Distance 

Tenho andado desaparecido.

Mas não tenho estado parado. 

Desde a última RIM fiz muitos km a bordo da Dorothy e incluí nos meus projectos mais dois novos nomes!

Voyager e Galita!

O LoneRider Sanctuary é cada vez mais uma realidade da qual vos tenho que contar em breve. 

Mas o que me anda realmente a comer o coco é isto. 

Este é o meu calcanhar de Aquiles mais recente, o sistema eléctrico.

Esse sistema neurológico que obriga a estudo e dedicação, do qual não posso recorrer da força dissuasora do meu bom amigo Martelo. 

Foi então que conheci o, agora muito mais chegado, Multímetro. 

Multímetro é aquela ferramenta ideal para os trabalhos neurológicos nas motas, mede voltagem, impedância e a continuidade (ou não) da corrente através dos nervos. 

A maior afinidade com o Multímetro, maior a ira ciumenta do meu bom amigo Martelo. Tudo isto obriga a marcar alguma distância para evitar de ser acusado de dar um trato preferencial a um ou a outro! 

Pirineus (parte 1)- La Trans-Pirinaica

Estar de ferias é muito chato.
Não ter hora para te levantar, para te deitar, fazer a comida sem o stress do relógio, programar os dias com calma, sem improviso e preocupações, namorar, oferecer flores à miúda, ver o mundo com outros olhos….
Tudo muito aborrecido!
É então que eu começo a sentir a nostalgia do Adagio para Cordas de Barber e o mundo verde e cheio de flores começa a ficar cinzento, sombrio e assustador!
Já me dispunha entregar o meu pescoço ao verdugo quando a Cavalgata das Valquirias começou a contaminar tudo com alegria e energia, e no horizonte aparece uma linda égua, toda ela negra, com a crina grisacea, de cavalgar imponente e majestoso, preparada para me salvar do verdugo:

-Acorda….
-Acorda!!!!
-Eu não sou a Dorothy, para de me puxar os cabelos!!!

Isto não se faz!
Precisamente naquele momento em que me dispunha a montar aquele belissimo animal a mulher atira-me da cama a baixo:

-O raio dos ciumes, pá!
-Que ciumes
– dizia enquanto tentava recolocar o couro cabeludo- Estavas a sonhar com o raio das motas e a puxar-me os cabelos!
-Qual mota, qual carapuça mulher! Era uma égua!
-Não quero saber nada disso. Quero é dormir descansada que não tarda, tenho que ir trabalhar. Infelizmente não tenho a sorte de estar de ferias!

Enquanto se deitava de novo no ninho, eu fui há casa de banho…
Espera lá!
Ela tem razão!
Eu estou de ferias!

Passadas duas horas ela baixa à cozinha e junto ao tabuleiro onde estava o seu pequeno almoço estava um bilhete que gritava:

FUI-ME EMBORA!
ESTOU DE FÉRIAS!
MAMO-TE (quando volte)!

P.s.:
Como tenho o curso na quinta e hoje é segunda….
Como estou de férias e não tenho nada para fazer…
Como deves estar chateada comigo por te ter puxado os cabelos, decidi ir dar uma voltinha, fazer alguma coisa e assim dar-te tempo de acalmar o fel!
Fui com a Dorothy!
Não te esqueças de dar uma vista de olhos na Dulcinea e na Maria todos os dias, ok!?
Dá de comer ao piriquito ok!?

P.s.2:
Nós não temos piriquito!

Preparar uma viagem em pouco mais de duas horas, durante a madrugada e influenciado pela sonolência pode resultar catastrófico, por isso revia mentalmente o que tinha posto nas laterais da Dorothy.
Por sorte estava tudo, desde a roupa, o fato de chuva, a bolsa de barbear,o mapa da península, a câmara e a tablet com os livros electrónicos.

1 Saida

Só ainda não sabia onde e como preencher o meu tempo, mas a placa da Autovia punha Huesca e por lá se vai para o Monrepos!
Para já era por lá que iriamos. Depois consultariamos o mapa!

2 Monrepos

Cá estamos!
A partir daqui a estrada, a pesar de estar em obras, é um manto de diversão. Vinte km de curvas rapidas que desenham vários ganchos com inclinações de medo!
Pouco a pouco começo a desenhar na minha cabeça o mapa da viagem.

3 Desvio

À direita do Monrepós, a norte da cidade de Huesca, ergue-se o maciço rochoso de Guara, desconhecido por mim, mas que pelo mapa tinha por lá umas estradas interessantes e umas paisagens que foram uma surpresa.
Outro detalhe interessante são as povoações, habitadas geralmente por pessoas idosas e cujo numero de habitantes por vezes não supera a dezena.

4 Policia Local

Paramos num deles, onde o “Policia Municipal” tratou de avisar os habitantes da presença do intruso!

5 Pueblo

Casas frias no verão e quentes no inverno….
A pedra destas casas, para alem da robustez, confere uma camuflagem natural. Este pequeno aglomerado, dificilmente se distinguiria visto desde um avião.

6 Rio Escarpado

Começamos a ganhar altura e o rio que nos acompanhava esforça-se por descer o monte, saltando de pedra em pedra.

7 Vale do rio

Neste caso, trata de desviar-se dos obstaculos, alguns deles com alguma tonelada de peso, mesmo que para isso tenha que passar forçosamente por debaixo deles.
Mas a estrada trata de nos deliciar com curvas e mais curvas….

8 Curvas 1

Paisagens e horizontes acidentados…

9 Paisagem

Onde a agua e a terra lutam com as suas armas para dificultar a vida um do outro, proporcionando espectaculos como este.

10 Queda de Agua

E no meio disto tudo há sempre quem se dispõe a desafiar as regras que a natureza nos impõe.

11 Alpinistas

Estes montanhistas, ou barraquistas (como dizem os aragoneses), dispõem-se a descer por esta garganta!

12 Altura

Enquanto disfrutava deste cenário, respirava este ar puro, pensava na miuda!
Como deve ter reagido com o meu bilhete?
Com que humor foi trabalhar?
Bem, não pensemos em problemas e coisas tristes!
Quando desperto deste pensamento vejo que havia uma CTX parada ao lado da Dorothy!
Admirando a mesma vista que eu, um senhor de 50 anos, fumando o seu cigarro cumprimenta-me com um timido “Hola!”.
Foi assim que conheci Enric, um montanhista catalão, que fazia pouco que tinha descoberto a melhor forma de viajar. Viajar de mota, para ele, foi um acto de liberdade, uma forma de expandir os seus horizontes sem ter limites!
Andava por ali, porque gosta de ver as paredes rochosas. Tinha estado em Jaca e traçou esta rota porque achou a estrada interessante:

-Não defraudou em absoluto!- disse.

A partir dali, fomos juntos, cada qual a seu ritmo, até Sos, onde paramos para vitaminar.

13 CTX e VFR

Depois decidimos fazer companhia um ao outro, programamos uma parada em Sort, e as que nos desse na vontade para tirar fotografias, fumar ou regar uma arvore.

