RIM- Dia do Já Cá Tou!

Para quem não sabe, Maria das Curvas é uma X11 com quase 16 anos e 150000km. Estes km devem-se a uma utilização muito diversificada, mas assente essencialmente no moto turismo. Contudo, depois das Artroses e da chegada de Dorothy, Maria viu-se relegada para as voltinhas esporádicas movidas pela saudade. Era uma maneira de lhe reconhecer mérito e mostrar o meu desejo de nunca a vender.
A sua última grande viagem foi no meu ultimo périplo pela Península, no verão de 2013. Desde então, exceptuando em Maio e Junho de 2014 em que fez sensivelmente 6000km, Maria dedicou-se a voltinhas domingueiras e a ser testemunha das minhas canções do bandido a uma jovem aragonesa.
Foi movido por esse saudosismo que decidi trazer comigo a Maria, arriscando-me a uma avaria inesperada tendo na garagem a Dorothy que oferecia muitas mais garantias. Mas ela estava preparada, com tudo em perfeito funcionamento, Maria estava segura de que iria demonstrar o porque de ter ganhado a minha admiração.

1 Inicio (1)

E sim!
A sua imagem com as alforjas montadas ainda hoje me faz rasgar um sorriso, trazendo-me à memoria tudo o que já vivi com ela, todas as aventuras e desventuras, as toneladas que já carregou e a única vez que me deixou a pé! Que grande suadeira…..
Dia 27 de Maio, dia que começou algo fresco mas solarengo.
Enquanto verificava se não me esquecia de nada, passeava-se diante dos meus olhos um pijama dos Metallica insinuando o seu corpo num claro convite para voltar para a cama.
Resisti, uma e outra vez, porque não é de bom tom fazer esperar a Maria das Curvas e a Laura.
-Laura!?- perguntou surpreendida- Quem é a Laura?
-Lembras-te das Cintas de Nossa Senhora do Pilar que prometer entregar numa povoação do Moncayo? Pois essa senhora que espera pelas cintas chama-se Laura e sabe que hoje vou passar por lá!
-Vais lá de propósito? Não é dar volta?
-Sim, uns 80km de volta, faz-se bem!
Com esta afirmação Carolina volta definitivamente para a cama. Sitio onde lhe dei o ultimo beijo da manhã, sem contudo, ter que oferecer resistência a um abraço com olhar desafiante incluído!
Fica aqui o primeiro conselho desta cronica….
Nunca se despeçam dos vossos problemas na cama!

De Zaragoza a Villarroya de la Sierra são uns 90km, feitos em andamento vivo e quase todos em autovia.
Laura é uma mulher vivida, com muitos km de pendura, trabalhadora e amante de tudo o que tenha duas rodas.
Enquanto lhe explicava o que ia acontecer nos dias seguintes, deliciava-me com um croissante acompanhado por um café com leite, ao mesmo tempo que Laura ia contando algumas das aventuras vividas no seu tempo de viagens. Entreguei as devidas cintas, que são uma especie de hamoleto protector para quem se preze em ser aragones. Não podia ir-me embora sem que lhe fizesse esta foto.

2 Laura

Maria e eu, a sós, de novo!
Pela frente tínhamos quase 300km até á capital, com uma paragem pelo meio para dar de comer ao cavalos. A A2 vai ao longo do vale do Jalon até quase Alcolea del Pinar, onde sobe até aos 1200m acima do nível médio do mar. Depois volta a descer para seguir quase sempre paralela ao Rio Henares, passando por Guadalajara, Meco, Azuqueca de Henares e Alcalá de Henares, até que, passado o cinturão da cidade M40, entras em Madrid pela Calle de Alcala, que desemboca, junto ao Jardin del Retiro numa grande rotunda onde no seu centro estão as portas de Alcalá!

3 Puerta de Alcalá

Mais há frente esta a Deusa Cibeles, onde os “madridistas” celebram os títulos da temporada. Se seguirmos sempre em frente chegamos à mitica Plaza de la Puerta del Sol, onde ainda tentei buscar um enquadramento para a Maria, mas o turistas são realmente uns chatos.
Decidimos dar a “volta ao cavalo” mas facilmente percebi que o meu GPS estava com dificuldades em recalcular a rota e tirar-me dali para fora.
Subitamente senti aquela alegria estranha de estar perdido:
-Agora somos só tu e eu, Maria!
E pus-me a inventar, seguindo de forma indiscriminada o trafico e cortando pelas ruas que, pela sua disposição pareciam as que melhor estavam orientadas para sair da cidade.

