Vou só ali esticar as pernas….

Com o aumento das horas de luz a minha actividade aventureira/física tem vindo a aumentar.

A verdade é que o ginásio é uma seca e sempre que posso….

Monte, aí vou eu!

No domingo foram 14km, na Segunda 7km, na Quarta mais 10 e ontem ia só ali esticar as pernas, porque os meus músculos ressentiam-se um bocadinho das caminhadas e tal.

Mas prontos, depois de estar quente e de ter ritmo, acabei a subir os montes de Calatayud, acompanhando as suas muralhas milenares.

Hoje estou que nem posso, mas ainda não desisti da ideia de ir ao ginásio para levantar uns pesos…

Postado uma nova trilha: https://pt.wikiloc.com/trilhas-caminhada/calatayud-23118562 (Calatayud) no #wikiloc

Domingo, dia de Missa…

Apesar de ter um Santuário, não sou um gajo muito religioso. Mas sou crente.

Acredito piamente que as minhas motas são a minha fonte de alegria.

Desde o principio do mês que uma vaga de frio, chuva e neve, estacionou na Peninsula desaconselhando o uso da mota. Quer dizer, para ir ao monte estava altamente, mas o meu pobre coração palpitava por Dorothy.

Por Dorothy e pelos Pirineus….

-Miúda! Domingo vou andar de mota…

-Com este frio? Não estás a pensar que eu vá contigo pois não!?

– Não sejas tão convencida. Eu para andar de mota só preciso da mota.

O telemóvel tocou os acordes de Sweet Child Off Mine, interrompendo assim aquilo que seria mais uma batalha pela posição Alpha no seio do casal:

– Olá migo! Tudo bem!?- ela fingia não prestar atenção – Domingo!? Andar de Mota? OK! Na boa, onde é que vamos? Olite? Fixe pá!

É assim ficou combinado, Domingo vou à missa a Olite.

Não era os Pirineus é verdade, mas quem me desafiou é companheiro de trabalho e não podia perder o dia todo a andar de mota, uma vez que trabalhava da parte da tarde. A nós os dois Juntou-se um terceiro, montado a bordo de uma Z-SX, o que até foi porreiro pois nunca tinha rodado com nenhuma.

Eram 7 da manhã quando me levantei para começar o ritual.

Olhei para o telemóvel e a temperatura estava em linha com do que vendiam. Lá fora havia 2°C e o Cierzo assobiava nas janelas. Tudo aconselhava a não armar-me em chico esperto, assim que decidi vestir o meu fato térmico Windstopper, vestir o fato de turismo e levar as minha sempre quentes luvas da Alpinestars, responsáveis por manter as minhas mãos quentes à mais de 10 anos.

E ainda bem que assim foi, pois nada mais sair da garagem montado na mota, levei uma bofetada do Cierzo que fechei logo os queixos do capacete modular.

Para ser sincero, se não fosse pela companhia jamais me aventuraria a andar à bofetada com o Cierzo ao longo do Vale do Ebro, para ir a Olite. Principalmente por causa de que o Cierzo é um vento capaz de pôr à prova o Windstopper do meu fato térmico.

Sempre ouço dizer que a melhor forma de não morrer gelado pela sensação térmica que provoca o Cierzo é de subir em altura, onde ele não sopra com tanta força.

Chegado a Pedrola, la estava a Tanqueta do Albino e o Repolho do Fernando à minha espera:

-Quem vai à frente!?

-O Rui! – disse o Albino – Ele é que é o mais experiente, ele que abra caminho!

-Katano! Sou sempre o pobre desgraçado que tenho que levar os tenrinhos pela mão….

Montei na Dorothy e arrancamos em direção a Tauste. Como já era de esperar, tudo plano, sem curvas, o rio Ebro desce o vale com bastante água e no horizonte começam a erguer-se os primeiros planaltos das Bardenas Reales.

Passamos Tauste, desviamos para Pinsoro e depois de um cafezinho rápido, entramos na Comunidad Foral de Navarra por Carcastillo.