14 Curvas 2

As curvas seriam mais divertidas e as paisagens mais bonitas!

14 Montanhas

A N260, que liga a costa catalã há costa vasca, atravessa os Pirineus de cabo a rabo, sendo conhecida como a “trans-pirinaica” e é adorada por motociclistas e ciclistas, pelo seu traçado e pelas cotas de altura que atinge!

15 Creu de Perves

A estrada, depois do alto de Creu de Perves, desce abruptamente, numa sequência de cotovelos e curvas lentas até chegar ao vale de Sort.
Dorothy ainda desafiava a CTX mas esta não era fã dos andamentos desportivos, começando logo a roçar com os deslizadores no asfalto.
De vez em quando escapavamo-nos de Enric e a sua CTX para a dose de curvas, mas, assim que parasse para fotografar ela passava por nós com ligeireza e elegância.

16 Bruxa de Ouro

Este sitio tem fama de trazer sorte!
Nesta pequena vila Pirinaica de Sort, está Administracion de Loterias del Estado “La Bruixa D’Or”, pode-se orgulhar de ter a fama e o record de ter distribuído o maior numero de “Gordos” da Loteria de Navidad. Num total 4 vezes, sem mencionar segundos, terceiros e quartos prémios, que totalizam varias dezenas de milhares de milhões de Euros e das antigas Pesetas!

17 Bruxo

Este senhor é o proprietario da Administracion e primou por ser uma pessoa simpatica, simples e humilde.

18 Sort

Deixamos Sort, subindo pela montanha, continuando pela N260 e o seu excelente traçado….

19 Vale de Sort

A tarde já tinha passado o seu equador e Enric dizia que me abandonaria en La Seu D’Ugell para rumar há cidade condal.

20 El Cantó

Esta foi a cota mis alta do dia, a 26km de La Seu. E que 26km de curvas….
A descida é impropria para cardiacos, com rampas de 12% quase sempre limitadas por cotovelos e curvas lentas que fazem aquecer os discos de travão em travagens prolongadas e mordazes.
Os pulsos já acusavam algum cansaço e o desconhecimento da estrada apelavam há precaução.
Uma vez chegados a La Seu D’Urgell, despedi-me da excelente companhia que foi Enric, trocamos dados para não perdermos o contacto e ficamos de nos encontrar em breve.
De La Seu D’Urgell eu apanharia direcção a Andorra la Vella em busca de uma cama onde descansar os ossos.

Uma Barrigada de Curvas

La em casa eramos cinco.
O Chico Galito, venenoso, provocador, capaz de derreter um cubo de gelo com o olhar e o tempo necessário para que este se derreta, contundente e inteligente, um verdadeiro diplomata politicamente incorrecto!
A Escrava Isaura (Bruxa nos momentos de carinho) um poço de ternura, atenta, preocupada, sempre disponivel, trabalhadora incansavel, paciente e com uma “talocha” que punha tudo em sentido.
O mais velho, olhos azuis penetrantes, bruto, feio, engenhoso, convencido e com um coração tão grande que muitas vezes não lhe cabia no peito.
O do meio, estudioso, amante das boas leituras, recortador-mor de jornais, politico, revolucionario, defensor de boas causas, trabalhador de andar traquina, uma rachadela na cabeça que pos fim à saga Mini cá em casa, carinhoso, sensivel, cabeludo e de confiaça.
O mais novo, traquina, inteligente,irreverente, dos que gosta de ver o circo pegar fogo, estratega impulsivo, comunicativo, imaginativo, copinho de leite, problematico com as mulheres, amante de todas as motas que ja existiram e hão-de existir, estudioso das motas, condutor das motas (principalmente), mecanico das motas, lavador das motas (e tudo mais terminado em Motas), para alem de provocador, venenoso e pensador.
Conseguem perceber agora porque é que, depois de conhecerem o meu componente familiar, me pode acontecer tudo e mais alguma coisa!?
Já agora, voces conhecem a Maria Amelia?
Maria Amelia foi a mota que o mais velho comprou quando soube que a Dorothy ia viver para a minha garagem. Mas foi sol de pouca dura, pois o mais velho não podia ficar atras do mais novo!
Na noite de Botorrita, os dois foram fazer as famosas curvas cuja povoação lhes dá nome e a frustração foi tão grande que ele se confessou:

-Tenho que ir buscar uma coisa dessas pá! Esta mota não me deixa curvar como eu quero!
– Já te disse que mudasses esse pneu dianteiro, o pneu esta triangular e é de uma marca diferente do traseiro. É normal que não te dê as sensações que procuras e por isso não tens confiança na mota.
-Não é nada disso pá! É a mota pá, vou muito recto, não é uma posição desportiva que te ajude a curvar…..

O tempo foi passando e o Verão chegou. Ou seja, tempo dos tótós andarem todos à solta…
E como o pessoal anda todo com a lua de ir curtir umas curvas de mota o mais velho encontra num stand uma belissima VFR800 V-Tech e sem exitar compra-a.
E é assim que chegamos aos dias de hoje, onde vos passo a contar como conheci a Gertrudes!

(Com isto já ganhei um empalamento (ou varios), dado que já escrevi mais de um paragrafo sobre uma barrigada de curvas.)

Como é normal por aqui em Aragão o dia começa pela manhã, com o nascer do sol mais ou menos entre as 6h e as 7 da manhã.
Ora hoje, Domingo, estava combinado os manos se encontrarem na primeira “gasolineira” da N330 em direcção a Huesca. O telemovel desperta-me ao som de um dos solos mais brutais de todos os tempos (Meastreted- Deep Purple), o que me faz acordar para a vida algo sobressaltado mas logo com a pica toda!
O sol, esse já era uma enorme laranja que se elevava no horizonte.
Depois do protocolo de despertar, beber o cafe, atirar-me pelas escadas abaixo e descer pelo elevador, a fazer o pino, até há garagem, finalmente encontro a Dorothy que trata de saudar com choque estatico!
Montados nela, motor quente, cavalos já com vontade de sair dali para fora, olho para o relogio que me alertava para a necessidade de me despachar.
Chegados ao ponto de encontro procuro uma VFR branca e nada!
Olho para o relogio 8:05….
Vou esperar 10min!
Bebi café, falei com o pessoal que estava tambem por lá para ir passear de mota, volto a olhar para o relogio e este gajo sem aparecer….
Telefono e nada!
Raios me partam lá o raio que o partiu em mil bocados com cimento cola!
O telefone toca e do outro lado oiço uma voz languida e atordoada:
-Estou….. Estou a sair de casa!
-Adormeceste seu morcão! Para a proxima vens tu a minha casa!
-O que é!?- disse tentando dissimular um bossejo- Eu já vou estou a sair de casa!

2 Dorothy e Gertrudes

Meia hora depois!
E ainda por cima sem tomar café!
-Agora temos que ir ligeirinhos, não é!?
-Se quieseres vais tu, mas a esta hora já os radares estão todos acordados, aqui na auto-via aconselho-te a teres cuidado!
-Então vá, vamos embora, vai há frente!

Era só o que faltava, marcar o caminho ao dominhoco.