4 Palacio de Congreso

Quando vi os Leões do Congresso dos Deputados, não podia deixar de parar e fazer esta foto.
Aqui vive a democracia espanhola.
Ao fundo da rua já encontrei a indicação A5/R5/M30. Era precisamente essa que eu andava há procura, pois passa por debaixo do Calderon, estadio do Atletico de Madrid, equipa pela qual tenho uma estima especial.
Depois a extensa e caótica Av de Andalucia até ao cruzamento com a M40 onde a A5 nos leva a campo aberto e ao restaurante onde nos esperava uma dourada no forno que soube às mil maravilhas.
Sobre a A5, mais conhecida como a “estrada do nunca” (nunca mais acaba, nunca mias lá chego, nunca mais paro, nunca mais…), devo dizer que são 407km que rasgam Castilla la Mancha e a Extremadura em dois e que por experiência própria, não aconselho a ninguém fazer num dia de verão.
No entanto, tem coisas curiosas que merece a pena ver.

5 Tajo

Como a Sierra de Miravete e as famosas curvas desenhadas pela anttigua Nacional V.

6 Curvas de Miravete

Com um aspecto abandonado, um asfalto degradado onde plantas pioneiras aproveitam para desbravar terreno, a Nacional V sobe e desce a encosta da serra desenhando vários ganchos de primeira categoria.

7 Curvas de Miravete

La no alto podemos deslumbrar a oriente e a ocidente.
A oriente a Barragem e Central Nuclear de Almaraz, a ocidente a extensas planícies da Estremadura.
Um momento curto, para contemplar as paisagem, pois não era permitido muitas perdas de tempo.
No entanto algo me faz parar no caminho, ainda no traçado da antiga nacional V.

8 Tres Gerações de Estradas

Depois de Jaraicejo a estrada desce o vale e atravessa o Rio Almonte, onde tirei esta foto. Maria encontra-se sobre uma ponte de fundações romanas, possivelmente por donde passou a estrada romana e depois o caminho real, que com a revolução industrial foi substituída pela ponte que se vê imediatamente a seguir, por onde passa a antiga Nacional V.
Quando no primeiro mandato de Felipe Gonzalez, foram lançadas as primeiras bases para o progresso e modernização das infraestruturas de Espanha, foram construídas grandes Autovias que lentamente foram substituindo as principais nacionais. A ponte que se pode ver de fundo nesta foto é por donde passa a actual A5, que liga Madrid a Portugal.
Apesar da temperatura amena, o cu daqui do menino acusava os primeiros indícios de stress de cu-beduinismo, muito normal acima dos 600km, mas nada que uma paragem para abastecer, com café incluido e três dedos de conversa não suavize.
Parei em Trujillo par abastecer e decidi visitar o castelo. Infelizmente estava fechado, mas a parte antiga e o castelo valem bem a visita.

9 Trujillo

En Trujillo nasceu Francisco Pizarro, que foi para muitos o explorador das terras onde hoje existe a nação do Perú, e para outros o fundador da nacionalidade do Perú.
No entanto e apesar das controvérsias históricas, na Plaza Mayor de Trujillo, rende-se homenagem a este personagem com uma bonita estátua equestre.

10 Conquistador de Peru

Trujillo é sem duvida um sitio onde se deve parar com tempo.
Já de saída, o telefone deixa cair uma notificação do Marco Clara, informando da sua chegada a Estremoz.
Era tempo de cruzar o Guadiana em Mérida e avistar Elvas vigiando Badajoz num horizonte que era já 100% português!
Maria das Curvas voltava assim a pisar solo nacional ao final de dois anos.
E foi uma alegria desatada!

11 Estremoz

E assim terminou o dia do “Já cá tou”, com estas meninas a travarem conhecimento e os respectivos a contar mentiras enquanto não chegassem os gajos das “hortaliças”….

Pescoço com mais de 40…

O Sr. LoneRider tem um pescoço com mais de 40 o que será mais propenso a que sofra da patologia que sofre”

Como se atreve um médico a insultar o meu pescoço desta maneira!?

Este pescoço, forte e maciço, esculpido à base de oferecer resistência aerodinâmica aos ritmos impostos pela Maria das Curvas ao longo destes anos em que viajamos juntos.

