O Culto… 

Esta coisa despertou conscientemente em 1994 com uma revista (já extinta) cuja imagem de capa tinha a novíssima CB500.

Desde então o apetite por conhecer esse mundo nunca mais parou. Cheguei a ir a uma concentração a 6km de casa, aventurar-me de cinquentinha por boa parte da geografía portuguesa, ver provas do Campeonato Nacional de Velocidade (CNV), ser moço de recados numa modesta equipa de 125 Produção e até “dar à bandeira” num posto de controlo numa prova do campeonato de Enduro.

Alguém chegou a classificar-me como frikki por saber a ficha técnica de quase todos os motociclos à venda no retângulo.

Mas o que eu gostava mesmo era andar de mota e quase a totalidade das aventuras que vivi, vivo e vivirei, são só mais uma desculpa para andar de mota. De uma 50, passei a uma 125, depois uma 500, depois uma 1100, até hoje que tenho quase 4000cc em motas lá  no Santuário.

Vejo as motas como parte de mim, dou-lhes atenção e luto cada dia para que não lhes falte nada.

Principalmente gasolina! 😉

Continuo a estudar a aprender e a defender as motas.

Cheguei mesmo a pousar nú, num dia fresco de Fevereiro, em plena rua, para alertar e sensibilizar a comunidade.

Sim! Acredito que poucos tiveram coragem de olhar para a fotografia.

A estrada é,  em boa parte, culpada de muitas aventuras.

Faz-me sonhar. Torna-se interminável…

E  assim, pela maestría do amigo e companheiro Ricmag, nasceu o Logótipo que reúne um pouco de mim, um pouco do Culto e outro tanto dessa Estrada Interminável.

E é por esse magnetismo que o asfalto exerce, que Maria das Curvas continua a somar quilómetros.

Pelo caminho, fui fazendo amizades, continuei a cultivar o gosto pelas motas, tornei-me num entusiasta e ajudei no que pude as pessoas que encontrei no caminho.

Quando, finalmente, tive a oportunidade de criar o Santuário, percebi que tinha agora outro motivo para cultivar esta paixão.


A mecânica sempre foi uma tentação e, apesar de fazer boa parte da manutenção às minhas motas, sempre pus limites, sempre pensei que ainda não estava preparado… 

E não estou!

Muito longe disso.

Mas ter duas motas paradas no Santuário não é para mim, assim que pus mãos à obra.

Estudei sobre mecânica, li sobre restauro, procurei informação sobre os modelos, agucei o engenho, perdi o medo.

Passo as tardes livres no Santuário, tardes de puro Culto, de veneração às Motas, observando antes de tocar, tocar antes de desmanchar, desmanchar observando, observando consultando as bíblias da mecânica.

Continuo a andar de Mota!?

Claro que sim!

São elas que me levam ao Santuário!

São elas o principal motivo de tudo isto.

Eu e o Facebook

À dois meses atrás decidi desactivar a minha conta no Facebook!

As redes sociais tem um gancho adictivo que convem saber controlar, mas longe do problema da adicção, o problema reside essencialmente no conteudo, quase todo ele de qualidade dubia, fora de contexto e que nos informa de coisas de muito pouca relevância.

Se eu quiser cortar na casaca de alguem, saber de noticias dos miúdos dos amigos ou combinar uma tainada faço o melhor que sei, socializar em carne e osso.

Assim que decidi voltar a reactivar a minha conta do Facebook para partilhar nela o que realmente me interessa, as minhas barbaridades, aventuras e desventuras, para alem das vezes que ofereço um voo gratis ao meu bom amigo Martelo!

Alterei o meu nome, de Rui, para LoneRider, porque esta é a primeira de um sem fim de publicações publicas, e porque não interessa quem faz passar a mensagem, mas sim o que mensagem leva cada um!

Podia pedir que me seguissem directamente no meu Blog, mas acredito que uma leitura fugaz no Facebook é muito mais comodo, o que é compreensivel.

Mas o blog existe e está activo, se vocês quiserem seguir, estejam à vontade!

Boas Curvas a todos!