2 Monrepos

Os 80km que separam as fotografia foi o suficiente para amainar o fel e agora já só pensava na descida de Monrepós, com os seus cotovelos vertiginosos durante uma boa vintena de km até chegar quase a Sabiñanigo. Depois começavamos a subir de novo para Jaca, onde desviariamos caminho em direcção ao “arame farpado” com a republica francesa.

3 Pirineus Jaca

Por ali estava o vale do Rio Aragon, onde se diz ter germinado o gene aragones…
Subiriamos por esse vale até ao principal objectivo do meu irmão, que era a estação de Canfranc, que se encontra abandonada desde há muito, mas que por si só, significa um periodo importante na historia industrial de Aragão, mas tambem pela sua arquitectura e o seu tamanho que a tornam quase tão colossal como as monatanhas que a rodeiam.

4 Canfranc

É, de facto, gigantesca e para ela se fala em planos de reabilitação e inculsivé de reactivação da linha ferroviaria…

5 Canfranc 2

Satisfeito o carpicho do mano velho, era hora de oferecer mais uma internacionalização há Dorothy.

6 França

A ideia consistiu em fazermos o enorme e aborrecido tunel de Somport, saindo do lado frances e depois voltando a Espanha pela estrada velha!
Foram 16 km de curvas e paisagens…

7 Montanha Ruiva

As paisagens esperam sempre por nós, assim como eu tinha que esperar pelo meu irmão, depois de argumentar que ainda se estava a adaptar há nova montada.

8 Montanhas

Aqui estão as meninas, depois de coroar os 1640m do Alto de Somport

9 Somport

Aproveitamos para beber uma cafezada e por as bocas em dia, para alem de planificar um bocadinho o final de manhã!

image

Astun, estancia de sky….

image

Um posto avançado do exercito espanhol, utilizado pelo destacamento de salvamento da Guardia Civil no inverno e cedido às instituições de protecção de menores como acampamento base para as ferias dos miudos mais carenciados.
Mas com uma paisagem assim, qualquer um vivia ali!

image

Detras da Dorothy e da Gertrudes, as terras altas da Jacetania, um dos territorios de Aragon que menos conheço, mas donde se podem encontrar povoações singulares como Aisa.

image

image

image

Povoações pequenas, mas com uma trama labirintica de ruelas e becos sem saida, que nos fizeram perder o norte e terminamos por sair de este por um caminho agricola, com atravesia de um leito de um ribeiro seco incluida.
Estava feito o baptismo da Gestrudes numa incursão pelo “todo terreno”.
Uma vez em Jaca, o objectivo era o grande Jabali, 35km de curvas cujas fotos jamais descrevem o prazer de as fazer. Por isso mesmo, não há fotos!
A cada curva o mundo e o horizonte mudavam de prespectiva, as vezes com um frenezim estonteante, Dorothy deixava no asfalto o seu binario, que me impulsionava para a frente, deixando para tras a Gertrudes e um condutor que, para alem de não conhecer a estrada, tinha um kit de unhas atrofiado pela idade.
Os anos e os km que fiz com ele já me davam confiança para estar tranquilo, que não se ia perder, e que não ira reclamar pelo ritmo imposto. A regra era simples. No proximo cruzamento espera-se pelo companheiro ou para que se volte a reunir o grupo.

image

Neste caso foi ao final de este tunel, já em pleno vale do rio Gallego.
Paragem tecnica para contar impressões, recuperar o folego e beber algo fresco no bar que estava ali perto!

image

O Vale do Rio Gallego é, nesta ocasião a porta de saida dos Pirineus, que nos devolve as planicies da Olla de Huesca, mas ainda tinhamos as ultimas curvas para fazer, que nos deixaram deslumbrados com estas paisagens!

image

O Gallego e os Mallos de Riglos…
….algumas curvas mais tarde….

image

E depois o “deserto”, um sem fim de campos secos, que mostravam ainda o restos da colheita do cereal numa planicie sem fim, percorrida por estradas secundarias que serpenteam pelo meios das povoações de caracter agricola.

image

La atras os Pirineus, que tanto prazer deram em (re)visitar e nos protegeu do calor que agora nos asfixia!
Chegados a Zuera, a autovia foi o caminho mais rapido para chegar há Capital do Reino.
Ao final foram percorridos 400km dos quais mais de metade por estradas de montaña por sitios que eu aconselho a qualquer um de voces a visitar.
Quanto há Gertrudes, ela parece ter sido bem estimada, tem uma pintura singular e as jantes brancas dão-lhe un toque exclusivo, apesar de estarem condenadas a andarem sempre sujas!
Despois disto ficou a vontade de que ela seja uma companheira mais frequente e assidua, sempre que o dono se comprometa a levantar-se a tempo de não obrigar os demais a esperar por ele!

Aragão por Lone Rider- As Cinco Villas

Se o maior problema do homem é a sua mulher, o maior problema de um motard é uma mulher que lhe diga o que tem que fazer e como o tem que fazer!
Durante a semana previa aos dias santos de Pascoa, o whatsapp fervilhava de ideias de como passar esses dias previos ha uma viagem….

-Podiamos estar em casa, fazer umas comidas saudaveis, beber uma garrafinha de verde e há noite saimos a ver as procissões!
-Nem pensar! Estou farta de estar em casa!
Vais fazer o que eu te digo porque eu é que sei!
Vamos ver as Cinco villas!
Tauste, Sadaba, Ejea de los Caballeros, Sos del Rey Catolico e Uncastillo!

-Mas….

-Nem mas, nem meio mas. Não queres “rodar-me” para depois irmos a Portugal?
– As Cinco Villas é bonito e tem um trajecto interessante.

Quando eu vi o mapa fiquei convencido e depois o San Google terminou com as minhas duvidas.
E foi assim que a “miuda” impos a sua vontade.

Quinta feira santa, feriado em Espanhã, sol a brilhar e o Cierzo que nos dava descanso depois de toda a semana a soprar forte e frio.
Dorothy marcava no campo seco, depois das cheias do Ebro, a sua sombra e a de dois corpos agarrados a ela. Ao lado direito as varandas do Ebro, do outro lado o Ebro….
O destino era ver mais uma das torres Mudejar desta vez a de Tauste!

1 Tauste

Tauste era uma praça forte moçulmana até há chegada dos Cristãos em 1105 debaixo do comando de Alfonso I o Batalhador.
Esta igreja, agora consagrada a Santo Antão, foi mandada edificar por ele.
Tauste tem um centro urbano acidentado, labirintico e com marcas das varias fases da historia.

2 Tauste 2

Mas o principal objectivo de hoje é outro, pelo que voltaremos mais tarde para descobrir Tauste!
Já alguem ouviu falar da Nobreza Baturra!?

3 Baturros

Pois bem….
Esta menina, quis que lhe fizesse esta foto, evocando as “Jotas” e o sei baile caracteristico.

