitivamente para a cama. Sitio onde lhe dei o ultimo beijo da manhã, sem contudo, ter que oferecer resistência a um abraço com olhar desafiante incluído!
Fica aqui o primeiro conselho desta cronica….
Nunca se despeçam dos vossos problemas na cama!

De Zaragoza a Villarroya de la Sierra são uns 90km, feitos em andamento vivo e quase todos em autovia.
Laura é uma mulher vivida, com muitos km de pendura, trabalhadora e amante de tudo o que tenha duas rodas.
Enquanto lhe explicava o que ia acontecer nos dias seguintes, deliciava-me com um croissante acompanhado por um café com leite, ao mesmo tempo que Laura ia contando algumas das aventuras vividas no seu tempo de viagens. Entreguei as devidas cintas, que são uma especie de hamoleto protector para quem se preze em ser aragones. Não podia ir-me embora sem que lhe fizesse esta foto.

2 Laura

Maria e eu, a sós, de novo!
Pela frente tínhamos quase 300km até á capital, com uma paragem pelo meio para dar de comer ao cavalos. A A2 vai ao longo do vale do Jalon até quase Alcolea del Pinar, onde sobe até aos 1200m acima do nível médio do mar. Depois volta a descer para seguir quase sempre paralela ao Rio Henares, passando por Guadalajara, Meco, Azuqueca de Henares e Alcalá de Henares, até que, passado o cinturão da cidade M40, entras em Madrid pela Calle de Alcala, que desemboca, junto ao Jardin del Retiro numa grande rotunda onde no seu centro estão as portas de Alcalá!

3 Puerta de Alcalá

Mais há frente esta a Deusa Cibeles, onde os “madridistas” celebram os títulos da temporada. Se seguirmos sempre em frente chegamos à mitica Plaza de la Puerta del Sol, onde ainda tentei buscar um enquadramento para a Maria, mas o turistas são realmente uns chatos.
Decidimos dar a “volta ao cavalo” mas facilmente percebi que o meu GPS estava com dificuldades em recalcular a rota e tirar-me dali para fora.
Subitamente senti aquela alegria estranha de estar perdido:
-Agora somos só tu e eu, Maria!
E pus-me a inventar, seguindo de forma indiscriminada o trafico e cortando pelas ruas que, pela sua disposição pareciam as que melhor estavam orientadas para sair da cidade.

4 Palacio de Congreso

Quando vi os Leões do Congresso dos Deputados, não podia deixar de parar e fazer esta foto.
Aqui vive a democracia espanhola.
Ao fundo da rua já encontrei a indicação A5/R5/M30. Era precisamente essa que eu andava há procura, pois passa por debaixo do Calderon, estadio do Atletico de Madrid, equipa pela qual tenho uma estima especial.
Depois a extensa e caótica Av de Andalucia até ao cruzamento com a M40 onde a A5 nos leva a campo aberto e ao restaurante onde nos esperava uma dourada no forno que soube às mil maravilhas.
Sobre a A5, mais conhecida como a “estrada do nunca” (nunca mais acaba, nunca mias lá chego, nunca mais paro, nunca mais…), devo dizer que são 407km que rasgam Castilla la Mancha e a Extremadura em dois e que por experiência própria, não aconselho a ninguém fazer num dia de verão.
No entanto, tem coisas curiosas que merece a pena ver.

5 Tajo

Como a Sierra de Miravete e as famosas curvas desenhadas pela anttigua Nacional V.

6 Curvas de Miravete

Com um aspecto abandonado, um asfalto degradado onde plantas pioneiras aproveitam para desbravar terreno, a Nacional V sobe e desce a encosta da serra desenhando vários ganchos de primeira categoria.

7 Curvas de Miravete

La no alto podemos deslumbrar a oriente e a ocidente.
A oriente a Barragem e Central Nuclear de Almaraz, a ocidente a extensas planícies da Estremadura.
Um momento curto, para contemplar as paisagem, pois não era permitido muitas perdas de tempo.
No entanto algo me faz parar no caminho, ainda no traçado da antiga nacional V.

8 Tres Gerações de Estradas

Depois de Jaraicejo a estrada desce o vale e atravessa o Rio Almonte, onde tirei esta foto. Maria encontra-se sobre uma ponte de fundações romanas, possivelmente por donde passou a estrada romana e depois o caminho real, que com a revolução industrial foi substituída pela ponte que se vê imediatamente a seguir, por onde passa a antiga Nacional V.
Quando no primeiro mandato de Felipe Gonzalez, foram lançadas as primeiras bases para o progresso e modernização das infraestruturas de Espanha, foram construídas grandes Autovias que lentamente foram substituindo as principais nacionais. A ponte que se pode ver de fundo nesta foto é por donde passa a actual A5, que liga Madrid a Portugal.
Apesar da temperatura amena, o cu daqui do menino acusava os primeiros indícios de stress de cu-beduinismo, muito normal acima dos 600km, mas nada que uma paragem para abastecer, com café incluido e três dedos de conversa não suavize.
Parei em Trujillo par abastecer e decidi visitar o castelo. Infelizmente estava fechado, mas a parte antiga e o castelo valem bem a visita.

9 Trujillo

En Trujillo nasceu Francisco Pizarro, que foi para muitos o explorador das terras onde hoje existe a nação do Perú, e para outros o fundador da nacionalidade do Perú.
No entanto e apesar das controvérsias históricas, na Plaza Mayor de Trujillo, rende-se homenagem a este personagem com uma bonita estátua equestre.

10 Conquistador de Peru

Trujillo é sem duvida um sitio onde se deve parar com tempo.
Já de saída, o telefone deixa cair uma notificação do Marco Clara, informando da sua chegada a Estremoz.
Era tempo de cruzar o Guadiana em Mérida e avistar Elvas vigiando Badajoz num horizonte que era já 100% português!
Maria das Curvas voltava assim a pisar solo nacional ao final de dois anos.
E foi uma alegria desatada!

11 Estremoz

E assim terminou o dia do “Já cá tou”, com estas meninas a travarem conhecimento e os respectivos a contar mentiras enquanto não chegassem os gajos das “hortaliças”….

RIM17 – O Geres

O Geres

O dia amanheceu frio, arrepiado e encoberto.
O pessoal congregava-se à volta da mesa para o pequeno almoço sempre na companhia do atento e simpático Sr Brites!
O Carlos comunicava que nos teria que abandonar para se juntar aos problemas para cuidar das preocupações!
Mas mesmo assim, apesar de estar com ar serio e preocupado, mantinha a boa disposição que o caracteriza.

Eu estava muito mais tranquilo e o culpado era este novo sapato que tinha montado no dia anterior.
Hoje, era possivelmente o dia mais lento da RIM, o que pior condições reunia a nível de asfalto e o mais propenso a furos.Ter um pneu literalmente novo era uma garantia que ninguém no grupo podia ter.
Outro que olhava para o pneu da Xuxuzeca, neste cado ao dianteiro, era o Diogo, queixando-se da gradual perda de performance do mesmo.

Mesmo serio e preocupado, Carlos ainda soube gozar com as galinhas do sapato da Dorothy.
-Uma mão de galinhas de cada lado? Não vales nadinha, não curvas mesmo nada!
E foi assim que nos despedimos do Carlos e montamos nos animais para atravessar Chaves e continuar a percorrer a fantástica N103 até Boticas.

O objectivo era a Barragem do Alto Rabagão, que apesar de ofuscado pela marquise do Michel, apresentava aguas cristalinas e em calma, apesar de que as nuvens ameaçassem interromper essa tranquilidade.

O dia estava instável, frio e triste, e isso refletia-se em parte no animo de todos. Havia já no ar aquele sentimento que depois voltaríamos aos de sempre…

O extenso manto de agua deixava que se desenhasse nas suas margens uma estrada repleta de curvas que nos permitiam ver de diferentes perspectivas o entorno.

As curvas iam, uma atras de outra, mudando a paisagem típica transmontana, numa paisagem mais verde e condimentada com arvoredo, própria do Minho!

Tudo isto ajudava a que a diversão, apesar do dia triste, fosse uma constante, curva após curva!

Hoje era dia da Liberdade, 25 de Abril, dia da Revolução dos Cravos, dia de muitos soltarem a franga.

Pelo caminho encontramo-nos com diversos grupos de motociclistas, de todo o tipo de motos, inclusive umas fumarentas de fabrico nacional.

Passado o paredão da barragem do Alto Rabagão, era momento de procurar um posto de abastecimento para saciar as burras (como diria o Marco), para depois entrar em cheio no Parque Natural da Peneda Geres.
E o Geres é conhecido pelo difícil que pode ser de andar por e através dele!
No caminho do Miradouro da Pedra Bela estava uma pitoresca povoação de nome Ermida. É uma típica povoação de agricultores que vivem da agro-pecuaria, cujas casas são construídas em granito, e as ingremes ruelas feitas numa calçada sem padrão e pedras escolhidas ao acaso.