Rui Vieira aka LoneRider

 

Pescoço com mais de 40…

O Sr. LoneRider tem um pescoço com mais de 40 o que será mais propenso a que sofra da patologia que sofre”

Como se atreve um médico a insultar o meu pescoço desta maneira!?

Este pescoço, forte e maciço, esculpido à base de oferecer resistência aerodinâmica aos ritmos impostos pela Maria das Curvas ao longo destes anos em que viajamos juntos.

Que se lixe as patologias e os problemas respiratórios e disfunções mecânicas e eréctil (espera lá! Eréctil não! Vade-retro chifrudo!).

Só por causa das coisas, vou continuar a fazer o que faço. Ir ao ginásio, fazer treino muscular, cardiovascular e as minhas andanças kilométricas para manter este corpo mais ou menos forte e em forma. 

Além disso, e isto é a parte melhor, vou manter os meus dois pescoços bem fortes e maciços, seja andando de mota seja através da função eréctil.

Por falar em função eréctil… 

Vê lá se acordas  ó molengão, que estamos quase a chegar a casa! 

Uma subida para Rupert

As vezes saio ao monte com Artax, outras vezes com Rupert. 

Numa dessas saídas dei por mim a fazer os mesmos caminhos que faço com a Artax. 

 

Uma vez lembrei-me de desafiar o meu bom amigo Eddie para vir conhecer as boas aptitudes como escalador do Rupert. 

Numa mistura de medo e confiança, Eddie entrou em Rupert e gravou com o seu telemóvel este pequeno vídeo. 

Distance 

Tenho andado desaparecido.

Mas não tenho estado parado. 

Desde a última RIM fiz muitos km a bordo da Dorothy e incluí nos meus projectos mais dois novos nomes!

Voyager e Galita!

O LoneRider Sanctuary é cada vez mais uma realidade da qual vos tenho que contar em breve. 

Mas o que me anda realmente a comer o coco é isto. 

Este é o meu calcanhar de Aquiles mais recente, o sistema eléctrico.

Esse sistema neurológico que obriga a estudo e dedicação, do qual não posso recorrer da força dissuasora do meu bom amigo Martelo. 

Foi então que conheci o, agora muito mais chegado, Multímetro. 

Multímetro é aquela ferramenta ideal para os trabalhos neurológicos nas motas, mede voltagem, impedância e a continuidade (ou não) da corrente através dos nervos. 

A maior afinidade com o Multímetro, maior a ira ciumenta do meu bom amigo Martelo. Tudo isto obriga a marcar alguma distância para evitar de ser acusado de dar um trato preferencial a um ou a outro! 

Pirineus (parte 1)- La Trans-Pirinaica

Estar de ferias é muito chato.
Não ter hora para te levantar, para te deitar, fazer a comida sem o stress do relógio, programar os dias com calma, sem improviso e preocupações, namorar, oferecer flores à miúda, ver o mundo com outros olhos….
Tudo muito aborrecido!
É então que eu começo a sentir a nostalgia do Adagio para Cordas de Barber e o mundo verde e cheio de flores começa a ficar cinzento, sombrio e assustador!
Já me dispunha entregar o meu pescoço ao verdugo quando a Cavalgata das Valquirias começou a contaminar tudo com alegria e energia, e no horizonte aparece uma linda égua, toda ela negra, com a crina grisacea, de cavalgar imponente e majestoso, preparada para me salvar do verdugo:

-Acorda….
-Acorda!!!!
-Eu não sou a Dorothy, para de me puxar os cabelos!!!

Isto não se faz!
Precisamente naquele momento em que me dispunha a montar aquele belissimo animal a mulher atira-me da cama a baixo:

-O raio dos ciumes, pá!
-Que ciumes
– dizia enquanto tentava recolocar o couro cabeludo- Estavas a sonhar com o raio das motas e a puxar-me os cabelos!
-Qual mota, qual carapuça mulher! Era uma égua!
-Não quero saber nada disso. Quero é dormir descansada que não tarda, tenho que ir trabalhar. Infelizmente não tenho a sorte de estar de ferias!

Enquanto se deitava de novo no ninho, eu fui há casa de banho…
Espera lá!
Ela tem razão!
Eu estou de ferias!