A estrada chama por nós.
Para tras deixamos o Rei Moncayo e o seu manto de neve e atravessamos todo o campo de Tauste até há bonita vila de Ejea de los Caballeros, donde Jaime I instituiu a figura de “Justicia Mayor de Aragon”. Uma especie de Tribunal Supremo de hoje, que tinha por função resolver os pleitos que surgissem entre a Coroa e Familia Real e os Nobres do reino.
Mas antes tinha la estado outra vez o Batalhador, como o proprio nome indica, fartou-se de dar há espada!
Foi isso e construir igrejas como esta, a de Santa Maria, edificada em mil cento e trocó passo….

4 Ejea de los Caballeros

Como podem calcular Alfonso I o Batalhador, foi o principal cristianizador da comarca, no seu caminho até Sara Custa (Zaragoza), a Capital do Reino!

5 Portico

O pórtico de estilo românico da Igreja de Santa Maria.

6 Ejea de los Caballeros

E esta é a de San Juan, do sec XIII, donde Dorothy se deixou fotografar junto ao seu portico.

7 Ejjea de los Caballeros 4

Sair de Ejea, olhar para o horizonte e ver os grandes maciços rochosos dos Pirineus, que se erguem no horizonte deixando para trás a planície.
As curvas, primeiro rápidas e depois cada vez mais lentas e técnicas, vão fazendo adivinhar o que nos reserva o passeio!
Ao contrario do “Ai! Ai! Ai!” das primeiras curvas (de ha quase um ano atrás) Carolina a cada curva deixa deslizar um “uuuuuuuuiiiiiiiii!” a cada curva, logo seguido de uma gargalhada cargada de adrenalina!

Sadaba e Sos del Rey Catolico

8 Sabada

Desde o promontório avistamos o Castelo de Sadaba….

9 Castillo de Sabada

Num estado de conservação perfeito, este castelo foi outrora linha avançada de Alfonso I o Batalhador. Assentado numa enorme rocha, com a sua forma quadrada este dominava todo o vale.
Pode-se entrar, mediante pago de uma quantia simbolica e deve de ser bastante interessante.

10 Moncayo

Se virarmos costas ao Castelo, e apesar da antena destruir parte da imagem, temos uma visão do Monacayo e o seu manto de neve. Manto este que, para principios de Abril, faz concluir que inverno foi rigoroso e frio.

11 Lateral do castelo

Demos a volta ao castelo para descubrir toda a sua imponencia.
O seu interior, esse podeis descubri-lo vós mesmos. Que tudo seja para vos abrir o apetite de visitar estas paragens!

12 Sabada Povo

Assim como o interior do Castelo, Sabada merece uma visita ao seu sentro historico!

13 Sabada rua

Não é muito dificil encontrar aqui edificios datados do sec XVII ou XVIII.

14 Casa Consitorial

A Casa Consistorial (Camara Municipal) e a Catedral ao lado que tinha a torre do campanario em obras de restauração e conservação!

15 Portigo Gotico

Mas o Portico Gotico, datado do sec XIII, mereceu uma foto.

16 Pormenor Falico

Repare-se no detalhe (falico) das portas da mesma!

Entre Sadaba e Sos está Castilliscar, povo isolado e simples mas que despertou a nossa curiosidade.

17 Portico de Castilliscar

Adoro a arquitectura gotica.

Hoje dia 22 de Março de 1479 de Nosso Senhor venho aqui contar os dias mais gloriosos da minha vida…
Tudo aconteceu quando El Rei D. Afonso V me encomendou a mais ousada façanha da minha vida ao destinar-me a Alfort, no reino da Áustria, para participar nos jogos que o senhor Wassler organizava. A vontade do Senhor meu Rei era de representar o seu reinado e a Ordem dos Cavaleiros da Cruz de Cristo, para alem de contar de primeira mão a todos as grandes empresas do Rei na descoberta do novo mundo e do caminho marítimo para as índias.
Como Monge e Cavaleiro da Ordem da Cruz de Cristo, dispus-me a viajar de imediato, levando comigo a minha inseparável e sempre obediente égua, um puro sangue lusitano de seu nome Doroteia.
Alfort era uma praça forte, com uma disposição no cume de um rochedo, todo ele amuralhado que protegia a casa do seu senhor, a igreja e parte da povoação que lhe dava nome há fortaleza. Nela já se acumulavam todo tipo de comerciantes, saltimbancos e as delegações dos diferentes reinados que acudiam os jogos.
Numa praça central, muito próximo do palácio do Senhor daquelas terras, estava há vista de todos um chapéu, de tecido e feitura nobres, vigiado por dois guardas e que era sinal de respeito ao Senhor daquelas terras. Todo aquele que passasse perante ele devia prostra-se ante ele em sinal de respeito ao senhor daquelas terras.
Infelizmente não era consciente de tal lei e ao vê-lo, desde o alto da minha montada, nada fiz, provocando assim a ira dos guardas e o meu consequente cativeiro nas masmorras da fortaleza. Foram-me retiradas as credenciais, a espada e a minha égua, atirado para uma masmorra fétida donde os ratos andavam há sua vontade. Em frente ouvia uma voz de criança que conversava com alguém, com uma voz entre-cortada pelo desespero e o medo.
Como pode ser que ponham uma criança num local como este? Que terá feito?
Ajoelhei-me perante a parede da masmorra e nas minhas preces ao Pai Todo Poderoso, pedi que velasse pela alma de tão atormentada criança.
Acordei com o abrir da pesada porta de ferros da masmorra, os guardas levaram-me para uns aposentos onde tinha há minha disposição todas as minha pertenças, assim como a minha espada. Lavei-me, vesti a minha túnica e tratei de comer algumas das frutas que me foram levadas. Dispunha-me para as orações de matines quando alguém pede autorização para entrar:

-Hola! Soy el Caballero de la Ordem del Hospital Fernando de Osma, hablais la lengua del Rey de Castilla?
-Aquí Irmão Cavaleiro, só se fala a língua do reino de Portugal. No entanto consigo entender-vos se falais com calma. Alegro-me pela sua presença aqui, sinal de que Deus não nos abandonou, pois a minha chegada aqui foi um quando acidentada – e fazendo-lhe uma vénia com a minha espada- Eu sou Cavaleiro da Ordem da Cruz de Cristo, Rui, Senhor das Terras do Valdoeiro!

Vinha a mando do Senhor Wassler que apresentava formalmente as suas desculpas pela atitude grosseira dos seus guardas, convidando-me para o banquete que dava inicio aos jogos. Os meus votos não me permitiam a participação em tal evento, contudo aceitei com o objectivo de conhecer de perto os meus possíveis adversários nos jogos.
Fernando de Osma tinha uma personalidade afável e mostrava-se preocupado pelo meu bem estar. Perguntou-me pela viagem e por noticias do reino e explicou-me o porque de atitude tão dura perante a minha chegada. Existiam rumores que ganhavam força sobre uma possível rebelião e poucos dias antes tinham sido presos pai e filho por não mostrar sinal de obediência ao senhor das terras. Ao que parece, em sinal de mesericordia o Senhor Wassler desafiou Tell, Guilherme de nome. Tell tem fama de ter uma pontaria e um manuseamento da besta como ninguém, pelo que o Senhor destas terras disse-lhe que se acerta numa maçã que lhe concederá a liberdade a ambos, pai e filho.