Quando, por fim, avistei monte no meu horizonte o bom asfalto acabou.

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Ficamos confinados às fotografias, com um dia de bastantes sombras, mas bem animado com a amena cavaqueira que reinava no pessoal.

A estrada era má, mas as paisagens fariam uns quantos postais não fosse pelo sol ser um bocado tímido.

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Coroando o monte estava Ujué, que obrigava a uma fotografia artística para imortalizar a sua Igreja Fortaleza.

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Quando finalmente pisamos asfalto de qualidade não pudemos tirar proveito dele porque estava molhado!

Menos mal que não apanhamos a tromba de água que parecia ter caído momentos antes porque a estrada estava bastante encharcada.

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E pronto, já chegamos ao nosso destino.

Nem sequer entramos, quer dizer, entramos no bar para merendar, mas adiamos a visita à Olite porque estava um dia feio que convidava a estar numa mesa, a comer ovos com salsichas e a contar mentiras.

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Mas quando saia à rua a fortaleza chamava, convidava a entrar…

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Terei que cá voltar, com calma, para visitar o local com tempo.

E pronto, com o bucho cheio e o reportório de mentiras todo desmascarado, era momento de voltar para casa, pelas estradas nacionais planas e sem grande história para contar.

Ao chegar a Zaragoza ainda tive tempo de ser controlado num control de alcoolemia e drogas, onde o senhor guarda ainda me pediu de forma arrogante para que me despachasse a tirar as luvas, o capacete e o passa montanhas.

E foi assim a minha ida à missa!

Super divertida e muito emocionante.

Fiquei bué fan e vou querer repetir sem dúvida…..

Eu Sao Subi Isto

Todos vocemecezes sabem que eu sou tenrinho no monte.

Mais tenrinho que Miscaro de Novembro.

No passado mês de Dezembro estive na minha terra natal e entre os mimos maternos, as arrelias com a namorada, o Leitão e o Jantar de Natal do Motonliners.pt, consegui escapar-me ao monte com Artax.

Entre outras aventuras, vivi este particular momento que hoje acho curioso.

 

Entre a subida e a descida existem uma diferença de 3 horas, mais ou menos…

O problema está que subi confiando em Artax e em suas capacidades motrizes, fui à minha vida, subí uma das vertentes do Buçaco, fui à Cruz Alta e depois decidi não aventurar-me por caminhos novos e voltar pelo mesmo caminho.

Quando cheguei não podia acreditar que tivesse subido por ali, aquilo parecia um poço sem fundo, muito em aparte por duvidar das minhas capacidades como piloto da Artax.

Mas se eu consegui subir tenho que conseguir descer.

E  assim foi e hoje considero-me um herói, já que ainda não tenho ninguém que diga:

-Pai!! És o meu herói!

Semanada… 

Foi uma semana de correrias, de ver amigos e familiares. Mas uma semana não dá para tudo e tive que estabelecer prioridades… 

A maior de todas elas era de mostrar à Carolina as minhas origens, o entorno que me fez neste gajo que não vale nadinha… 

A Mealhada, (naquele então) vila que me viu crescer, onde a fiz regredir no tempo, para lhe explicar a importância na minha vida do jardim da Mealhada, dos baloiços ao lado da Câmara Municipal, da rua Amarela, da Nacional 1, da escola Primária, da Preparatória e do Liceu. Contei a história da vila, que se transformou em cidade, dos sítios emblemáticos que já desapareceram como O Portão, ou a Esplanada Jardim, das brincadeiras entre carros de bombeiros no antigo quartel, dos edifícios emblemáticos como a Câmara Municipal, a Farmácia Brandão ou o Cine Teatro Messias…

Visitamos a capital do amor, subimos o Quebra Costas, vimos a Cabra e as vistas para o Mondego, apresentei-lhe Dom Dinis e os seus culhões desde o alto da escadaria monumental. Vivemos as lendas da Rainha Santa e a história de Pedro e Inés (tão linda!). Faltou-nos uma Tuna, com muito traçadinho à mistura, para nos pirarmos de mansinho e terminar a ouvir uma serenata à luz da lua….