Passadas duas horas ela baixa à cozinha e junto ao tabuleiro onde estava o seu pequeno almoço estava um bilhete que gritava:

FUI-ME EMBORA!
ESTOU DE FÉRIAS!
MAMO-TE (quando volte)!

P.s.:
Como tenho o curso na quinta e hoje é segunda….
Como estou de férias e não tenho nada para fazer…
Como deves estar chateada comigo por te ter puxado os cabelos, decidi ir dar uma voltinha, fazer alguma coisa e assim dar-te tempo de acalmar o fel!
Fui com a Dorothy!
Não te esqueças de dar uma vista de olhos na Dulcinea e na Maria todos os dias, ok!?
Dá de comer ao piriquito ok!?

P.s.2:
Nós não temos piriquito!

Preparar uma viagem em pouco mais de duas horas, durante a madrugada e influenciado pela sonolência pode resultar catastrófico, por isso revia mentalmente o que tinha posto nas laterais da Dorothy.
Por sorte estava tudo, desde a roupa, o fato de chuva, a bolsa de barbear,o mapa da península, a câmara e a tablet com os livros electrónicos.

1 Saida

Só ainda não sabia onde e como preencher o meu tempo, mas a placa da Autovia punha Huesca e por lá se vai para o Monrepos!
Para já era por lá que iriamos. Depois consultariamos o mapa!

2 Monrepos

Cá estamos!
A partir daqui a estrada, a pesar de estar em obras, é um manto de diversão. Vinte km de curvas rapidas que desenham vários ganchos com inclinações de medo!
Pouco a pouco começo a desenhar na minha cabeça o mapa da viagem.

3 Desvio

À direita do Monrepós, a norte da cidade de Huesca, ergue-se o maciço rochoso de Guara, desconhecido por mim, mas que pelo mapa tinha por lá umas estradas interessantes e umas paisagens que foram uma surpresa.
Outro detalhe interessante são as povoações, habitadas geralmente por pessoas idosas e cujo numero de habitantes por vezes não supera a dezena.

4 Policia Local

Paramos num deles, onde o “Policia Municipal” tratou de avisar os habitantes da presença do intruso!

5 Pueblo

Casas frias no verão e quentes no inverno….
A pedra destas casas, para alem da robustez, confere uma camuflagem natural. Este pequeno aglomerado, dificilmente se distinguiria visto desde um avião.

6 Rio Escarpado

Começamos a ganhar altura e o rio que nos acompanhava esforça-se por descer o monte, saltando de pedra em pedra.

7 Vale do rio

Neste caso, trata de desviar-se dos obstaculos, alguns deles com alguma tonelada de peso, mesmo que para isso tenha que passar forçosamente por debaixo deles.
Mas a estrada trata de nos deliciar com curvas e mais curvas….

8 Curvas 1

Paisagens e horizontes acidentados…

9 Paisagem

Onde a agua e a terra lutam com as suas armas para dificultar a vida um do outro, proporcionando espectaculos como este.

10 Queda de Agua

E no meio disto tudo há sempre quem se dispõe a desafiar as regras que a natureza nos impõe.

11 Alpinistas

Estes montanhistas, ou barraquistas (como dizem os aragoneses), dispõem-se a descer por esta garganta!

12 Altura

Enquanto disfrutava deste cenário, respirava este ar puro, pensava na miuda!
Como deve ter reagido com o meu bilhete?
Com que humor foi trabalhar?
Bem, não pensemos em problemas e coisas tristes!
Quando desperto deste pensamento vejo que havia uma CTX parada ao lado da Dorothy!
Admirando a mesma vista que eu, um senhor de 50 anos, fumando o seu cigarro cumprimenta-me com um timido “Hola!”.
Foi assim que conheci Enric, um montanhista catalão, que fazia pouco que tinha descoberto a melhor forma de viajar. Viajar de mota, para ele, foi um acto de liberdade, uma forma de expandir os seus horizontes sem ter limites!
Andava por ali, porque gosta de ver as paredes rochosas. Tinha estado em Jaca e traçou esta rota porque achou a estrada interessante:

-Não defraudou em absoluto!- disse.