Que se lixe as patologias e os problemas respiratórios e disfunções mecânicas e eréctil (espera lá! Eréctil não! Vade-retro chifrudo!).

Só por causa das coisas, vou continuar a fazer o que faço. Ir ao ginásio, fazer treino muscular, cardiovascular e as minhas andanças kilométricas para manter este corpo mais ou menos forte e em forma. 

Além disso, e isto é a parte melhor, vou manter os meus dois pescoços bem fortes e maciços, seja andando de mota seja através da função eréctil.

Por falar em função eréctil… 

Vê lá se acordas  ó molengão, que estamos quase a chegar a casa! 

Uma subida para Rupert

As vezes saio ao monte com Artax, outras vezes com Rupert. 

Numa dessas saídas dei por mim a fazer os mesmos caminhos que faço com a Artax. 

 

Uma vez lembrei-me de desafiar o meu bom amigo Eddie para vir conhecer as boas aptitudes como escalador do Rupert. 

Numa mistura de medo e confiança, Eddie entrou em Rupert e gravou com o seu telemóvel este pequeno vídeo. 

DiY- Mudar o Oleo ao Motor

Ola!
Andar de mota é o que nos move neste mundo, mas para alguns, saber como a sua mota funciona e até mesmo poder mexer nela é parte importante do mundo motociclístico. Alem disso, permite alguma economia no que a gastos de manutenção se refere.
Existem operações de manutenção que são fáceis de realizar por qualquer pessoa, mas muitos não se arriscam a faze-lo por falta de bases, o que me parece sensato. Mas, em vez de entregar o peixe já pescado, morto e amanhado, porque não ensinar a pescar?
E por isso que ponho à minha disposição a minha (pouca) experiencia, para vos iluminar o caminho para que vocês mesmo se aventurem neste magnifico mundo de conhecer as entranhas das vossas motos!
A nossa cobaia vai ser a Dorothy, que necessita de mudar o óleo, assim mudar o filtro de ar.

Antes de começarmos a desapertar parafusos e a “desmembrar” a mota, convem fazer os preparativos da coisa.
Comprar as peças que se vão repor, assim como os possíveis consumíveis (molas, anilhas, borrachas, etc) e saber que ferramentas se devem ter à mão para a operação.
Uma boa preparação é uma boa maneira de evitar momentos de pânico e incerteza quando já estamos com a mão na massa.

Ter os manuais de serviço ajuda muito quando se trata de uma moto com carenagens.
Alem do mais uma VFR tem um sistema pouco vulgar de fixação que obriga a alguns cuidados no que refere a desmontar e montar as carenagens.

Ter uma caixinha como esta, que ajuda a separar os diferentes rebites plásticos, anilhas, parafusos e peças que necessites retirar é sempre uma mais valia.

Antes de desmontar observa, estuda como está montado, verifica se tens as ferramentas necessárias e sobretudo, evita forçar encaixes e parafusos.
Tirar as carenagens a uma mota pode ter uma técnica especifica que requer saber como actuar. No caso da VFR, as carenagens laterais saem como se de uma porta corrediça se tratara, sendo que cada lateral esta fixa em apenas 4 pontos. Convem ter rebites plásticos de suplência porque existe sempre a possibilidade de que algum se parta, seja a remover do seu sitio, seja ao apertar quando se monta a carenagem.

Aqui temos a Dorothy descascada só para nós.

Desta vez fomos um pouco mais longe e desmontamos as laterais do deposito, para o levantar e aceder à caixa do filtro de ar.
O objectivo era inspecionar o elemento filtrante e, se necessário, mudar o filtro de ar.

Estava muito sujo assim que, devido a que ia fazer uma viagem grande e tinha o filtro novo comigo, decidi mudar.
Em caso de não se mudar, podes limpar.
Limpar este tipo de filtro resume-se a sopra-lo com ar comprimido no sentido inverso à da circulação de ar. Ou seja, deve soprar o filtro sempre da cara mais limpa para mais suja, de forma a que pressão do ar liberte as partículas aderidas ao filtro e o deixe o mais limpo possível.