Entramos por uma ruela tão ingreme que eu mesmo duvidei se era por ali e o pior é que a meio a mesma torcia-se de tal forma que dividiu o grupo.

Como se não bastasse a rua continuava a subir!
O Diogo estava entusiasmado com a aventura, mas tínhamos que esperar pelo Nuno e o Miguel (Feiteira) que tinham ficado para tras.
Desmontei da moto, tirei a minha maquina para imortalizar o momento e desci a ladeira a pé a procura do Nuno e do Miguel.
E lá estavam eles, perguntando-se uma ao outro, por donde nos havíamos metido. E eu fiz sinal para que subissem e o Miguel acelarou mas não se atreveu a fazer a curva. Tivemos, entre eu e o Michel, fazer desmontar o Feiteira da mota, para que eu a tirasse dali. Como se fosse pouco, ele tinha o Controlo de Tracção ligado e alquilo foi um aborrecimento total.

Resolvido o pequeno problema, abrimos punho em direcção ao Moradouro da Pedra Bela, pelo meio do verde intenso do arboredo.
O local é propicio a boas fotos, mesmo com um dia cinzento ameaça constante de chuva. Abri o meu saco de deposito e ao ver a bolsa da camara vazia:
-Então!? Onde é que eu deixei a minha camara!? É pessoal, deixei a minha camara lá em baixo.
-Eu vi-te com ela na mão quando foste ajudar o Feiteira- disse a Eli.
-Pois foi! É pá Rui volta lá, que com sorte ainda a encontras!
E assim fui, incentivado pelo pessoal, montei na Dorothy e desci o monte.
Tarde demais.
Nem camara e, o que é o pior de tudo, nem as minhas fotos.

Menos mal que Eli tem jeito para a fotografia e conseguiu reproduzir fielmente, não só o dia aborrecido que fazia, mas também a belíssima paisagem que se pode ver.
Perdi uma camara a ajudar um companheiro, num acto de salvar alguém de um apuro e deixar para tras tudo. Nunca mais me lembrei da camara e fiquei triste pelo sucedido, mas não me arrependo de o ter feito.
Isto faz-me lembrar uma passagem entre dois viajantes inexperientes, um porque não sabia andar de mota e outro porque era tão distraído que não se provia em terra dos meios necessários. O segundo ajudou o primeiro em tudo o que pode, mas quando o segundo pediu por ajuda, o segundo deu a volta e abandonou-o à sua sorte.
Por estas e por outras historias ouvidas por aí, é que eu tento sempre ajudar toda a gente e ser humilde o suficiente para aceitar a ajuda e, caso necessário, pedir por ajuda.
Voltaria a perder mil camaras, se fosse necessário, para ajudar quem quer que fosse.
Neste caso foi o Feiteira, como foi o Marco na sua avaria, mas o que é certo é que comigo não se abandona ninguém há sua sorte!

Geres é sinal de verde!
Principalmente nas zonas que não ardem no flagelo dos incêndios de cada Verão!

Para haver verde tem que haver agua, e o Geres é testemunha das capacidades paisagísticas que este elemento tem!
Existem um sem numero de sítios que merecem uma vista atenta e descontraída.

Depois a fauna, boa parte deles protegidos, como os garranos, outros, como esta anfitriã, anda em liberdade por onde menos esperamos.
Alguns ainda nos olham de espanto como se fossemos um palácio.
Andamos assim, entre Portugal e Espanha, até encontrarmos um sitio onde saciar o estomago e decidir o que fazer, pois ir a Castro Laboreiro estava dependente de como evoluía o tempo.
A estrada do Lindoso foi a melhor sobremesa que podíamos ter tido. Quando apanhamos direcção a Soajo tínhamos as motas todas com os cavalos com a língua de fora! Quer dizer….
Excepção feita ao de sempre que cada vez que chegava ao pé da gente víamos como os cavalos da sua montada escreviam as cartas de suicídio.
Na estrada até ao santuário ainda houve umas boas abertas, mas foi sol de pouca dura e quando vi o jovem casal à procura de mantas e cobertores na mala do repolho percebi que o melhor era ir para casa.

Fazia frio, uns 14 ºC, ameaçava chover e no cruzamento para Castro Laboreiro víamos como uma densa nevoa subia o monte….

Era momento de reunir e debater o que se devia fazer, embora eu tivesse uma pequena esperança de que o pessoal alinhasse em subir a Castro Laboreiro para depois descer o Lindoso com muita raiva.
Mas não dava, havia ainda alguém que tinha que ir dormir a Lisboa e o relogio não parou para ajudar, o frio, o nevoeiro e algum cansaço acumulado levou o grupo a decidir rumar a sul!

Até o ranhoso do cupido ajudou ao marcar a Dorothy como a moto mais bonita desta RIM!

E claro, os invejosos não perderam pela demora em enfeitar-me o capacete!
Voltamo-nos a reunir para abastecimento na Area de Serviço de Barcelos para as despedidas finais.
Tinham sido 4 dias muito bons, com aventuras e desventuras, memorias que nos farão rir no futuro, que serviram para fortalecer amizades e assentar as bases de novas amizades.
Mais de mil km, desde o Porto até Melgaço, por sítios onde muito poucos pensaram que iam passar, com sítios que deixaram saudades e que de certo serão visitados novamente no futuro.
O meu sincero agradecimento ao Michel pela ajuda na organização, assim como a todos e cada um dos RIMistas que participaram nesta edição da Rota Internacional Motonliners.pt.
Para o ano há mais! Boas Curvas!

RIM 17 – O Lago de Sanabria

Este dia começou muito antes deste evento.
Mais ou menos uns 15 dias antes com uma chamada telefónica.
-Estou!
-Onde é que o moina anda?
– A caminho de casa!
-Olha pá, o veterinário disse que me vai operar no dia 24!
-Pronto velho! Ali estarei!
-Para quê!? Não tinhas uma volta de mota combinada?
– Sim pai, mas uma vez que estas internado….
– Hei! Nada de dramas! Tu vais ao que tens que ir, eu vou estar nas mãos dos médicos e não nas tuas, felizmente!
E foi assim que ficamos, eu e o meu pai, apesar de me ter precavido que a minha mãe não estaria só naquele momento, só fiquei dispensado de estar na RIM caso a operação corresse mal e tivéssemos que enrolar o meu pai num lençol e joga-lo no fundo do poço do quintal lá de casa (a pedido expresso dele).
Era obvio que quando me levantei naquela manhã em Zamora, o primeiro que me veio à cabeça foi o meu mentor, entubado e sedado, sendo talhado por bisturis e instrumentos de formas estranhas. O meu duche matinal foi um misto de pensamentos, entre rever o que tínhamos para hoje, o meu pai e uma preocupação crescente, que era o estado de degradação do pneu traseiro de Dorothy!

Mais uma manhã de RIM!?
Mais uma manhã de boa disposição!
O primeiro objectivo, depois de tudo acondicionado, era dar de comer aos animais, no posto de abastecimento mais perto, que a Xuxuzeca estava já a vapores!
Depois era o nosso estomago….

Bem!
Pensando bem, e antes que o Nuno nos vomite em cima, fomos ver aquele monte de pedras velhas ali ao fundo!

Embora aqui não se veja, mas ele aqui já estava na variação de verde para purpura e não parava de protestar!
É só uma Foto Nuno!

Ao parecer a CB do Nuno é solidaria com a sua alergia a pedras velhas e ficou adiantada no caso de for necessário dar de frosques!

Castrotorafe foi outrora um castro da linha de defesa de Castela, defendendo o reino das incursões de Portugal.
Hoje em dia apenas restam as ruinas do que foi o castelo.

Mas foi motivo suficiente para fazermos uma foto de grupo!
Aqui vê-se perfeitamente o efeito tranquilizante das gomas do Diogo, uma vez eu o Nuno já tem uma cor normal!

Ao longe, para lá do amontoado das pedras velhas, as aguas da Barragem de Ricobayo!

Vamos lá embora pessoal!
Agora sim!
Podiamos ir tomar o pequeno almoço!

As tostas de tomate e azeite, as sandochas de presunto e os cafés voaram num instante!
E as conversas entre o pessoal pareciam não ter fim!
Quase que era preciso arrasta-los para as motas, porque nem com o aliciante das curvas que ainda estavam por fazer, eles lá iam!
E o que veio a seguir foram umas estradas manhosas, estreitas mas com um piso do melhor, que subiam o monte até assentar num planalto que deixava ver bem alem no horizonte!

Esse mesmo horizonte, que depois de mais uma barrigada de curvas, nos levaria à bonita aldeia-fronteira de Rio de Honor!

A aldeia, atravessada pelo rio Onor, é uma pitoresca vila fronteiriça que tem a particularidade de estar mesmo na fronteira física de ambos os países.

Paramos para beber um refrigério!

E conhecer a povoação!

Que ao parecer ainda oferece todos os serviços ao estilo tradicional!