A partir dali, fomos juntos, cada qual a seu ritmo, até Sos, onde paramos para vitaminar.

13 CTX e VFR

Depois decidimos fazer companhia um ao outro, programamos uma parada em Sort, e as que nos desse na vontade para tirar fotografias, fumar ou regar uma arvore.

14 Curvas 2

As curvas seriam mais divertidas e as paisagens mais bonitas!

14 Montanhas

A N260, que liga a costa catalã há costa vasca, atravessa os Pirineus de cabo a rabo, sendo conhecida como a “trans-pirinaica” e é adorada por motociclistas e ciclistas, pelo seu traçado e pelas cotas de altura que atinge!

15 Creu de Perves

A estrada, depois do alto de Creu de Perves, desce abruptamente, numa sequência de cotovelos e curvas lentas até chegar ao vale de Sort.
Dorothy ainda desafiava a CTX mas esta não era fã dos andamentos desportivos, começando logo a roçar com os deslizadores no asfalto.
De vez em quando escapavamo-nos de Enric e a sua CTX para a dose de curvas, mas, assim que parasse para fotografar ela passava por nós com ligeireza e elegância.

16 Bruxa de Ouro

Este sitio tem fama de trazer sorte!
Nesta pequena vila Pirinaica de Sort, está Administracion de Loterias del Estado “La Bruixa D’Or”, pode-se orgulhar de ter a fama e o record de ter distribuído o maior numero de “Gordos” da Loteria de Navidad. Num total 4 vezes, sem mencionar segundos, terceiros e quartos prémios, que totalizam varias dezenas de milhares de milhões de Euros e das antigas Pesetas!

17 Bruxo

Este senhor é o proprietario da Administracion e primou por ser uma pessoa simpatica, simples e humilde.

18 Sort

Deixamos Sort, subindo pela montanha, continuando pela N260 e o seu excelente traçado….

19 Vale de Sort

A tarde já tinha passado o seu equador e Enric dizia que me abandonaria en La Seu D’Ugell para rumar há cidade condal.

20 El Cantó

Esta foi a cota mis alta do dia, a 26km de La Seu. E que 26km de curvas….
A descida é impropria para cardiacos, com rampas de 12% quase sempre limitadas por cotovelos e curvas lentas que fazem aquecer os discos de travão em travagens prolongadas e mordazes.
Os pulsos já acusavam algum cansaço e o desconhecimento da estrada apelavam há precaução.
Uma vez chegados a La Seu D’Urgell, despedi-me da excelente companhia que foi Enric, trocamos dados para não perdermos o contacto e ficamos de nos encontrar em breve.
De La Seu D’Urgell eu apanharia direcção a Andorra la Vella em busca de uma cama onde descansar os ossos.

Uma Barrigada de Curvas

La em casa eramos cinco.
O Chico Galito, venenoso, provocador, capaz de derreter um cubo de gelo com o olhar e o tempo necessário para que este se derreta, contundente e inteligente, um verdadeiro diplomata politicamente incorrecto!
A Escrava Isaura (Bruxa nos momentos de carinho) um poço de ternura, atenta, preocupada, sempre disponivel, trabalhadora incansavel, paciente e com uma “talocha” que punha tudo em sentido.
O mais velho, olhos azuis penetrantes, bruto, feio, engenhoso, convencido e com um coração tão grande que muitas vezes não lhe cabia no peito.
O do meio, estudioso, amante das boas leituras, recortador-mor de jornais, politico, revolucionario, defensor de boas causas, trabalhador de andar traquina, uma rachadela na cabeça que pos fim à saga Mini cá em casa, carinhoso, sensivel, cabeludo e de confiaça.
O mais novo, traquina, inteligente,irreverente, dos que gosta de ver o circo pegar fogo, estratega impulsivo, comunicativo, imaginativo, copinho de leite, problematico com as mulheres, amante de todas as motas que ja existiram e hão-de existir, estudioso das motas, condutor das motas (principalmente), mecanico das motas, lavador das motas (e tudo mais terminado em Motas), para alem de provocador, venenoso e pensador.
Conseguem perceber agora porque é que, depois de conhecerem o meu componente familiar, me pode acontecer tudo e mais alguma coisa!?
Já agora, voces conhecem a Maria Amelia?
Maria Amelia foi a mota que o mais velho comprou quando soube que a Dorothy ia viver para a minha garagem. Mas foi sol de pouca dura, pois o mais velho não podia ficar atras do mais novo!
Na noite de Botorrita, os dois foram fazer as famosas curvas cuja povoação lhes dá nome e a frustração foi tão grande que ele se confessou:

-Tenho que ir buscar uma coisa dessas pá! Esta mota não me deixa curvar como eu quero!
– Já te disse que mudasses esse pneu dianteiro, o pneu esta triangular e é de uma marca diferente do traseiro. É normal que não te dê as sensações que procuras e por isso não tens confiança na mota.
-Não é nada disso pá! É a mota pá, vou muito recto, não é uma posição desportiva que te ajude a curvar…..

O tempo foi passando e o Verão chegou. Ou seja, tempo dos tótós andarem todos à solta…
E como o pessoal anda todo com a lua de ir curtir umas curvas de mota o mais velho encontra num stand uma belissima VFR800 V-Tech e sem exitar compra-a.
E é assim que chegamos aos dias de hoje, onde vos passo a contar como conheci a Gertrudes!

(Com isto já ganhei um empalamento (ou varios), dado que já escrevi mais de um paragrafo sobre uma barrigada de curvas.)

Como é normal por aqui em Aragão o dia começa pela manhã, com o nascer do sol mais ou menos entre as 6h e as 7 da manhã.
Ora hoje, Domingo, estava combinado os manos se encontrarem na primeira “gasolineira” da N330 em direcção a Huesca. O telemovel desperta-me ao som de um dos solos mais brutais de todos os tempos (Meastreted- Deep Purple), o que me faz acordar para a vida algo sobressaltado mas logo com a pica toda!
O sol, esse já era uma enorme laranja que se elevava no horizonte.
Depois do protocolo de despertar, beber o cafe, atirar-me pelas escadas abaixo e descer pelo elevador, a fazer o pino, até há garagem, finalmente encontro a Dorothy que trata de saudar com choque estatico!
Montados nela, motor quente, cavalos já com vontade de sair dali para fora, olho para o relogio que me alertava para a necessidade de me despachar.
Chegados ao ponto de encontro procuro uma VFR branca e nada!
Olho para o relogio 8:05….
Vou esperar 10min!
Bebi café, falei com o pessoal que estava tambem por lá para ir passear de mota, volto a olhar para o relogio e este gajo sem aparecer….
Telefono e nada!
Raios me partam lá o raio que o partiu em mil bocados com cimento cola!
O telefone toca e do outro lado oiço uma voz languida e atordoada:
-Estou….. Estou a sair de casa!
-Adormeceste seu morcão! Para a proxima vens tu a minha casa!
-O que é!?- disse tentando dissimular um bossejo- Eu já vou estou a sair de casa!

2 Dorothy e Gertrudes

Meia hora depois!
E ainda por cima sem tomar café!
-Agora temos que ir ligeirinhos, não é!?
-Se quieseres vais tu, mas a esta hora já os radares estão todos acordados, aqui na auto-via aconselho-te a teres cuidado!
-Então vá, vamos embora, vai há frente!

Era só o que faltava, marcar o caminho ao dominhoco.

2 Monrepos

Os 80km que separam as fotografia foi o suficiente para amainar o fel e agora já só pensava na descida de Monrepós, com os seus cotovelos vertiginosos durante uma boa vintena de km até chegar quase a Sabiñanigo. Depois começavamos a subir de novo para Jaca, onde desviariamos caminho em direcção ao “arame farpado” com a republica francesa.

3 Pirineus Jaca

Por ali estava o vale do Rio Aragon, onde se diz ter germinado o gene aragones…
Subiriamos por esse vale até ao principal objectivo do meu irmão, que era a estação de Canfranc, que se encontra abandonada desde há muito, mas que por si só, significa um periodo importante na historia industrial de Aragão, mas tambem pela sua arquitectura e o seu tamanho que a tornam quase tão colossal como as monatanhas que a rodeiam.