O banquete oferecido foi toda uma demonstração do poderio do Senhor daquelas terras, havia porcos e vacas inteiras em cima de braseiros, bebia-se uma fermentação de cevada de sabor agrido, muito longe dos aveludados vinhos das minhas terras, mas ao que parecer os bávaros adoravam.
Aproveitei para degustar as carnes secas e as compotas de frutos da zona, assim como pedi gentilmente que me cedessem para viagem de volta e fazer um obséquio ao meu Senhor El Rei Afonso V.
Quando o sol se levantou, o castelo estava imerso numa neblina matinal densa e fria. Na praça estava montado o palco de personalidades, tinha chegado a hora de Tell cumprir com o seu desafio.
Em poucos instantes as praça encheu-se de gentes, assim como de todos os participantes dos jogos, Guilherme e seu filho foram dispostos em lados opostos da praça:

– Meus súbditos, viemos todos aqui hoje para ver que eu, como vosso Senhor e Senhor das Terras que vos dá o pão, que sou bondoso e que não condeno sumariamente aos que não respeitam a lei destas terras. Todos vós sabeis que Guilherme Tell não obedeceu há regra e por isso deveria ser condenado, juntamente com o seu filho há morte, mas eu dou a minha palavra de que se ele acerta na maçã com a sua besta a uma distancia não inferior a 50 passos, tanto ele como o seu filho sairão daqui com vida e com o meu perdão!
Mas, como vosso senhor, decidi aumentar a exigencia do desafio lançado, pelo que Guilherme Tell tem que acertar na maçã que será colocada sobre a cabeça do seu filho!

Ouvir aquelas palavras e a forma como foram ditas, tão eloquentemente e sem desejo nenhum de que tivera um final feliz, fez-me erguer os olhos aos ceus….
E o som do dardo ecoou por toda a praça, Deus era misericordioso e a Maçã abriu-se em duas suculentas metades com o filho de Tell ileso.
Os Camponeses desataram em jubilo mas Wassler não ficou contente e ordenou a prisão de Tell provocando a ira das gentes humildes que invadiram a praça obrigando os guardas a desembainhar as espadas. Estava naquele momento muito próximo do filho de Tell e ao ver a lamina levantar-se contra o jovem decidi tomar parte.
Ao guarda torci-lhe o braço de esgrima e desferi-lhe um golpe no mesmo costado, ficando assim o jovem debaixo da minha custodia até que o pai se juntasse a nós para que pudéramos fugir para lugar seguro.
Ao cair da noite, depois de inúmeros gestos e tentativas de comunicar pudemos por fim determinar que Wassler era demasiado tirano, que os jogos eram um motivo para ver jorrar sangue nobre nas suas terras sem se ver manchado a sua reputação. Já não fazia nada ali a minha missão tinha sido um fracasso pelo que me foi encomendado, mas quis Deus que ajudasse a que a justiça chegasse aquelas terras!
Doroteia mordeu-me a mão enquanto dormia, era hora de seguir de volta ao meu reino.
O caminho fez-se penoso, o inverno foi duro e estive retido na companhia dos Irmãos de Cister em Jaca, donde tive a sorte de orar olhando para o Santo Gral, tesouro guardado pelos Cavaleiros da Ordem do Templo até há sua extinção.
Quando as neves deixaram abrir passagem a ocidente, eu e Doroteia seguimos viagem pelo caminho do Apostolo Tiago.
Ao fim da primeira jornada, apartei-me do caminho para descansar a Doroteia e pernoitar.
Já enrolado na minha manta aproveitando do calor de Doroteia e do braseiro que me assou o coelho que se me cruzou pelo caminho, oiço os cascos de cavalos, que puxavam a uma carruagem. A comitiva parecia importante, pois havia uma escolta de guardas reais com o dístico do reino de Aragão.
Mas o som das espadas fez-me estar alerta. Tratava-se de uma emboscada contra a comitiva.
Era tempo de actuar, pois o reino de Aragão era a casa de origem daquela rainha que se fez santa pela sua obra de caridade, a Rainha Santa Isabel!
Em instantes montei na Doroteia para manchar a minha espada de sangue, a dos saqueadores! Enquanto com a minha espada, desferia golpes mortais em nome de Deus, Doroteia, apoiada nas suas patas traseiras, desferia patadas com os seus cascos dianteiros, deitando uns quantos saqueadores por terra. Em poucos minutos o assalto tinha fracassado, com o chefe da guarda a ler as minhas credenciais e agradecer em nome do Rey João II de Aragão pela ajuda prestada.

– Deixai-me ver tão humilde homem!- dizia uma voz feminina desde dentro da carruagem- Deixai-me agradecer-lhe em nome da rainha de Aragão!

Fiquei muito feliz ao ver que a bordo seguia uma jovem mulher que no seu ventre levava o futuro de Aragão e, como se veria mais tarde, o futuro da Peninsula e do mundo inteiro!
Fui convidado a desviar caminho até Sos, donde, na casa dos Senhores de Sos, a familia dos Sada, assisti ao jubilo de ver uma vida vir ao mundo, em toda a sua gloria. Tinha acabado de nascer o pequeno Infante e herdeiro da Coroa de Aragão Fernando!
Mais tarde, foi conhecido por Fernando, o Rei Católico.

18 Sos entrada

Esta é a entrada ao Centro Historico de Sos del Rey Catolico.
Aqui nasceu o Rei que uniu todos os reinos hispanos da Peninsula, terminou com a reconquista aos mouros (quase mil anos depois de o Rey Pelayo a ter começado) ao vencer um longo assedio em Granada e “lançou” um portugues de nome Cristovão em busca de um segundo caminho para as indias!

19 Sos Rua 1

Sos, como se chamava em 1479, ao ver a importancia do acontecimento adoptou o mesmo acontecimento para se passar a chamar Sos del Rey Católico.
O seu centro historico tem um estado de concervação irreprensivel, o que atrai a vila medieval milhares de turistas ao ano.

20 Sos Rua 2

Não é facil regressar aqueles tempos e imaginar os cascos dos cavalos soando nas calcadas, os comerciantes de frutas e verduras nas praças, sempre animadas pelo bobo e suas acrobacias.

21 Carolina

E as mulheres aragonesas, de encantos mil, de deixar qualquer cavalheiro com os sentimentos perdidos…

22 Sos Casa

Nas casas, as flores, o sol e o excelente dia, tudo parecia celebrar a Primavera.

23 Esfera Armilar

Em frente há casa dos Sada, esta esfera armilar me remete ao mais importante simbolo da nossa aventura, na descoberta do novo mundo!
Parecia uma premeditação do que sucedeu ha mais de 500 anos naquela casa!

24 Casa dos Sada

Hoje casa museu, foi aqui que Fernando II de Aragão nasceu.
É importante dizer que foi um Rey bastante astuto, inteligente e com uma capacidade de negociação acima da media!
Ao casar-se com a Rainha de Castela, lançou na Peninsula as bases necessarias para a prosperidade na peninsula.
Mas nem tudo foram coisas boas, instituiu a Inquisição, percussora de muitas perseguições injustas e do desterrro de Judeus e Mouros das terras que habitavam desde há muito tempo.