Tudo isto num ambiente bastante relaxante!

Com o murmulho das aguas do rio de fundo. 

Um sitio porreiro para um fim de semana de namoro!

Decidimos atravessar a fronteira, mas desta vez de uma forma original, fizemos a travessia do “arame farpado” a pé!

O xisto e o granito!
O cinzento, junto de um castanho ferroso que garante o calor para as largas noites de inverno….
Rio de Onor ficou no meu pensamento como um excelente sitio para campamento base para uma visita demorada para o que se segue!
Voltamos à estrada com o objectivo de sentar os pés debaixo da mesa antes do momento alto de hoje.
Por aqui não faltam curvas e as estradas tecem uma teia de traços cinzentos que agarram e envolvem os montes.
A cada cruzamento a pergunta repetia-se…
Quem é que falta!?

Cá está o gajo!

E o ceu pinta-se de negro ameaçante….

…chegando mesmo a cair alguma gota, aqui e ali!

O povo que roubou o nome ao lago, banhado pelas agua do rio Tera, onde procuraríamos onde comer!

Mas não sem antes eu fazer uma das minhas inversões de sentido!
Que eu curto bué ver o pessoal andar às voltas!
E depois tenho que tentar saber noticias do meu velho.
De facto já tinham tentado telefonar…

Enquanto o Nuno tentava saber se havia mais castelos para visitar nesta edição da RIM, do outro lado do telefone o meu irmão contava-me que a operação tinha sido um êxito, que o meu pai encontrava-se bem e que não me preocupasse porque estava bem atendido!

Prontos pessoal!
Já podemos ir almoçar….
Sentamo-nos numa mesa improvisada, numa esplanada e comemos sem pressa, contando peripécias de outras andanças, misturadas com perguntas sobre o que faltava visitar neste dia.
A minha preocupação pelo pneu da Dorothy era quase sempre acompanhado com um “convincente” “isso tem muita borracha!” do Nuno!
Depois do café, voltamos à estrada para entrar de cheio no Parque Natural do Lago de Sanabria.
Para já, o objectivo era visitar Ribadelago, povoação que foi vitima do rebentamento de uma presa (Vega de Tera), que a destruiu por completo e matou 144 dos seus habitantes!

Este é o memorial às vitimas, e esta era a forma, mais ou menos expressiva, que eu utilizava para explicar o sucedido ao Michel!

Momento de ouro, captado pela Eli!

Foto do grupo, antes de subir o monte para ver o lago!

Sem duvida uma paisagem inesquecível!

Mais uma oportunidade para o pessoal descontrair!
Só faltava agora, uma foto ali em baixo, no convento com aquela fachada gótica e tal!
Tudo isto enquanto o Nuno protestava e o Diogo o tentava com umas gomas!

Estas a ver Nuno, assim nem custa tanto!
Muito boa foto da autoria do Carlos!
-Vamos lá embora pessoal! Toca a despachar!
Por incrível que pareça isto eram palavras do Nuno!

De aqui até Chaves eram uns 120km (mais ou menos), onde as retas se resumiam a uns 3 ou 4 kms de IP4 em Bragança, psrs depois completar o trajecto até chaves pela estupenda e divertidíssima N103. Trajecto em que vamos ver o Feiteira revelar-se!

A maior parte destas imagens foram tiradas a bordo desta maquina, cujos ocupantes não valem nadinha, mas pronto, um gajo tem que sofrer!

Aqui os temos em primeiro plano numa das muitas paragens para por a conversa em dia.
– Quem é que falta!?
– Falta o Feiteira, que foi andando!
– A gente já o apanha!

E as curvas sucederam-se umas às outras, km a fio…

O sol já se despedia de nós quando o chegamos a Chaves!
Cansados mas felizes, fartos de curvas e desejando um bom jantar!

-Quem é que falta!?

Foi a primeira pergunta que me fez o Feiteira, porque conseguiu chegar a Chaves bem à frente de qualquer um de nós, graças à constancia e regularidade do seu andamento que serve para nos recordar que devagar se vai ao longe!

– É pá Rui!- disse o Michel- Estava ali um stand da KTM, queres ver se tem lá um pneu para a Dorothy!?
– Nem é tarde nem é cedo! Bora lá!

E foi assim que, num golpe de sorte, troquei o sapato à Dorothy!
Tinha assim garantida a minha participação até o fim do evento!
Tanta sorte não teve o Carlos, pois chegavam-lhe noticias de que ambas as preocupações estavam doentes e que a MJ já não tinha mãos a medir…
O jantar foi bem regado por um vinho da região, apimentado pela conversa de sempre, convívio bastante saudável, carne, bacalhau e a amabilidade do sr Brites, que tão bem nos acolheu no seu hotel!
Amanhã era o ultimo dia deste evento que já estava bem gravado nas memorias dos que nele participaram!

RIM17 – O Douro Internacional

Eram pouco mais das 6 da manhã quando os primeiros raios de luz iluminaram o quarto e despertando aqui o menino.
As voltas na cama foram acompanhadas com a revisão dos planos que tinha para hoje.
“Dar milho aos pitos, um par de sarralhas às coelhas….
Espera aí!
Onde é que eu estou?”
Levantei-me e espreitei pela janela e o primeiro que vi foi a Dorothy.
Prontos, já sabia onde estava.
Então o melhor é ir ver se esta tudo bem com o GPS e foi então que o gajo me mandou à volta. Por duas vezes seguidas me disse que não era possível calcular uma rota!
Enrosquei-me outra vez nas mantas e pouco a pouco fui-lhe dizendo por donde é que nos tinha que levar durante aquele dia!

Não fui o único a levantar-se cedo, o Diogo e o Luis aproveitaram-se logo do meu compressor para ver a pressão de ar dos pneus!

A segunda preocupação do dia foi ver se estava tudo no seu sitio!
Estavam todas e isso foi um descanso!
No restaurante do complexo Aldeaduero já nos tinham preparado uma mesa de pequeno almoço, que pouco a pouco ia congregando os RIMistas, uns mais ensonados que outros!

Durante o pequeno almoço, o Marco pôs o seu mapa em cima da mesa.

Se calhar o que se pretendia era que eu não tratasse do meu estomago. Mas a verdade é que ver um mapa à minha frente é sempre um aliciante.
Era tempo de lançar as bases da RIM do ano de 2018 e então concordamos que iriamos a um sitio qualquer, mais ou menos, dentro da península quando se estimasse oportuno!

A proposta foi ouvida com atenção e interesse, suscitando a participação de todos, principalmente a do Nuno que declarou algo do género:
-Com que não me levem a ver Castelos, por mim tudo bem!

Contas feitas, motos preparadas era tempo de subir o monte e procurar outro bem de primeira necessidade (gasolina).

Não antes de parar para ver o que a paisagem nos tinha para oferecer!

Por ali, por entre os montes, passa o anfitrião do dia de ontem e de hoje.

E foi aqui que atestamos os animais.
A certa altura, vejo o Carlos apressado a empurrar a mota:
-O que é que se passa!?- perguntou o Anjinho LoneRider apoiando-se no meu ombro direito- A Mota do Carlos não arranca?
-Eh! Eh! Eh!- sorriu com malicia o diabinho LoneRider- Consegue ser mais rápido a empurrar a mota que a conduzi-la!
-Depressa!!! Agua!!!- dizia o Carlos- Caiu-me gasolina na correia!!!
-Chega-lhe o fogo! – disse o diabinho LoneRider….
Acabamos todos a ajudar o Carlos e a Blu, com uma maquina de pressão a jogar agua em abundancia na correia de transmissão da Ventoinha!

Saindo de Lumbrales, já com as motas devidamente atestadas, as retas convidavam a uma condução relaxada para aproveitar o ar fresco da manhã!
Mas foi sol de pouca dura e a depressão até ao Douro obrigou a estrada a traçar vários km de descida técnica até à reentrada em Portugal.

Estávamos de volta a Barca D’Alva, cruzando o Douro, para voltar a subir os montes em procura de paisagens.

Primeiro fomos paralelos ao rio, à procura de uma estrada dessas sem jeito nenhum, que só de olhar para elas dá medo…
Como, quando a estrada tinha muitas curvas, tínhamos que esperar pelo Feiteira, os reagrupamentos ajudavam a que o pessoal tivesse um pouco uma noção de que eu, às vezes, não tinha a mais mínima ideia do que andava a fazer.
Isto de andar fora da Lei de Deus tem as suas coisas!

Ora então a estrada, que não se vê nesta foto, nada mais começar a subir tinha duas crateras lunares que adivinhava ser uma coisa medonha.
Que se lixe!
Ontem fizemos umas quantas inversões de marcha, se tivermos que fazer mais uma, não deve fazer diferença.
Bota lá para o caldeirão!

Aqui está ela, tínhamos uma estrada pendurada na encosta escarpada de uma garganta esculpida por um riacho que correia lá bem no fundo!
Era paisagens o que queríamos!?
Pois toma lá paisagens!