A Palacio Real, em plena Mata Do Buçaco, foi mote para umas quantas histórias, desde as Carmelitas Descalças às invasões napoleónicas; a Oliveira de Wellington e o Vale dos Fectos, assim como o meu amado Tansmaniam Eucaliptus!

Por fim, o mar, esse enorme manto de água chamado Atlântico, que não desiludiu e rugia como sempre, perfumando o ar com sal, que tão bem faz aos ossos e articulações….

Até já Zé pá! 

Eram agitadas as manhãs em que, saltando na cama, gritava a pleno pulmão a Minha Casinha.

Fui crescendo e compreendendo que os Xutos & Pontapés eram uma banda de culto, daquelas em que acabei por militar.

Não sou o único que hoje sente um profundo vazio ao saber que o arquimusico já não está.

A Morte é uma Submissão da qual, inevitavelmente todos havemos de cair, mas dói quando sentimos que tinha tanto para partilhar connosco.

Se Um Deus houvesse…

😥

O Culto… 

Esta coisa despertou conscientemente em 1994 com uma revista (já extinta) cuja imagem de capa tinha a novíssima CB500.

Desde então o apetite por conhecer esse mundo nunca mais parou. Cheguei a ir a uma concentração a 6km de casa, aventurar-me de cinquentinha por boa parte da geografía portuguesa, ver provas do Campeonato Nacional de Velocidade (CNV), ser moço de recados numa modesta equipa de 125 Produção e até “dar à bandeira” num posto de controlo numa prova do campeonato de Enduro.

Alguém chegou a classificar-me como frikki por saber a ficha técnica de quase todos os motociclos à venda no retângulo.

Mas o que eu gostava mesmo era andar de mota e quase a totalidade das aventuras que vivi, vivo e vivirei, são só mais uma desculpa para andar de mota. De uma 50, passei a uma 125, depois uma 500, depois uma 1100, até hoje que tenho quase 4000cc em motas lá  no Santuário.

Vejo as motas como parte de mim, dou-lhes atenção e luto cada dia para que não lhes falte nada.

Principalmente gasolina! 😉

Continuo a estudar a aprender e a defender as motas.

Cheguei mesmo a pousar nú, num dia fresco de Fevereiro, em plena rua, para alertar e sensibilizar a comunidade.

Sim! Acredito que poucos tiveram coragem de olhar para a fotografia.

A estrada é,  em boa parte, culpada de muitas aventuras.

Faz-me sonhar. Torna-se interminável…

E  assim, pela maestría do amigo e companheiro Ricmag, nasceu o Logótipo que reúne um pouco de mim, um pouco do Culto e outro tanto dessa Estrada Interminável.

E é por esse magnetismo que o asfalto exerce, que Maria das Curvas continua a somar quilómetros.

Pelo caminho, fui fazendo amizades, continuei a cultivar o gosto pelas motas, tornei-me num entusiasta e ajudei no que pude as pessoas que encontrei no caminho.

Quando, finalmente, tive a oportunidade de criar o Santuário, percebi que tinha agora outro motivo para cultivar esta paixão.


A mecânica sempre foi uma tentação e, apesar de fazer boa parte da manutenção às minhas motas, sempre pus limites, sempre pensei que ainda não estava preparado… 

E não estou!

Muito longe disso.

Mas ter duas motas paradas no Santuário não é para mim, assim que pus mãos à obra.

Estudei sobre mecânica, li sobre restauro, procurei informação sobre os modelos, agucei o engenho, perdi o medo.

Passo as tardes livres no Santuário, tardes de puro Culto, de veneração às Motas, observando antes de tocar, tocar antes de desmanchar, desmanchar observando, observando consultando as bíblias da mecânica.

Continuo a andar de Mota!?

Claro que sim!

São elas que me levam ao Santuário!

São elas o principal motivo de tudo isto.