25 Sos Arco

Mas Sos tem muita mais historia alem do seu principal sucesso, foi fundada pelo Rei Ramiro I de Aragão como praça forte fronteiriça entre Navarra e as Taifas a sul.
Sos del Rey Catolico foi tambem cenario de fundo para o filme “La Vaquilla”.

26 Cineasta

E aqui temos ao seu realizador, sentado na sua cadeira…
“La Vaquilla” foi rodada em 1985 por uma equipe liderada por Luis Garcia Berlanga, que apesar de se vestir bem, esquecia-se sempre de se calçar!

27 Paisagem

As subidas ao castelo, donde apenas se conserva a Torre de Menagem e vestigios da muralha, as paisagens são assim!

28 Portico da Catedral

Pelo caminho esta a entrada há igreja, com este portico de nos deixar boquiaberto.

29 Torre de Menagem

Aqui a temos!
Esta é a Torre de Menagem do Castelo de Sos.

30 Sos del Rey Catolico

Com estas vistas ao povo!

31 Los Reyes Moteros

Pelo povo pudemos ainda encontrar as cadeiras dos protagonistas do filme rodado por garcia Berlanga mas…
Esta imagem deve ser vista como algo especial, como que a reedição da união entre Portugal e Aragão, como outrora foi a união entre Isabel e Dinis, mantendo-se a santidade na Aragonesa, mas desta vez por ter suficiente paciencia para aturar-me!

32 Cineasta Dois

Já estava na hora de voltar há estrada, mas queria pedir um autografo ao Luis mas ele não me respondeu. Como castigo teve que me segurar no capacete para fazer esta foto!

Uncastillo, el Pozo Pigalo y Biel

A estrada volta a torcer-se em curvas rapidas, de bom asfalto e um dia que convidava a torcer a orelha à Dorothy!
As Paisagens são deslumbrantes, com os picos dos Pirineus cobertos de neve como que despedindo-se do inverno, deixando-se lentamente derreter pelos raios de sol!
Sol esse que já aquecia o suficiente para nos fazer suar debaixo das protecções…

33 Un Castillo

Como seria de esperar as curvas acabam-se….
E aparece no horizonte as ruinas de um dos castelos mais valentes de toda a idade media. Era tão importante que deu o seu nome ao povo, derivando de la Fabla Aragonesa de “Um Castelo” para o Castelhano de Uncastillo! Ou seja “Um Castelo” ou “O Castelo”!

34 Uncastillo 2

Trata-se de mais uma perola medieval, onde viveram as tres culturas, onde reis se fizeram famosos nas batalhas, onde Almanzor mandou executar os cavaleiros que fez prisioneiros.
Guardem este Nome (Almanzor) pois eu já sei onde ele perdeu o Tambor!

36 Uncastillo 3

Com Dorothy a descansar era tempo de queimar calorias pelas ruas de Uncastillo, todas elas estreitas e ladeadas por casas centenarias, tecendo uma trama labirintica que deixaria os intrusos desorientados.

37 Uncastillo 4

Apesar de tremida (seria muito melhor com o Shaker do Barman nas mãos que com uma maquina fotografica), aqui podemos ver uma das maiores dificuldades para conquistar o castelo. Estava asente num massiço rochoso elevado de muito dificil acesso.

38 escadaria

Tanto que, para se poder aceder as mesmas escadarias foram talhadas na rocha.

39 Accesso

Do castelo apenas existe as fundações da muralha a Torre de Menagem e parte do palacio real que foi construido posteriormente.

40 Palacio

O palacio!

40.1 Torre de menagem

A Torre de Menagem que nos dias de hoje alberga um museu que conta a historia do povo e do Castelo.

41 Construção

Desde a sua construção, materiais utilizados e tecnicas utilizadas….

41 Contrução 2

…até as ferramentas e as artes utilizadas para a construção do mesmo!

42 Arma 1

Uma besta, arma tão popular na Idade Media como a Espada do Cavalheiro!

43 Arma 2

Mas a Torre guardava-nos as vistas…

44 Uncastillo

Uncastillo!

45 Palacio

O Palacio Real de Pedro IV El Parcimonioso.

46 Ruinas e Uncastillo

E as ruinas, vista aerea que nos faz tomar noção do grande que era o castelo…

47 Santa Maria

Esta é a Igreja de Santa Maria, que dá acesso ao entramado de ruelas do centro antigo.

48 Portico

Mais um portico Gotico de beleza rara, poluido pelas convocatorias ao culto….

49 Torre e Portico

Uma vez mais, Dorothy e estrada. Desta feita com um piso abandonado desde há muito, cheio de lombas, sujo e necessitado de manutenção.
Ate derivarmos por um caminho de “cabras”, nada mais que 8km de caminho de terra batida, felizmente seco, mas cheio de buracos, pedras soltas e areia nos flancos.
Nada apetecivel para a Dorothy que reclamou o mau trato que lhe estavam a dar.

50 Dorothy

La chegamos ao sitio do crime, onde ouvimos o murmulho das Aguas, e o verde nos trouxe de volta há tranquilidade!
Pozo Pigalo é fruto da teimosia do rio Arba, que queria passar por ali e foi vencendo as rochas que se opunham.

51 Piscina Natural

Em Março as agua são pouco convidativas, mas dentro de 3 ou 4 meses havera muitos metidos nela!
A paragem é diferente, rodeada de pinhais que conferem o fresco necessario para fazer um picnic em pleno verão, com o premio de poder-se tomar uma banhoca!

52 Cascata

E aqui esta o Arba, que pouco a pouco demonstra que agua mole em pedra dura, tanto bate até que fura!

54 Liescas

E aqui esta Luesia, outro posto avançado mandado construir pelo Batalhador, donde actualmente sobressaem o que resta da torre e a Igreja Matriz.
Era tempo de regressar, era tempo de fazer a estrada cheia de curvas, desta vez com o piso em muito melhores condições, para visitar o berço do esplendor de Aragão!

55 Torre de menagem de Biel

Este palacio fortificado, que outrora foi parte de um majestoso castelo, viu nascer Alfonso I o Batalhador, que foi senhor de Biel e depois de coroado, Rei de Aragão e, por se ter casado com a Dona Urraca (rainha de Castela), Imperador da Peninsula. Foi ele que arrebatou Sara Custa (Zaragoza) e cristianizou grande parte do territorio aragonês que hoje conhecemos. Foi ele o predecessor de toda uma epoca de Gloria em Aragão, que culminou com a Conquista de Valencia 300 anos depois, com o dominio do mar mediterraneo e com a conquista dos Reinos de Napoles e Cecilia.

56 Biel

Biel hoje é um povo pacato, sereno, mas no seco X e XI foi a base de assalto a territorios dominados pelos mouros em praças fortes como El Frago que durante anos a fio alternou entre ambos bandos dada a sua posição estrategica.