E o melhor de tudo, embora aqui e ali se mostrasse degradada, a estrada era perfeitamente praticável, estreita, sinuosa, mas perfeitamente praticável.

Para já, valia bem a pena ter redesenhado o mapa de hoje!
Existem males que veem por bens!

Mas a estrada acabou, e a paisagem deslumbrante também e terminamos todos num cruzamento a fazer a mesma pergunta de sempre.

Quem é que falta!?

Penedo Durão!
Tudo perfeito, só mesmo voltar pelo mesmo caminho é que é chato!

E com o sol já a aquecer, o pessoal procurava a sombra para o convívio do costume!
Aqui vemos o Diogo triste, depois de lhe termos comido a provisões de gomas para o dia!

Vamos embora pessoal!
Isto soava como o “all aboard” das cenas dos comboios a vapor dos filmes sobre a revolução industrial.
Pouco depois de arrancarmos, quando voltávamos literalmente para tras, parei mesmo na convergência de um caminho, que descia o monte até uns vinhedos distantes.
Chamei o Carlos e disse-lhe:
-Temos que descer por aqui! Achas que és capaz!?
-Por aqui!? Estas louco…. – o Nuno, que estava montado na sua mota à minha esquerda, espreita para ver o que indicava o meu GPS e mostra a sua surpresa.
-Mas olha Carlos que é mesmo por aqui que temos que ir!
Perplexo o Carlos olhava para o caminho pensando já nos plásticos da Blu!
Era obvio que não iriamos por ali, que o meu GPS tinha enlouquecido de vez, mas gostei de ver o Carlos com um nó na garganta.
Seguimos até Freixo de Espada à Cinta, onde o meu GPS quis renovar a sua dose de protagonismo e nos obrigou a dar umas quantas voltas dentro da Vila.
O objectivo era completar o cardápio de tipos de pisos desta edição da RIM com uma calçada romana.
Sim, o acaso levou-nos a uma saída da vila, que por ser tão especial, havia um cartaz que pedia especial atenção para não danificar uma calçada que era um monumento.
Não eram mais de 30m de calçada, feita de lajes de calcario, dispostas num padrão muito similar ao dos tijolos da parede e que estavam assim dispostas há mais de 1000 anos.
Para alem do asfalto, tínhamos calçada granítica, calcaria e agora calçada romana!

É disto que eu gosto!
Salvo que nos tenhamos que cruzar com um carro…
Sim, porque a estrada não deve ter largura para facilitar a manobra!

Quase que aposto que haveria alguém do grupo a perguntar:
-E agora!? Para onde é que este nos leva!?

Vamos ver o Douro pá!
Já sei que ele já estava muito visto nas ultimas 36h, mas para a maior parte de vocês, vai ser difícil voltar a vê-lo em breve.
A interioridade às vezes cria um habitat cuja intervenção do homem não é abusiva e o turismo se reduz a uns quantos pontos que saem nas guias. A minha ideia é de explorar esta interioridade, sair dos roteiros e encontrar sítios onde a pouca intervenção do homem nos faça estar realmente longe de tudo.

Apesar de haver agricultura, as estradas estreitas, que descem a encosta, os barcos de recreio no Douro, aposto que para alguns de vocês a paz vos inundou e estiveram, embora que por momentos, longe de problemas, preocupações da vida, e das rotinas que se vive cada dia, todos os dias.

E pronto!
Com tanta paz envolvente, lá vem o “Vadio” fazer das suas!

Com esta foto de grupo dávamos como finalizada a participação do Rio Douro, na RIM deste ano!
Embora o fossemos atravessar mais a frente, tratava-se apenas de uma travessia sem qualquer importância.
Como já íamos um pouco a contra relogio, decidimos não descer à Barragem da Bemposta para apanhar o IC5 que nos levaria directos ao Restaurante Balbina em Miranda do Douro.

E em Miranda o que é que se come?

Eu preferi Bacalhau!
Mas eu tenho desculpa, porque estou fora do meu país e estou a fazer dieta, etc e tal!
Este almoço cheirava a despedida, pois aqui três dos nove elementos, dariam a volta ao cavalo, para regressar a casa, por terem compromissos nas suas vidas.
Vidas complicadas, que devemos saber respeitar, apesar de sentir pesar por nos deixarem.
Foram, em todo momento uma excelente companhia, marcando a estreia do Tiago nestas andanças do moto turismo, tendo tido um prazer especial por conhecer o Luis e, que dizer do Marco….
Tenho que tentar não adivinhar os aniversários das suas preocupações!
Despedidas feitas, os que ainda ficávamos, eu, o Diogo, o Michel e a Eli, o Carlos e….
Quem é que falta!?
É pá Feiteira, estas aí?
Pois…
Fomos todos até Zamora!

Zamora é uma cidade importante na historia do nosso país.
Foi aqui que no dia 5 de Outubro de 1143 que os Reis de Castela e Portugal assinaram o tratado que reconhecia o Reino de Portugal como uma nação independente!

A ideia era fazer uma visita ao centro da cidade para ver aquilo que o Nuno mais gostava.
Castelos, ermitas, capela, igrejas e catedrais, o Nuno vibrava de emoção, até se via envelhecer!

Eu ainda insistia, para que o pessoal evitasse o magnetismo das esplanadas, mas foi quase impossível evitar e terminamos por começara a ver quais eram as esplanadas que tinham melhores ofertas!

O Carlos ainda me ajudou, tentando socorrer-se da arquitectura para dar um bom motivo para andarmos um pouco mais, mas para alem do magnetismo das esplanadas também havia sede.

Este é o único casal da RIM de este ano.
Podia começar com piadas fáceis, mas não seria justo.
Como se pode ver, estão à altura um do outro, são bué simpáticos e o espirito que ambos têm faz-se sentir. Conheço alguns casais assim no mundo das motos e é um privilegio conhecer gente assim!
Bem hajam!

Como não podia deixar de ser, terminamos todos a contar mentiras numa esplanada, enquanto esperávamos pelo jantar!
Mais uma noite entretida, em excelente companhia e conversas que, se não fosse o mesmo de sempre, tinham durado a noite toda!
Vamos embora Pessoal!
Xixi e cama!

RIM 17 – O Vale do Douro

O Vale do Douro

O dia levantou-se cheio de sol e um forte odor a torradas queimadas.
Esperavam-nos um dia cheio de curvas, mais de 300km por estradas que poucos deviam conhecer. Todo o dia transcorreria sobre dois eixos , a N222 e o rio Douro. Uma proporcionava as curvas e o outro as paisagens e o motivo pelo qual 12 motos se juntaram na Galp da rotunda do Freixo.

O ambiente era de reencontro, pessoal que não se via à algum tempo, aproveitava para contar as novidades e por as noticias em dia.

As motos ocupavam boa parte do posto de abastecimento, e o pessoal trocava impressões sobre o que seria esta RIM.
Este ano a RIM repetia todos os participantes do ano passado e juntava 5 participantes mais a lista dos ilustres RIMistas. Ao Carlos, Marco, Diogo, Michel e à minha pessoa, juntava-se a cara metade do Michel, a Eli, o Tiago, o Nuno, o Feiteira e o Luís!
À comitiva, juntavam-se também o Carlos (Kok), o Miguel (Inc_pt) e o Marazzi (que entretanto esqueci o nome), fazendo assim um grupo já numeroso para o que se propunha.
Saídos da Galp do Freixo, a N108 proporcionava curvas e bom piso para que o grupo se pudesse esticar ao longo da margem norte do rio Douro. Eu tinha intenção de fazer o grupo despachar-se, saímos atrasados e a estrada ajudava a que Dorothy deixasse no asfalto o seu binário a cada curva.
Depois de uma paragem numa rotunda o Michel, no meio de um sorriso disse:
– Se continuamos a este ritmo o grupo não aguenta!
Embora tivesse a sua razão, sabia que isso dificilmente aconteceria, dado que as estradas “más”, de calçada e estreias nos iriam fazer abrandar o passo.

E assim foi, depois de Lever, embora que uma estrada larga, mas com um piso em calçada granítica, contribuiu para que o grupo rodasse mais coeso.

Parar para reagrupar depois de dois ou três km de curvas era normal, uma vez que existiam membros do grupo que tinham uma toada mais calma, assim como sentiam ainda algumas dificuldades para seguir o ritmo.
Castelo de Paiva marcou a primeira paragem do grupo para refrescar a garganta, pois o sol já fazia das suas.

Este era o ambiente vivido pelo grupo enquanto eu contava as cabeças para poder reservar uma mesa num no Veladouro no Pinhão.
A coisa não correu bem, pois o proprietário só nos garantia a mesa até às 13h30m e isso fazia pensar que talvez necessitássemos de fazer ajustes ao plano inicial.

Foi então que o pessoal ouviu pela primeira vez uma frase de ordem repetida varias vezes ao longo desta RIM.
“Vamos lá embora pessoal!”