4 Canfranc

É, de facto, gigantesca e para ela se fala em planos de reabilitação e inculsivé de reactivação da linha ferroviaria…

5 Canfranc 2

Satisfeito o carpicho do mano velho, era hora de oferecer mais uma internacionalização há Dorothy.

6 França

A ideia consistiu em fazermos o enorme e aborrecido tunel de Somport, saindo do lado frances e depois voltando a Espanha pela estrada velha!
Foram 16 km de curvas e paisagens…

7 Montanha Ruiva

As paisagens esperam sempre por nós, assim como eu tinha que esperar pelo meu irmão, depois de argumentar que ainda se estava a adaptar há nova montada.

8 Montanhas

Aqui estão as meninas, depois de coroar os 1640m do Alto de Somport

9 Somport

Aproveitamos para beber uma cafezada e por as bocas em dia, para alem de planificar um bocadinho o final de manhã!

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Astun, estancia de sky….

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Um posto avançado do exercito espanhol, utilizado pelo destacamento de salvamento da Guardia Civil no inverno e cedido às instituições de protecção de menores como acampamento base para as ferias dos miudos mais carenciados.
Mas com uma paisagem assim, qualquer um vivia ali!

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Detras da Dorothy e da Gertrudes, as terras altas da Jacetania, um dos territorios de Aragon que menos conheço, mas donde se podem encontrar povoações singulares como Aisa.

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Povoações pequenas, mas com uma trama labirintica de ruelas e becos sem saida, que nos fizeram perder o norte e terminamos por sair de este por um caminho agricola, com atravesia de um leito de um ribeiro seco incluida.
Estava feito o baptismo da Gestrudes numa incursão pelo “todo terreno”.
Uma vez em Jaca, o objectivo era o grande Jabali, 35km de curvas cujas fotos jamais descrevem o prazer de as fazer. Por isso mesmo, não há fotos!
A cada curva o mundo e o horizonte mudavam de prespectiva, as vezes com um frenezim estonteante, Dorothy deixava no asfalto o seu binario, que me impulsionava para a frente, deixando para tras a Gertrudes e um condutor que, para alem de não conhecer a estrada, tinha um kit de unhas atrofiado pela idade.
Os anos e os km que fiz com ele já me davam confiança para estar tranquilo, que não se ia perder, e que não ira reclamar pelo ritmo imposto. A regra era simples. No proximo cruzamento espera-se pelo companheiro ou para que se volte a reunir o grupo.

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Neste caso foi ao final de este tunel, já em pleno vale do rio Gallego.
Paragem tecnica para contar impressões, recuperar o folego e beber algo fresco no bar que estava ali perto!

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O Vale do Rio Gallego é, nesta ocasião a porta de saida dos Pirineus, que nos devolve as planicies da Olla de Huesca, mas ainda tinhamos as ultimas curvas para fazer, que nos deixaram deslumbrados com estas paisagens!

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O Gallego e os Mallos de Riglos…
….algumas curvas mais tarde….

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E depois o “deserto”, um sem fim de campos secos, que mostravam ainda o restos da colheita do cereal numa planicie sem fim, percorrida por estradas secundarias que serpenteam pelo meios das povoações de caracter agricola.

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La atras os Pirineus, que tanto prazer deram em (re)visitar e nos protegeu do calor que agora nos asfixia!
Chegados a Zuera, a autovia foi o caminho mais rapido para chegar há Capital do Reino.
Ao final foram percorridos 400km dos quais mais de metade por estradas de montaña por sitios que eu aconselho a qualquer um de voces a visitar.
Quanto há Gertrudes, ela parece ter sido bem estimada, tem uma pintura singular e as jantes brancas dão-lhe un toque exclusivo, apesar de estarem condenadas a andarem sempre sujas!
Despois disto ficou a vontade de que ela seja uma companheira mais frequente e assidua, sempre que o dono se comprometa a levantar-se a tempo de não obrigar os demais a esperar por ele!