As Cinco Villas foram, portanto, importantes no desenvolvimento económico de Aragão, os seu campos ferteis, planos e aráveis, para alem de regados pelos rios que desciam do Pirineu (Arba, Aragão, entre outros) permitiam aos senhores daquelas terras não sofrer de problemas de abastecimento.
Como se fosse pouco, naquelas terras nasceram pessoas relevantes na historia, tanto de Aragão como da Peninsula e, tambem se pode dizer, do Mundo.
A estrada para casa foi feita com calma, num debate meio aceso sobre como voltar para ver o tanto que ficou por ver e os objectivos que teriamos que concretizar num futuro breve.
Uma voltinha de 380 km, com caminhos há mistura, muitas curvas e umas quantas viagens ao passado que nos fizeram tomar consciencia de como era a vida naquele então!

Aragão por Lone Rider- O Reino dos Ceus!

Manhã de Domingo e a primavera anunciava a sua chegada para breve, fazendo subir vertiginosamente o caudal do Rio Ebro.
Tinha sido assim durante toda a semana.
O rio, que acumulava aguas das chuvas, viu chegar ao seu caudal o degelo repentino dos Pirenéus, crescendo bem alem das barreiras impostas, inundando povos ribeirinhos, campos de cultivo e matando os animais que não puderam ser resgatados.
No meio disto tudo estava Maria e Dorothy, abandonadas a sua mercê numa garagem a escassos 1500m do Ebro!
Logo agora que estava a 2500km de distancia.
Telefonei a Policia Local:
– “Desculpe, sou residente em Utebo e estou preocupado. Pode dizer-me se existem problemas por causa da enchente do Ebro!
– Não lhe posso prestar essa informação, telefone há Jefatura na segunda feira!”
Telefonei a um colega de trabalho e ele disse que estivesse tranquilo que esta tudo bem!!!
Mas depois, volto a ler uma noticia que relatava problemas de infiltrações em garagens de Utebo e que ainda não tinha chegado o ponto alto da enchente!

“-Desculpa querida, sei que não deves sair de casa para te arriscares a ter problemas, mas preciso de saber se esta tudo bem com Dorothy e Maria das Curvas!
– Não te preocupes, vou ver se o meu pai pode levar-me lá!”

E foi assim que a minha heroína entrou em acção. Saiu de casa, fez os 15km de caminho e depois disse-me que não havia problemas, que as meninas estavam enxutas e tranquilas.
Ganhou assim o dia que vos vou descrever!

 

Manhã de Domingo, luminosa calma e enxuta!
Dorothy esperava por nós na garagem enquanto tratávamos de ordenar os nossos pertences no seu top case!
O nosso destino de hoje era uma recompensa ao seu trabalho heróico!
Ela já me tinha falado do spot, do entorno, mostrou-me fotos e a sua ligação há industria cinematográfica de Hollywood! Eu sempre quis ir mas integrado num espectro mais amplio, com outro tipo de visitas e mais extenso a nivel de km e de tempo.
Mas ela merecia, tinha ganhado que eu lhe dedicara o dia a este magnifico sitio que íamos visitar.

Saimos de casa, Dorothy apontando a Carretera de Huesca sem antes me avisar que tinhamos que parar para comer!
Comeu ela e comemos nós!
Depois dos respectivos estômago cheios voltamos há estrada, uma plana e aborrecida autovia, que nos levaria há “Holla de Huesca” e os seus campos ferteis, que foram testemunho de cobiça tanto de cristãos como de mouros no sec XI!

Quando finalmente abandonamos a Autovia, a estrada começava a aproximar-nos da montanha e, ao caminharmos para norte o primeiro que vimos foi Bolea!

1 Bolea

La no alto a sua “escalinata”!

Os povos aragoneses, muitos deles milenares como este, são autênticos labirintos, onde as casas se amontoam de forma tão anárquica que chegam a terem formas estranhas. As ruas, ruelas e becos são de tão difícil acesso que, até mesmo nós que vamos de mota, temos dificuldade em circular por elas.
Mas o que queríamos ver estava bem lá no alto, um edifício de fundação romana com a sua “escalinata” que dava a sensação de estar fortificada.

2 Escalinata

Subimos com Dorothy até há “escalinata”, mas depois subimos a pé até la cima!

3 Escalinata 2

E de lá de cima…

4 Bolea

…orientamo-nos na direcção do nosso principal objectivo, algures na encosta daquela montanha do outro lado de vale!

Agora tínhamos outro desafio….
Sair dali!
A rua por donde tínhamos vindo era de sentido único, pelo que agora teríamos que baixar  por outro lado, sem evitar as ruas estreitas, descidas íngremes, com algum pequeno degrau e o urfar asfixiado dos cavalos de Dorothy!
Voltamos há estrada porque havia algo mais que ver antes de chegar a Loarre!

5 Anies
Lá no fundo, cravado na montanha, num sitio de acesso quase impossível uma ermita.
Aniés, é mundialmente conhecida por esta ermita!

6 Anies 2

Depois de debatermos com seriedade uma forma de subir até ali, decidimos que seria um dia em que viéssemos com a Dulcineia!
Como é!
Vamos lá então conhecer Loarre?
Quem já viu o filme Reino dos Ceus?
Tem tudo a ver!

O que vamos visitar foi “pano de fundo” em algumas cenas deste filme, que fala sobre a queda de Jerusalem em mãos muçulmanas.

Recomendo vivamente ver o filme!

 

7 Loarre

Desde longe, construído no alto de um penhasco, e agora adornado pelas amendoeiras em flor, ergue-se a maior e mais conservada fortaleza militar de estilo Romanico da Europa!
O Castelo de Loarre, foi edificado pelo rei de Navarra (quando Aragão ainda não existia) como posto avançado sobre a linha de defesa muçulmana!

8 Loarre 2

 

 

Chegar até lá é uma delicia, porque estrada oferece muitas curvas, com um piso de boa qualidade  e paisagens a condizer!

9 Loarrre 3

Da parte de trás é mais ou menos assim!
Conforme os reinos cristãos foram avançando as suas fronteiras, o Castelo perdeu importância estratégica e dedicou-se há  tarefa monástica.

10 Loarre entrada

Isso permitiu-lhe chegar até hoje num estado de conservação muito bom!

11 Castillo Loarre

Como se pode ver, todo ele está apoiado sobre a rocha, o que nos dias de assedio impossibilitava a construção de túneis para fazer ruir as muralhas.

12 Loarre Muralhas

Desde a entrada do mesmo, já no interior do primeiro perímetro defensivo, as

vistas sobre a “Holla de Huesca” são impressionantes!

13 Entrada

A entrada!

14 Trabalhos na Rocha

Como se pode ver, em alguns pontos talharam na própria rocha para construir escadas e acessos!

15 Abadia

E aqui esta a minha heroína, admirando a Igreja de São Pedro, com uma abobada pouco frequente para os tempos em que foi construída!

16 Teto

Naquele então o Vidro não era muito comum, para que a luz entrasse nas janelas eram postas placas de “alabastro”, muito abundante na região e que era translucido!

17 Alabastro

Saímos para fora para contemplar as paisagens!