Era consciente das centenas de curvas que nos separavam do Pinhão e começava a por em causa a visita ao Miradouro da Galafura para encurtar distâncias.

Ao longo do trajecto o Douro jogava às escondidas connosco, aparecendo aqui e ali, quase sempre adornando paisagens idílicas.

Enquanto isso o grupo disfrutava do excelente traçado e asfalto da N222, a melhor estrada para andar de mota de todo o Mundo.

Mais uma curva, das tantas que já tínhamos feito…..

Mas nem tudo foi fácil.

A estrada que vemos na esquerda estava cortada por obras, obrigando-me a buscar uma alternativa.
Com o GPS completamente baralhado, tive que recorrer ao meu instinto de navegação para orientar o grupo na direcção correcta. Outra perda de tempo que nos impedia definitivamente de ir ver as maravilhosas paisagens da Galafura.

Enquanto ia definindo o caminho a percorrer, o pessoal parecia continuar a curtir o dia como mostra a boa disposição do Carlos.

Mais uma paragem para reagrupamento.
Local onde comuniquei que já não íamos à Galafura e que o objectivo era estar antes da 13h30m no Pinhão para almoçar.

No entanto, o Douro nunca nos deixava de surpreender, espreitando por entre os socalcos vinhateiros.

(post2)

Já sem abandonar a N222, dedicamo-nos a fazer as curvas, aproveitando para tirar partido das excelentes condições climatéricas para gozar do “verde primavera” e deixar borracha no asfalto!

Borracha que ameaçava em acabar-se que o asfalto continuasse a aquecer.

Mais uma paragem, depois de mais uns km onde os de sempre aproveitavam para curtir as curvas.
Era bom voltar a ver o Diogo a sorrir, a boa disposição do Marco e o Nuno com aquele ar descontraído por detrás do seu Nexx.
Normalmente olhava para trás e perguntava:

-Quem é que falta!?

Mais umas curvas, mais uma oportunidade para curtir a estrada.
A dado momento, dando liverdade ao Nuno, pedi-he a ele que fossem em frente, em direcção ao Pinhão, que buscasse o restaurante Veladouro e que avisasse que a nossa chegada estava para breve.
E la vai ele, reta adiante até ao cruzamento, onde se detem, volta para trás e diz:
– É pá o Pinhão é para trás!!
– Não é nada diz o Michel, no cruzamento onde deste a volta, segues pela esquerda e é sempre em frente!
Foi então que percebi que o Nuno tem a bussola estragada!
Mas seguiu o caminho e foi tentar cumprir a sua tarefa encomendada.

E a N222 transformou-se numa enorme reta que corria paralela ao Douro.

O aglomerado de casa que se vê ao fundo era a bonita vila do Pinhão, íamos mesmo no limite do tempo, eu esperava que o Nuno tivesse encontrado o restaurante e já nos esperasse de loira na mão!
Mas à entrada encontramos o Nuno a dizer que ninguém conhecia o restaurante.
Ao dizer o nome do mesmo ao senhor que trabalhava no posto de abastecimento, o senhor soube logo informar a localização do restaurante!
Esta visto, se te queres perder, o Nuno é a melhor companhia!

Sombras preciosas!

O pessoal a preparar-se para o chop chop!

Como a própria Eli disse eu era o “Cap de Tabla”.
A única presença feminina do grupo, autora de muitas das imagens que podemos apreciar nesta cronica.

O sorriso matreiro do “Vadio” enquanto eu explicava ao Nuno como se orientar quando já se estar perdido:
-Estas a ver uma estrada!?
-Sim!- dizia o Nuno atento.
-Pois não tem nada a ver!

Para aqueles que não sabem a verdade, só vos tenho a dizer que a minha cicatriz não tem nada a ver com as motos, mas que a pala disso ainda existe por aí alguém que jura a pés juntos que a minha orelha direita não é minha, mas sim um implante!
A T-Shirt do Inferno é oficial!
O almoço foi um misto de polvo e nacos de carne na brasa, com a saladinha do costume e uma algazarra animada que não cessou em nenhum momento!

Depois do café o grupo reuniu-se para que o Carlos fizeste esta foto. Muito Bom!

Esta foi a Foto de despedida do Pinhão, e pouco depois, nas bombas, aproveitamos e despedimo-nos dos três morcões que nos fizeram companhia, o Kok, o Marazzi e o Inc_pt.
Muito obrigado pela excelente companhia, espero que se tenham divertido e se precisarem de alguma coisa….
COMPREM!

Ainda nas bombas, a Ventoinha do Marco deve ter visto que o liquido locomotor era de má qualidade, porque vomitou duas vezes. Lá se foram as medias para o galheiro!

Depois do almoço veio a sobremesa sob a forma de um carrocel de curvas que subiam o monte, deixando para tras o rio e metendo-nos em cheio no meio dos vinhedos onde se madura a fruta que dá origem a um dos vinhos mais famosos do Mundo.

Mais uma excelente e oportuna foto da Eli, que por arte e magia conseguiu captar o grupo todo a negociar uma chicane rápida.

(Post 3)

Esta foto foi premeditada e foi alvo de motivo de galhofa, com calçada à mistura, ventoinhas avariadas e o descobrimento de que o Nuno não gostava de castelos, ermidas e demais construções seculares. Entendo agora porque não quis participara na primeira RIM.
Mas aqui, no Miradouro de Santa Marinha, a perspectiva sobre o Douro vinhateiro é muito boa para explicar como se processa a produção do vinho do porto.
Dizer que as plantas têm um clima privilegiado, frio no inverno e luminoso no verão, com agua abundante, mas terreno escorrido, uma vez que estas estão plantadas nas encostas das margens do Douro, que são trabalhadas para formar os famosos socalcos e permitir assim rentabilizar o espaço existente.
Aqui, nestas encostas, se produz o fruto, que depois da vindima é triturado nos lagares e embarcado nos barcos Rebelo para que este seja acondicionado nas caves onde se processa a maduração do vinho.
No sec XVIII e XVIV os ingleses souberam bem aproveitar o sabor adocicado e aveludado do vinho para ganhar muito dinheiro tornando mundialmente famoso este vinho.

A fácil acessibilidade através do Douro, um dos protagonistas de hoje, o facto de que este vinho podia ser bebido por todos e de os ingleses dominarem já o comercio mundial, ajudou a que a paisagem se transformasse e a que em termo económicos o Douro ajudasse a fixar a população no interior montanhoso do pais.

Esta foto serve para duas coisas.
Terminar com a seca que vos estou a escrever e tentar dar a entender ao Carlos que a Blu ficou muito mal nesta fotografia.

Aqui começa o momento alto da tarde!
O que se seguia, vai ser escrito pela primeira vez nos pergaminhos da historia do motociclismo porque, perdoem-me a falta de modéstia, não creio possível que estas estrdas tivessem sido percorridas por pessoal de mota, de forma intencionada e premeditada como o foi com o Grupo que formou a comitiva Rim deste ano.

A estrada vem no mapa, mas convem ampliar muito para que se veja!
Estreita, suja e de aspecto descuidado, começou por uma descida suave em direcção ao Douro.

Mas quando os cotevelos começaram a aparecer e a exigência de pilotagem começou a levar-se, o grupo tratou de rodar coeso e disfrutar das curvas e paisagens tudo o que pode!

E lá estava ele, o Douro, omnipresente, testemunhando a alegria que nos dava estar ali.
A certa altura….

-Como é que é Nuno? Estas a gostar!?
-É pá, isto é uma estrada jeitosa! Onde é que vais desencantar isto?

Estavamos a descer sem dó em direcção ao Douro, e a inclinação chegoua ser tão grande que esta imagem não faz justiça ao que se viveu!

E como se pode ver, a estrada continuou assim por um bom punhado de km, até ao Douro estar tão perto que não nos restava outra coisa que não fosse subir!

Paragem para verificar que o pessoal continuava a curtir!

A estrada subiu até transformar o Douro num fio de agua, mas este sabe bem do magnetismo que exerce sobre quem os visita, e o grupo não pode evitar de fazer os mais de 20km de curvas encadeadas umas nas outras até ao paredão da barragem da Valeira onde o atravessaríamos para voltar a subir, abandonando-o momentaneamente!

Quem é que falta?
O Feiteira levava muito a serio aquilo de contemplar as paisagens e condenava ao mais profundo aborrecimento a Cross Runner que conduzia. Eu acho que ela até se tornou mais opaca de tanto aborrecimento.

Mas sabia que havia pessoal sedento por uma loira ou por um “refrigério”, assim a passagem por São João da Pesqueira foi a desculpa perfeita para parar os animais e tratar dos Jinetes!

Quando chegou o momento de voltar à estrada, a sempre disponível N222, mostrou-nos uma fase transitória, onde os vinhedos davam lugar a uma paisagem mais rochosa e arida.

post4

Olhei para a estreita estrada, os sinais indicavam uma ermida e lá ao longe a edificação deixava-se ver.