Uma vez recolocado o filtro, devemos isolar a caixa de ar.
Normalmente a caixa de ar tem uma borracha que dá estanquicidade ao circuito, mas é sempre boa practica molhar essa borracha com óleo de motor (ou valvulina) para que esta adira correctamente garantido assim a estanquicidade. Para tal uma ampolia de óleo molhamos a ponta do dedo com óleo e vamos passando o dedo na borracha. Basta que a borracha fique viscosa, não é necessário afoga-la em óleo.

Apertar os parafusos da caixa de ar é outro momento que requer atenção.
Primeiro a maioria dos parafusos estão roscados no plástico, assim que não é necessário apertar muito. Basta ajustar.
Depois inicialmente deve-se apertar em cruz, para permitir uma força de aperto igual e que a peça encaixe perfeitamente no seu leito.

OK!
Vamos ao que interessa!
Para retirar o óleo do motor convém que este esteja quente, porque esta mais fluido, escorre mais depressa e arrasta com ele eventuais detritos que possam residir dentro do motor (Carter).
Enquanto o óleo escorre, podemos fazer outras operações…

Como mudar o filtro de óleo….

… ou as velas, o filtro de ar, a bateria….
Enfim!
Tudo menos afinar as válvulas!
Porquê?
Porque para afinar as válvulas é imperativo que o motor esteja frio e se mudas o óleo com este a temperatura de funcionamento do motor não se pode afinar as válvulas.

Com o filtro novo na mão, pedimos de novo ajuda a ampolia do óleo para “besuntar” a junta do filtro. O propósito é precisamente o mesmo que na caixa de ar. Permitir que este adira ao leito sem que fique dobrado ou torcido de forma que se escape por ali o óleo.

O fitro tem um binário de aperto, mas eu sempre fui apologista de dizer que o único que um filtro quer é um aconchego, por isso aperto-os à mão. Levem em conta que, o filtro é um “recipiente” volátil, que se ajusta ao motor com as vibrações que este produz e que depois se tem que retirar numa muda de óleo seguinte.
Não convem apertar muito porque se correr o risco de depois não se conseguir desenroscar.

O mesmo já não digo sobre o parafuso de drenagem.
Convem saber o binário de aperto, mudar a anilha de cobre (ou alumínio, latão, etc) que tem e aperta-lo convenientemente, com a ajuda da dinamométrica e depois do motor estar (mais ou menos) frio.

O liquido lubrificante deve cumprir sempre com as especificações mínimas do fabricante, assim como ser apto para as embraiagens banhadas a óleo.
A marca para mim é indiferente, se bem que para as motas mais recentes convém por sintético para garantir uma boa performance ao longo dos intervalos de manutenção. No entanto no caso das Milf (mais de 15 anos) ou avozinhas (mais de 30 anos), se houver um óleo correspondente que seja mineral eu não desaconselho porque os intervalos de muda são muito mais curtos. Existem ainda motos que registam consumos com os óleos sintéticos, mas se pores um óleo mineral esse consumo diminui parcialmente ou, até mesmo, desaparece por completo.
Quando mudamos o filtro de óleo convem, depois de por o óleo no motor e de verificar que esta a nível, por o motor a trabalhar uns breves instantes. O suficiente para que o óleo inunde o filtro.

Depois de parar o motor, convem deixar o óleo repousar o tempo suficiente para fazer uma leitura mais ou menos exacta do nível!

Caso o nível seja baixo, devemos atestar de óleo de forma a que este fique no nível máximo, mas nunca acima deste.

Prontos!
Feito!
Falta avisar que amanhã o óleo estar acima do nível máximo.
Mas não é motivo para alarme.
Põe a mota a trabalhar 2 min e depois para o motor.
Veste o casaco, põe o capacete, calça as luvas e só depois volta a verificar o nível de óleo e veras que o óleo se encontra no nível desejado.
No caso de motos que tem consumo de óleo, convém dividir a escala de medida do nível de óleo em duas partes. Meio para cima e meio para baixo.
Meio para cima está bom, não mexe!
Meio para baixo, é aconselhável atestar com o óleo, de preferência o mesmo que utilizas na mota.
Se estas em viagem, não tens óleo, esta no meio do nada e perdido, não entres em pânico se na escala o nível de óleo esta do meio para baixo. Neste caso o importante é que vejas óleo na escala. É sinal que o motor ainda tem óleo suficiente para as tarefas de lubrificação!
Se por ventura não vês óleo na escala e te importas com a saúde do motor da tua mota, desmonta e empurra!