16 Loarre Povo

La fora, ao fundo o povo de Loarre e toda uma imensidão de verde que adivinhava a chegada da primavera.

18 Interior

Carolina caminhava deliciada e imaginando como seria viver ali, há mil anos atras!

19 Castelo Velho

Esta é a parte mais antigua do castelo.

21 Abismo

A vertente norte, que gozava do status de inexpugnável!

22 Sala da Rainha

A Sala da Rainha, com vistas para o sul e por donde se podia pensar que se tratava do posto de comando.

23 Torre de Menagem

A Torre de menagem, cujo complexo era apenas comunicado por uma ponte levadiça, oferecendo assim uma fortaleza dentro da fortaleza!

24 Mosteiro

Aqui inicialmente foi a casa de armas, mas depois de deixar de ser posto militar, adaptou-se para serem os dormitórios dos Monges que aqui viveram durante muito tempo!

25 Castelo

O Castelo, visto desde o primeiro perímetro defensivo!

28 Loarre Despedida

Voltamos a montar na Dorothy, para seguir o caminho.
Esta foi  a foto de despedida do mítico Castelo de Loarre!

29 Ayerbe

Não só nas grandes capitais existem torres com relógios!
Ayerbe não é excepção!
Mas o que vem a seguir é totalmente diferente.
Ha medida que caminhamos em direcção ao maciço pirinaico, as formações rochosas dominam na paisagem. E sobre umas, outras dominam mais!

30 Mallos de Riglos

Estas paredes rochosas, que se elevam varias centenas de metros do nível do chão, são o habitat natural do majestoso Quebra Ossos, uma das aves com maior porte da Europa!
Os Mallos de Riglos impressionam, por isso sempre que posso volto para fazer-lhe uma visita!

31 Mallos e companhia

Carolina aproveitou a oportunidade para saudar a todos!

Seguimos estrada para outro sitio lindo a nível paisagístico e a nível motociclismo.

32 Valle del Gallego

Este é o Rio Gallego, que vamos acompanhar durante uns kilometros.
A estrada é um dos exlibris dos motards aragoneses, com milhares de curvas, piso bom e paisagem a condizer.
Cada curva, umas mais técnicas que outras, exigiam há Dorothy aprumo e precisão e a nós os dois aquele trabalho necessário para que não houvesse acidentes nem sustos!
Ao final os sorrisos eram evidentes e não deixamos de prometer voltar a  fazer de novo esta estrada.

33 Entrada

Acabamos aqui!
Na entrada (fechada) da cidadela da Cidade de Jaca.
Frustrados e esfomeados, não desistimos da ideia sem antes tirar umas fotos ao exterior da mesma.

34 fosso

O fosso!

35 bateria de canhões

Uma das baterias de canhões de uma fortaleza que tem muito para contar….
Depois de comermos, fomos atacar o mítico Alto de Monrepos!
Ganchos intermináveis, negociados a mais de 120Km/h em inclinações de medo, que nos elevam até aos 1280m de altitude para descermos de novo para a “Holla de Huesca” e depois os intermináveis 120km de autovia até há Capital do Reino!
E assim foram feitos mais de 300km que serviram para que a minha Heroína testasse a sua capacidade de fazer grandes tiradas em moto, para alem de que, foi uma forma de a recompensar por ter saído de casa em socorro das minhas preocupações.
Muito obrigado minha “Luciérnaga”!
Do meu ponto de vista, e pelo seu sorriso ao final do dia parece que valeu bem a pena esta voltinha!

Anedota

Um motard entra num bar em Lisboa e pede uma cerveja, bebe e quando sai da por falta da mota. Volta a entrar no bar, saca de uma pistola e diz:
-Vou beber outra cerveja e quando acabar, se a mota nao estiver, faÇo o mesmo que fiz em Cascais.
Acabou de beber atirou o copo ao chao e quando saiu la estava a mota. Perguntou o barman:
-Que aconteceu em Cascais?
E ele responde:
-Fui a pé para casa . . .  

Un motero entra en un bar de Lisboa y pide una cerveza. Termina la cerveza,  paga y al salir no encuentra la moto.
Vuelve al bar saca una pistola y la pone en la barra:
” Voy a tomar otra cerveza, si mientras no me devuelven la moto os haré lo mismo que hice en Cascais!”
Termina la cerveza y tira el vaso al suelo y al salir la moto ya estaba en el mismo sitio.
El camarero preguntó:
“Y que has hecho en Cascais!?”
Y el motero contesta:
“Me fui andando para casa!” 

Coisa pouca…..

Ando a fazer contas há vida e como ja era de esperar a coisa está danada.
A vida está cada vez mais difícil, principalmente nos últimos 29 dias do mes.
De certeza que, entre os meus amigos do Facebook,  do Google+, da Mealhada e arredores haverá alguem que me possa emprestar a fundo perdido 500000€!
Va lá,  não sejam forretas!

Llevo todo el día hechando cuentas y llego siempre a la misma conclusión.
La vida esta cada vez más dificil, principalmente en los últimos 29 días del mes.
Estoy seguro que, entre mis amigos del Facebook, del Google+ y de Mealhada, habra alguno que podrá prestarme a fondo perdido 500000€!
Venga!
Que no es pedir mucho. …

Voltei! He vuelto! I’m Back!

Prontos, despois dos pedidos de varias familias (escusavam de ser tantas, bastava uma) decidi re-activar a minha conta no FB!
O pessoal lá vai ter que continuar a gramar com as minhas barbaridades, quase todas elas sem sentido nenhum, e outras tantas com nenhum sentido.

Mas eu mudei a estrategia!
Alarguei os meus horizontes, construi (voces acham!?) um Blog!

Lá vocês vão ver as fotos, os vídeos e as barbaridades, depois podem sempre comentar aqui, lá ou em ambos!
Já agora!
Alguém me pode ajudar com o blog!? É tão fácil que eu não entendo patavina!

Como estava a dizer, convido-vos todos a visitar o meu blog, onde encontrarão toda a informação que necessitam de saber acerca de mim. Sim! informação sobre o que como, se durmo, se estive ali ou acolá, se ando de mota ou de mota, ou se ainda sei  fazer-vos rir com as minhas palavras!
Boas Curvas a todos!

 

DSCN5068

 

Hola!
Despues de pedidos de varias familias (una bastava) decidi reanudar mi actividad en el Facebook!
Mis amigos tendran que volver a suportar mis Barbaridades, casi todas sin sentido alguno y otras tantas sin sentido definido!
Pero he cambiado mi estrategia!
He alargado mis Horizontes y me hizo un blog!
Alli podreis ver fotos, los videos, las barbaridades y podreis comentar donde os de en la gana!
Y vendria bien ayuda! No me entero de nada del blog!
Como estaba comentando, os invito a todos a visitar mi blog, donde encontran toda la informacion que necesitan de saber sobre mi.
Si!!!
Donde como, si he dormido, si he estado aqui o alli, si voy en moto o en moto, o si aun soy capaz de sacaros una sonrisa con mis palabras!

Boas Curvas a todos!