-Vamos!?
-Rui, tu é que sabes!- disse o Diogo com sorriso matreiro….

E foi então que a Dorothy abriu caminho, orientando o pessoal para a aventura!
Era um promontório que deixava ver paisagens sombrias pelo entardecer, com tudo o que o Carlos adorava para lá chegar. Sim, porque todos sabemos que o Carlos não sai de casa na Blu se a intenção não é fazer uns quantos km de calçada e outros tantos de todo terreno!

Entre bocas foleiras e piadas improvisadas, o local serviu para fazer umas das imagens desta RIM.
Este primeiro dia estava a ser muito bom para que as amizades se fortalecessem, permitindo aos que se estreavam nestas andanças se integrassem sem dificuldades!

E assim foi!
Numa demonstração de equilíbrio dinâmico, a camara do Marco imortalizou o grupo!
Da esquerda para a direita, Carlos (F800ST), Nuno (CB900F), Diogo (Z750), Rui (VFR1200F), Marco (F800R), Tiago (F800R), Luis (VFR800X), Eli e Michel (Versys 1000), Miguel (VFR800X).

Lentamente a tarde ia-nos avisando de que o sol já padecia de sonolência, mas as estradas totalmente curvilíneas teimavam em rasgar sorrisos por detrás do capacete!

As paisagens já tinham abandonado os vinhedos como manto. Agora as rochas e as arvores de fruto eram a predominância.

Essas, as Curvas, nunca nos abandonaram!

Assim como o Douro, que de vez em quando nos recordava da sua presença.

Já tínhamos abandonado a N222 e perdemo-nos por umas estradas secundarias, de bom piso, que nos levariam por entre os montes até Barca de Alva.

No entanto, havia sempre espaço para momentos de brincadeira, com o pessoal a saudar a camara sempre que esta se dispunha a fotografar!

Barca de Alva, com o sol a esconder-se por de Trás-Os-Montes.
Faltavam-nos 25km para Salto de Saucelle, onde iriamos pernoitar. Vinte e cinco km’s de pura diversão com o Douro de fundo.

Assim estávamos de contente os primeiros em chegar, que diga-se de passagem, pouco tempo estiveram sós.

Estávamos cansados mas muito animados, tinha sido um dia repleto de curvas, paisagens e momentos de confraternização.
O Luis, um tipo com bem mais de cinco seculos vividos e uma bagagem de vida enorme, começava a sorrir, a entender a dinâmica da coisa.
Foi uma grata surpresa a sua companhia na RIM!

Terminamos todos nesta mesa, entre Bacalhau e Espargos Trigueiros, com o Benfica de fundo e, como não podia de ser, o Carajillo com “cheiro” a Bushmills do Luis para alegrar o pessoal.
Por mim, todos os dias podiam ser como este!

RIM 17 – A Francesinha

A Rota Internacional Motonliners.pt, edição de 2017 começa oficialmente aqui.

Este é o Hard Drivers, local conhecido pelas suas Francesinhas e directamente ligado ao mundo das motas. O próprio restaurante, para alem de tratar do estomago dos clientes, tem uma oficina para intervenções , quer de rotina , quer de costumização de motos.

Para que todos se sintam em casa, clientes e motas, a decoração tem um ar motard onde elas (as motas) são elemento de decoração de destaque.

Mas antes de chegarmos aqui, a algazarra começou um par de horas antes, uns km mais a norte, no Cais de Gaia.

Faltava o Michel e a Eli, que estavam a caminho, pelo que o pessoal decidiu fazer tempo e sentar-se na esplanada.

Deste lado as cascaveis, e de frente….

…os escorpiões!
Estava assim garantida uma excelente sessão de frases envenenadas, bocas foleiras e gargalhadas a condizer.
Eu tive que abandonar a “arena” para ajudar o Michel com o Check In e depois leva-los ao Hard Drivers onde o grupo ser reuniria ao Fabio e à Celia que já lá estavam à espera do pessoal!

Seguramente que, ao verem o espalhafato, e tendo-me a mim como único vinculo, este jovem casal se deve ter perguntado:
-Será que este é o grupo certo!?
Uma vez chegado, na companhia do Michel e da Eli, estávamos todos prontos para atacar o que viesse!

Mivla, meu amigo, primeira regra para poder prestar atenção ao LoneRider:
– Não ligues a patavina do que te possa dizer!

O Diogo, foi quem, sem sombra de duvida, repetiu mais vezes as palavras “Curva”, “Estrada” e “Serra” em toda a noite!

Nem as rainhas da noite, as tão apetitosas Francesinhas, foram capaz de atenuar a algazarra.
Nota cinco estrelas para o delicioso manjar, que soube bem acomodar os estômagos famintos do pessoal.

Este era, supostamente, o momento alto da noite.
Não por mim, que não valho nadinha, mas porque se fazia a apresentação da RIM, com os seus conselhos e sugestões para que tudo fosse conforme planeado e sem surpresas.

Coisas simples, pequenos conselhos e mais alguma laracha fácil, mas que serve para que todos saibamos que o que interessa é o pessoal curtir e ter uma ideia positiva deste evento que pretende, para alem de unir pessoas à volta das motas, promover o mototurismo.

Em falar em mototurismo….
Aqui esta um dos melhores exemplares para a practica do mesmo!
Era hora de ir para o hotel e despedirnos do KOK, Claxav, Mivla, Serzedo e Pendurinha!
Um grande abraço ao Claudio (Claxav), pela excelente organização, pela dedicação e por não ter trazido a ventoinha, que o mais certo é que terminássemos todos a empurra-la para ver se a conseguíamos por a trabalhar!

Vamos embora pessoal!
Que amanhã começa o bem bom!

RIM 17 – Prologo

O Prólogo

Já levo um sem numero de viagens a Portugal.
Cruzar a peninsula, de Zaragoza à Mealhada, são 800km de monotonia, que deixam os pneus quadrados e fazem aflorar os primeiros sintomas de “cu-beduinismo” após os primeiros 600km.
Para evitar passar penúrias, sempre que me proponho atravessar a península, abro o mapa da mesma, buscando onde posso uma alternativa ao caminho mais monótono. Uma alternativa que me ofereça algo de novo, um caminho que me enriqueça.
A RIM de este ano tinha como local de saída a Cidade de Vila Nova de Gaia, mas antes de me reunir com os RIMistas, passaria por casa para ver os meus pais, ver o que tinha mudado por ali e comer a deliciosa comida da minha mãe.
A viagem propriamente dita começou eram as 6h30min da manha, com um café com leite a escaldar, meia baguete de pao com tomate e azeite e o olhar atento de 4 Guardias Civiles na Dorothy, que estava estacionada no passeio que bordeava o edifício da Area de Serviço.
O caminho escolhido punha no horizonte imediato 80km de autovia, com três “portos de montanha” (La Perdiz, Morata e Frasno) como recordatório pdos forros térmicos que devia ter posto no fato, mas que, por preguicite minha achei não serem necessários.
Depois de Calatayud, mais precisamente ao km 186 da A2, o caminho deriva em direcçao a Almazan.
Nada mais sair da autovia, uns 10km mais adiante, ergue-se no no cimo de um morro, uma pequena povoação fortificada, que merece uma visita.

Trata-se de Monteagudo de las Vicarias, um povo que depende das colheitas de cereal , mas que esconde muita historia do lado de dentro das muralhas. Sem duvida que merece uma visita atenta pelo labirínto das suas ruas de aspecto medieval.
Mas a estrada, larga e rápida, reclama a nossa presença, para devorar a curta distância que existe até Almazan (que não visitamos) e lançar-nos pinhais de Osma a dentro.
Apesar de uma manhã fria, quase gelada, o ceu mantinha uma nevoa alta que filtrava aqui e ali os raios do sol, oferecendo algumas imagens bonitas….
No entanto, à chegada a Uxama, terra arquelogica onde , um pouco mais abaixo se edificou El Burgo de Osma, o ceu era cinzento e aborrecido, impedindo assim que a imagem brilhe e injustiçando a beleza natural do local.

De volta a estrada, a tão sobejamente conhecida N122, que liga Zaragoza a Zamora e consequentemente a Portugal, acompanhando boa parte do leito do Douro em Espanha, pouco de novo nos pode oferecer. Passamos Aranda de Duero e Peñafiel, fizemos uma paragem técnica, para atender ao telemóvel (que ateimava em não me deixar esquecer o trabalho) e imortaliza-la nesta imagem.

Ainda procuramos desviar caminho antes da capital Valhesoletana, mas nada nos ofereceu melhor alternitiva que um ritmo certo e despreocupado ela N122.
Uma vez na A62, Tordesilhas parecia uma boa alternativa a qualquer Area de Serviço, para tomar um “cortado” e depois de um percurso curto pelo centro histórico da cidade, “acampei” na Plaza Mayor, que serviu de palco à divisão do mundo num tratado que forjou para sempre nos livros de historia o nome da cidade.

Mais um lugar que merece uma visita atenta.
Hoje em dia, Tordesilhas esta mais ligada a um polémica, que põe em cheque as tradições, o que deve ser cultura ou que é o mal trato animal.
Uma luta por valores, misturada em uns quantos interesses, políticos e económicos, que qualifica o Toro de la Veja como uma atrocidade para uns e uma tradição ancestral para outros.

Eu prefiro não ver, respeitando quem gosta e quem não gosta.
Voltando à estrada, já quente pelo sol, Dorothy decide meter-se pela antiga N620 até as portas de Salamanca, onde parou para registrar a sua melhor media de sempre nos quase 30000km de companheira de viagens.
Depois de Salamanca, a hora de deslocação ate à fronteria foi um saltinho. Na fronteira tratei do meu estomago e de voltar a encher o deposito de Dorothy, que aguardava com alguma ansiedade as curvas ultra-rapidas da A25.
Chegamos a casa cansados mas contentes, mesmo a tempo da merenda e com tempo para fazer a voltinha de reconhecimento pela Mealhada e confirmar que tudo esta mais ou menos como a deixei , desde a minha ultima visita.

O Gajo que Sussurra às Ducatis!

-Estou!
-Então! Vamos fazer umas curvas amanhã?
-Na boa, onde queres ir?
-É pá, sei lá, onde tu quiseres!- o ranhoso do meu irmão é sempre a mesma coisa. Desafia um gajo mas sempre que pode, pisga-se de responsabilidades organizativas.
-Pronto pá, amanhã esta preparado às 9h que vamos dar uma voltinha!
Eram 3 da manhã quando me levantei, faltavam 4 h de condução para concluir uma viagem a Varsovia e assim fechar um ciclo de 13 dias fora de casa. Durante o trajecto, pensava em que mota levar, se a Dorothy se a Maria das Curvas.
O meu irmão ia levar a sua nova “Milf”, de nome Julietta, que como boa Sucati que era (acho que Sucati já se pode escrever com maiúsculas) prometia alguma peripécia!
Foi então que eu decidi transformar o “passeio matinal de ida à Missa” num ajuntamento de milf’s.
Chegado há base, deixo a Havalina e monto na Artax que estava a minha espera à quase 15 dias. Não pude evitar fugir da monótona autovia, para me perder pelos caminhos dos Meandros do Ebro para ver se o gajo levava pouca ou muita agua.
Uma vez em casa, uns braços serpenteantes envolvem-me com ternura:
-Ayyyy! Mi chico há vuelto a casita!
-Sim, mas só me vim vestir, que vou sair de mota com o meu irmão.
-A si!? Te iba a proponer algo erótico festivo…. Las motos no pueden esperar?
Nem lhe respondi. Se isso é pergunta que se faça!

-Bom dia!
-Bora lá!?
As motos ganharam vida… ….quer dizer…. ….a Julietta ganhou vida!
Sim, porque com aquele chocalho ao meu lado, eu para ver se a Maria tinha vida tinha que olhar para o conta rotações.
Os domingos de manhã deixam as cidades desertas, pelo que sair de Zaragoza foi fácil e rapidamente nos víamos na autovia rumo ao deserto, onde no horizonte iam aparecendo umas montanhas ao longe.
A primeira paragem foi em Cariñena, terra dos famosos vinhos Crianza, criados em solos secos….

1 Cariñena

E ai temos as duas Milf’s.
Julietta, uma Ducati ST2 do ano 2002 e Maria das Curvas, uma CB1100X11 do ano 2000.
O objectivo era fazer as curvas ultra rápidas do Porto de Paniza, famoso pelo seu traçado e agora algo abandonado, uma vez que o transito agora foi desviado pela autovia que passa uns metros mais ao lado.
Antes de arracarmos , Julietta prega um susto.
O motor não quer ganhar vida e desde a minha mota vejo como este começa a olhar para dentro das carenagens, falando algo em voz baixa ate que, numa segunda tentativa, a moto finalmente começa a deitar fumo pelo escape!
Estava um dia de sol, que já ia alto, mas fazia frio e a primeira abordagem as curvas foram com alguma cautela, ate que vi como me ultrapassava uma mancha vermelha como se não houvesse amanhã!
Só a consegui apanhar lá em cima há base de espicaçar os cavalos todos à Maria.
A descida, em direcção a Daroca não é difícil, o que convida a andamentos muito rápidos, onde se notava que o V-Due da Julietta respirava com alguma dificuldade.
Paramos aqui.

3 Monumento ao Tranportista

Este é o monumento a São Cristoval, padroeiro dos viajantes.
Estivemos aqui a esticar a badalhoca durante uns minutos ate que eu reparei nisto.

2 Parafuso

-O que é isto pá! Então andas a perder a mota pelo caminho?
-Proprio do mau feitio da Julietta!- desculpa-se….
-E tens chaves para isso?
-Não!- encolheu os ombros- mas um gajo arranja sempre uma solução….
Nesse momento param perto de nós um grupo de três companheiros.
-Espera lá que vou ver se alguém tem uma chave de 8mm que nos empreste!
-Ok!
Mas não houve sorte, ninguém tinha a chave necessária.
Quando voltei às motas o parafuso já estava apertado.
-Então!? Como resolveste o problema?
-Julietta, gosta de mimos e eu, como ainda não sei bem o que mais gosta, sussurro-lhe coisas boas…..- não queria acreditar no que acabava de ouvir!
-Deixa-te de tretas!- respondi, enquanto pegava no capacete- Vamos mas é embora que se faz tarde!
Voltamos á estrada para aproveitar o sol, que lentamente aquecia o asfalto, e as curvas da estrada de Soria.
Um pouco antes de chegar a Calatayud, paramos para uma bucha matinal!

4 Almuerzo

Enquanto tratávamos dos ovos estrelados, nacos de lombo na brasa e salsichas frescas, tratei de averiguar como tinha apertado o parafuso, ao qual me respondeu:
– Tu não pescas nada disto, no mundo das duas rodas existem as Ducatis e as motas!- agora que cada um interprete isto como quiser- Cada uma com uma personalidade distinta. A Alice (uma Paso 750 que vive na garagem dos meus pais) deixava-se intimidar. Quando ela fazia birra um gajo tinha que ser contundente. “Como é que é Puta!? Pegas ou não pegas!?” E como tu bem sabes ela era super obediente! Ou pegava ou não pegava! Com a Julietta tem que ser diferente, temos que ser cariñosos! Ela gosta de mimos!
Eu não queria acreditar no que me acabava de contar. Tive que acelarar nas curvas que antecedem Calatayud para esquecer as barbaridades ouvidas. A dado momento o asfalto acaba-se!
-É pá o Castelo está lá em cima e as vistas para a cidade são bue fixes! Mas temos que fazer este caminho até lá cima!
-Espera lá!…. – e vejo incrédulo como ele lhe sussurra com festinhas e caricias sobre o deposito- Julietta concorda, vamos lá então!
Enquanto subíamos a leve subida, desviando os buracos e algum regueiro pequeno, pensava cá para mim que os fusíveis do meu irmão tinham queimado de vez!

5 Calatayud

Aí o temos!
A sussurrar!

6 Calatayud 2

Este é o castelo de Calatayud, de origem muçulmana , uma construção com mais de 1000 anos, cujas ruinas viveram quase todas as grandes modificações geomilitares da Peninsula.
Apos uma breve visita ao castelo, descemos a Calatayud para mostrar ao meu irmão boa parte da zona medieval da Cidade!
O que se segue é uma estrada ainda fresca na mente de alguns de vocês, mas como daquela vez foi registada num vídeo, agora tratamos de fazer algumas fotos, para alem de aproveitar e curtir as curvas!
A estrada acompanha o Rio Jalon quando atravessa o sistema iberico. Trata-se de um desfiladeiro apertado pelas montanhas do sistema, abruptas e escarpadas, apertando o rio e fazendo-o correr com decisão.
A estrada é o contrario, sinuosa, estreita e lenta, pondo à prova a agilidade das nossas maquinas e a técnica dos seus pilotos.

7 Mijada

Calma!
Não esta a sussurrar com as arvores (acho eu), esta mesmo a fazer um xixizinho!
Falar de uma estrada de curvas e apresentar uma reta nas fotos não me parece coerente, mas o que se seguia era, nada mais , nada menos, que isto!

8 Curvão

A estrada serpenteia como o rio, com curvas tão diversas que cada vez que a fazemos parece que é a primeira vez que a fazemos.
E quando subimos a encosta do monte e finalmente podemos tirar uma foto mais abrangente da estrada, ouvimos a aproximar o ruido de motos!
-Depressa!- disse para o meu irmão- Veem motos, pode ser a policia!
Foi então que ele me diz:
– A Julietta não quer pegar!
– Então está quieto! Dizemos que tens a mota averiada….
No horizonte apareceram duas tanquetas que, ao verem uma Sucati, prontamente pararam!
– Algum problema!?
-Olha! Deixem-se estar quietos que vamos fazer uma foto altamente!

9 Foto de grupo

Não ficou nada de jeito, mas o que é certo é que a Julietta assustou-se com o barulho do flash e pôs o chocalho a deitar fumo pelos escapes!
Continuamos estrada fora, ora ao lado do rio, ora subindo a encosta para depois voltar a ouvir o murmulho das aguas que correm em direcção ao Ebro, que as espera nos meandros de Sobradiel!

10 montanha

A estrada acaba perto de Morata (uma povoação sem jeito nenhum), onde apanhamos direcção do Frasno (outra povoação sem jeito nenhum) para depois fazer a monótona autovia de volta a casa.
Mas o mano velho tem o vicio de fumar, pelo que mais de meia hora sem fumar é frustrante.
Paramos aqui para matar o vicio….

11 grupo

-Então!? Curtiste?
– Ya! Altamente! E o dia ajudou!- disse enquanto olhava para a a mecânica da Julietta- Agora tenho é que tratar de cuidar esta menina!
– É pá, explica lá uma coisa que ainda não percebi muito bem!- queria aproveitar a oportunidade para que não houvesse possibilidade de se escapar- Já percebi que tu sussurras com a mota, que lhe fazes caricias e tal mas…. O que é que lhe dizes!?
-Palavras chave, para a motivar!
-Sim, ok! Mas que palavras!?
– É pá, coisas do género, “velas iridium”, “correias em kevlar”, “gasolina 98”, “ducati corse”, “martelo”, “maçarico” coisas do género!
-E funciona?
– Claro que sim! Principalmente que eu lhe der um jeitinho aqui no corta corrente para ele fazer contacto! Quer dizer…. Se fizeres esse jeitinho e disseres baixinho “Ó puta se tu não pegares , eu chego-te o fogo!” é 100% efectivo!
Os 15km que nos separavam de Zaragoza foram percorridos num misto de perplexidade e espanto!

Mas!!!

Voltaria a sair com o “Gajo que sussurras às Ducatis”!?
Isso será uma resposta que o futuro se encargará de responder!

Aragão por Lone Rider- O Rey Moncayo

Zaragoza esta localizada na margem sul do Rio Ebro, a 350km da sua entrada lenta no Mediterraneo.
A sua localização, no fundo de um vale largo entre as cordilheiras dos Pirenéus e do Sistema Ibérico, com uma das maiores barragens Hidroelétricas da Península a poucos km e um deserto nas periferias, propicia a formação de nevoeiros. A ausência de chuvas no inverno e o facto de que aparentemente o Cierzo esta de ferias, torna estes nevoeiros eternos, chegando a durar as 24h do dia, dias a fio, durante semanas!
Não sei bem qual o melhor, se o vento (o Cierzo) que rapa a neve do Cantábrico e dos Pirenéus para afunilar no vale do Ebro e deixar toda a gente tesa de tanto frio, se o nevoeiro, que nos rouba a luz do sol, envolvendo-nos num cinzento deprimente e congelando, não só as carnes e os ossos, mas também a alma dos que gostam de uma boa manhã de sol. Não será de estranhar que no futuro me oiçam dizer que não sei bem o que é pior, pois entre o Cierzo e o nevoeiro, venha o diabo e escolha!
Estamos a 3 dias do final deste 2016, um ano felizmente cheio de coisas boas, e para terminar, depois de quase 2 semanas a andar enlatado no Rupert, Dorothy fez-me o desafio. Queria conhecer o rei do Sistema Ibérico, o Rey Moncayo, monte que se ergue 2300m acima do nível medio do mar e que é o maior de todo o Sistema.
Mas, e o nevoeiro?
Qual nevoeiro?

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Vocês veem aqui algum nevoeiro?
Só estavam 3 graus negativos, e um orvalho que cristalizava tudo, portanto, as melhores condições para ficar em casa no quentinho!
Mas aqui nós gostamos de contrariar e desta vez o nevoeiro foi a vitima.
E claro!
O nevoeiro saiu derrotado.
Depois de Borja, este foi obrigado a dissipar-se porque o Sol é um gajo porreiro e estava numa de aquecer o esqueleto aqueles que o procuravam.

Ao fundo o Moncayo, com o seu manto de gala, contempla o Castelo de Trazmoz, onde segundo a lenda, foram queimadas bruxas a mando da Inquisição em Aragão. Desde então os inúmeros fenómenos paranormais foram registados.

Diz a lenda que na noite mais quente de verão Trazmoz é visitada pelos espíritos das bruxas e que o castelo toma então as formas de então, para as receber e permitir que elas bailem à volta do caldeirão onde fazem as suas poções magicas, que depois regam os bosques e as terras altas do Moncayo para que o Inverno seja frio e cheio de neve….

E a julgar pela capa espessa e brilhante no cume do Moncayo, parece que as Bruxas tiveram êxito na sua poção magica!
Para subir ao Moncayo, as estradas perdem largura, tornam-se lentas e rodeadas de bosques onde não é difícil de avistar os elegantes veados, as matreiras das raposas e os ranhosos dos javalis. Por ultimo as estradas chegam mesmo a perder o asfalto.
São vários km, que podem ser delicados de fazer com motos de estrada como a Dorothy se o piso da pista de terra batida estiver molhado ou gelado.
Por sorte, desta vez, o astro rei ajudou-nos e a subida fez-se sem grandes dificuldades.

Uma vez lá em cima, mais o menos a 1800m de altitude, quando o caminho acaba, encontramos a Ermita da Virgem do Moncayo, para alem do Albergue e do Restaurante.
Acima de nos, uma parede de pedra que se eleva e onde assentam as primeiras neves do “manto real”.
Coroar o Moncayo só é possível no Verão, apanhando um caminho que muitos caracterizam de traiçoeiro, mas que nos leva a mais de 2300m de altitude.

Aqui de pode ver boa parte do Campo de Borja, ao fundo os picos nevados dos Pirenéus e no meio o denso e frio manto de Nevoeiro, o vale da Ribeira do Ebro.
No Verão este promontório permite ver quase todo o Vale do Ebro, onde se pode identificar quase todas as localidades e ver boa parte da cidade e zona metropolitana de Zaragoza, que se encontra a 80km de distancia.
Como não tem saída, voltar para trás é a única alternativa, mas em contrapartida oferece-nos vistas impressionantes.

Aqui, em tom de despedida, Dorothy trata de fazer imortal o manto do Rey Moncayo, para alem de que mostra que pode fazer alguma incursão num caminho de terra, sempre que este seja seco e pouco irregular.
Mas o que se segue é precisamente o que ela gosta, estradas de bom piso e com uma configuração rápida. A estrada que liga o Moncayo a Vozmediano e depois a Agreda é um excelente exemplo disso!
A intenção é dar a volta pelo norte, fazendo uma pequena incursão por Castilla y Leon (provincia de Soria), para depois visitar a povoação mais alta do Moncayo.

Esta é outra perspectiva do Rey.
Embora pareça menos imponente, o Moncayo continua a ser um ponto de referencia para muitas coisas e, uma parede importante para que o Cierzo não deixe completamente gelados os campos de cultivo da Meseta de Castilla.

Beraton é a povoação mais alto do Moncayo. É uma povoação eminentemente agrícola, onde existem vários estábulos onde se alberga animais de pastoreio durante o inverno.
Mas Beraton é um ponto de partida para o que se segue.
Uma descida que nos oferece paisagens impressionantes. Descer o vale convida a ouvir os ruídos da natureza, espero que gostem.

Este vídeo oferece boa parte das paisagens disponíveis nesta descida, mas para ser o mais fiel possível ao que os nossos olhos podem captar, só mesmo as fotografias.

Recomenda-se vivamente a viver em primeira pessoa esta descida!
Purujosa marca o fim da descida, ou pelo menos da parte mais interessante.
A estrada continua até Illueca, mas desviamos para Oseja, por uma estrada em muito mau estado, para apanhar a direcção de Aranda.

O objectivo era apanhara ultra rápida N234 que liga Soria a Calatayud, para a fazer a “velocidades de telejornal”. Mais uma vez Dorothy mostra porque não tem medo das RR.
O dia terminou com uma estrada lenta, que travessa o Sistema Iberico de mao dada com o Rio Jalon.
Porque estava numa de curtir a estrada e as paisagens, não parei para fazer fotos, mas gravei tudo. Apesar de ser um vídeo longo, dá para perceber o sinuoso do traçado e as paisagens envolventes.

Uma vez na Autovia de Madrid era tempo de rumar a casa, adentrando-nos no nevoeiro a medida que nos aproximavamos da cidade de Zaragoza e do rio Ebro.
Chegamos a casa gelados e com uma capa de sal em cima da pintura e da roupa de protecção, mas com a alma cheia de sol e calor!